terça-feira, 23 de outubro de 2018

JOGOS INESQUECÍVEIS DO NOSSO FUTEBOL

        

                                                        JOGOS INESQUECÍVEIS

             
                                   1963 - DECISÃO DO CAMPEONATO ALAGOANO
                                                                 CSA 4 x CRB 2


                                    Time do CSA quando venceu o CRB na decisão de 1963.
                                   Em pé: Flávio. Bá. Zé Cláudio. Sinval. Marinho e Batista.
                                   Agachados: Roberto Mendes. Pinga. Jair. Charuto e Deda.
                                                            Foto de Roberto Pleche

Vamos continuar registrando os acontecimentos da longa história do futebol alagoano. Jornadas sensacionais e inesquecíveis foram vividas anos atrás.  E através de um resumido relato procuramos transportá-los para os dias de hoje.

No campeonato de 1963, o CRB ganhou o primeiro turno e o CSA conquistou o segundo. Houve necessidade de uma melhor de três para decidir o titulo de campeão. No primeiro jogo, o CSA venceu por 3x2. Na segunda partida, houve um empate de 0x0. A grande decisão ficou para o terceiro encontro que se tornou inesquecível para a grande torcida azulina.

A partida foi realizada no mutange em abril de 1964. Ao CRB somente interessava a vitória. Por isso mesmo, sempre procurou jogar no ataque. No primeiro tempo onde o clube da pajuçara chegou a dominar as ações e marcador em 2x1, o CRB estava sempre mais perto da vitória. Sentindo que jogando recuado poderia perder o jogo, os jogadores do CSA partiram para uma estupenda reação. Ajudados por sua grande torcida que gritava e incentivava seus atletas, os azulinos chegaram ao empate no final dos quarenta e cinco minutos iniciais.

No segundo tempo, com a experiência do treinador Pinguela, os jogadores do CSA se mantiveram no ataque e conquistaram uma vitoria consagradora por 4x2. É bem verdade que o CRB lutou bastante e valorizou a vitória dos azulinos. Quando o juiz apitou o final da partida, a torcida invadiu o campo para festejar com os jogadores mais um campeonato conquistado. Muitos motivos davam fortes razões para que os torcedores, atletas e dirigentes não contivessem às lágrimas de felicidade. É que todos venceram também as crises, as adversidades e o descrédito. Era um desabafo justo e compreensível. Afinal, todos os obstáculos foram ultrapassados. Todos se lembravam que no primeiro turno, o CSA havia ficado em quarto lugar, atrás de CRB, Capelense e Estivadores. Ninguém se esquecera de que o inicio do segundo turno foi cheio de incertezas. Por tudo isso, foi necessário muita união. Muita força de vontade. Muita raça para superar a tudo e a todos. E um pequeno grupo que sempre acreditou nas tradições azulinas, viram a virada sensacional. Gigantesca. Heróica. Reabilitadora. E aquela tarde de 12 de abril de 1964 se tornou inesquecível para a história do Centro Sportivo Alagoano.

Outros detalhes da decisão.

Data: 12 de abril de 1964
Local: Mutange
CSA 4 x CRB 2
Gols de Jair dois. Pinga e Charuto para o CSA. Canhoto dois para o CRB
Juiz: Louraber Monteiro (pernanbucano)
Expulso: Márcio do CRB
CSA: Batista. Flávio. Sinval. Zé Cláudio e Marinho. Charuto e Bá. Roberto Mendes. Pinga. Jair e Deda

CRB: Moacir (João Carlos). Aguiar. Márcio. Bernardo e Paulo Brandão. Paulo Nylon e Cahú. Miro. Edinho. Canhoto e Canário.

                              
                                     1948 - DECISÃO DO TORNEIO MUNICIPAL
                                                   FLUMINENSE 1 X VASCO 0


                                  Este foi o gol do título. Um gol espetacular de Orlando.
                                                          
O Torneio Municipal era uma competição que antecipava ao campeonato carioca. Em 1948, o Fluminense foi o campeão depois de vencer a finalíssima contra o Vasco da Gama. Como o clube de São Januário participava do campeonato sul-americano de clubes em Santiago do Chile, deixou sua equipe reserva para disputar o Torneio Municipal. E o time foi muito bem. Ganhou todos os jogos chegando ao final em igualdade de condições com o Fluminense.  Para decidir, três jogos. No primeiro, o Fluminense venceu por 4x0. No segundo, o Vasco ganhou por 2x1. Sempre o Fluminense com seu melhor time e o Vasco com os aspirantes.

E veio o terceiro jogo. O Vasco tinha tudo para ser o campeão. Regressou ao Brasil com o titulo de campeão sul-americano, cheio de troféus e consagrado. Mas, todos esperavam que os aspirantes vascainos participassem do jogo final. A surpresa aconteceu pouco antes do inicio da decisão que foi realizada no dia 30 de junho de 1948. O Vasco entrou em campo com seu time titular. O poderoso campeão das Américas. Apesar disso, o Vasco era um time cansado pela maratona de jogos no Chile, pela viajem e pelas comemorações do titulo. Mesmo assim, Flávio Costa colocou o time em campo, surpreendendo até o próprio Fluminense.

E por incrível que possa parecer, a decisão ficou boa para o Fluminense. Se perdesse, perderia para os campeões sul-americanos. A obrigação de vencer era do Vasco. Os tricolores não tinham um time de estrelas, mas era uma equipe que se aplicava com muita dedicação as ordens de seu treinador Ondino Vieira. A força dos tricolores estava no coletivo e no alto sentido de sacrifício, coisa difícil de se encontrar em clubes cheio de estrelas. Flávio Costa que conhecia muito bem de futebol, acreditava que seu time, campeão carioca invicto em 1947, campeão dos campeões sul americano no Chile, não teria dificuldade para vencer o “timinho” do Fluminense. Como o “castigo anda a cavalo”, o Vasco perdeu por causa de uma bicicleta sensacional de Orlando, o Pingo de Ouro tricolor. Foi uma derrota estratégica. Um titulo valorizado pela audácia.


O jogo realizado em General Severiano e foi ganho pelo Fluminense por 1x0. Os campeões do Torneio Municipal de 1948 jogaram com Castilho. Pé de Valsa e Haroldo. Índio. Mirim e Bigode. l09. Simões. Rubinho. Orlando e Rodrigues. Os vascainos atuaram com Barbosa. Laerte e Wilson. Eli. Danilo e Jorge. Djalma. Maneca. Friaça. Ademir e Chico.


                                  1948 - DECISÃO DO CAMPEONATO MINEIRO
                                                     AMÉRICA 3 x ATLÉTICO 1
                                 

                                                   Carlayle e Lusitano antes da decisão.
  
Para cronistas da época, muito da mística que envolveu esta partida se deve ao fato de que exatamente em 1948 começava a nascer o verdadeiro profissionalismo em Minas. O Atlético armou uma equipe poderosa, hoje somente comparada ao Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes. O América não ficou atrás: mandou buscar jogadores no Rio, juntando-os aos bons valores que já possuía. A mocidade do presidente americano Alair Couto, levou-o a empreendimentos arrojados. Do acanhado estadinho Otacilio Negrão de Lima, construiu um palco para 15 mil torcedores. Para motivar ainda mais a disputa do titulo, havia a presença do Cruzeiro, que só abandonou o páreo uma semana antes da grande decisão, afastado pelo Atlético num 2x2 em que o gol do galo só foi obtido aos 43 minutos do segundo tempo. O resultado além de tirar as chances do Cruzeiro, elevava o América a vice-liderança, um ponto atrás do Atlético, isolado e cantando o tri campeonato.

Na semana da decisão, o presidente do América, Alair Couto, resolveu convocar a torcida mineira com palavras candentes, elevadas às manchetes em jornais como Diário da Tarde, Estado de Minas e Folha de Minas: “Torcidas do Cruzeiro, Vila Nova, Sete de Setembro, Metalusina e Siderúrgica, unam-se em torno do América. Não podemos permitir a festa do tricampeonato em nossas barbas”. Uma declaração de guerra. No dia 22 de novembro de 1948, o presidente do Atlético, Gregoriano Canedo, rompeu com o Departamento de Árbitros. Só aceitaria um juiz: Alcebíades de Magalhães Dias, o Cidinho. Acontece que Cidinho tinha a fama de atleticano. O América reclamou: “Mas logo o Cidinho, a bola é nossa!”. No mesmo dia, enquanto se preocupava em vetar o juiz indicado pelo Atlético, o América vivia uma grave crise interna. O técnico Iustrich por pouco não atira o titulo pela janela e exatamente no ano em que estreava como técnico. Brigou com o jogador argentino Valsechi, um dos ídolos da equipe, acusando-o de chegar á concentração depois da hora. A crise foi contornada pelo Conselho Deliberativo do clube. E a guerra continua. O presidente do América garantia que daria o total da renda aos jogadores. A resposta do presidente do Atlético foi imediata: “Daremos o dobro!”. No dia 26, a pedido do América, a Federação Carioca de Futebol liberou o juiz inglês, Mr. Barrick para apitar o clássico mineiro. No mesmo dia, o Atlético enviou um oficio a Federação Mineira, solicitando que um dos bandeirinhas fosse o Cidinho. América entra na jogada e diz que só aceita se o outro auxiliar fosse Willer Costa.

No dia do jogo, 28 de novembro, o tempo amanheceu chuvoso e clima tenso. Ás 13 horas o campo já estava completamente lotado. Policia e Corpo de Bombeiros chegaram juntos para evitar que a torcida, que ficou de fora, forçasse os portões. O América entra em campo primeiro com seus jogadores confiantes: Tonho. Didi e Lusitano. Jorge. Lazarotti e Negrinhão. Helio. Elgem. Petrônio. Valsechi e Murilinho. A fumaça dos fogos era sufocante quando Atlético entrou em campo: Kafunga. Murilo e Ramos. Mexicano. Zé do Monte e Afonso. Lucas. Lauro. Carlayle. Alvim e Nivio. Foi um dos espetáculos mais emocionantes já vividos pela torcida mineira e os atletas que participaram daquela decisão.

No primeiro tempo, logo aos 3 minutos, Lusitano desarma Carlayle, leva a bola até o meio campo e entrega para Elgem, que aproveita uma falha de Ramos e enfia para Murilinho: América 1x0. Carlayle vai buscar a bola. Fala com Zé do Monte e se sente que os atleticanos não se abateram com o gol. Afinal, possuíam um time superior tecnicamente. A reação era questão de tempo e tempo era o que não faltava. Mas os minutos começavam a passar e nada do empate. O América se superava com incrível espírito de luta, acabando por se premiar, aos 42 minutos com o segundo gol. Lazarotti passa a bola para Helio que chuta e vence o goleiro Kafunga: América 2x0. Enfim, a resposta do Atlético. O América ainda comemorava o seu gol quando Lucas chutou forte, Tonho não conseguiu segurar a bola que sobrou para Nivio marcar o primeiro gol atleticano. Primeiro tempo: América 2x1.

Vem o segundo tempo. Petrônio, artilheiro comprado ao Vila Nova, passa pelo zagueiro Murilo e chuta rasteiro para marcar mais um gol americano. Os jogadores do Atlético partiram para cima do Mr. Barrick. O primeiro foi Zé do Monte que tenta explicar que a bola não entrou. Batera nos pés de um policial que estava junto á trave e saíra. Mas como fazer o juiz entender? Aos 22 minutos, nova confusão. Nívio passa por Jorge e bate forte. Era o segundo gol atleticano. A torcida festeja, antevendo a reação e o empate. Mas Mr. Barrick anula o gol, dando impedimento de Nívio. Carlayle, desta vez, chega primeiro e seu inglês não é suficiente para fazer o juiz mudar de opinião. Então, resolve se reunir com o resto do time. Não dentro do campo, mas nos vestiários. O galo não voltou e Mr. Barrick apenas fez cumprir o regulamento. A paralisação aconteceu aos 23 minutos do segundo tempo. O juiz esperou mais 15 minutos pelo retorno do Atlético, resolvendo dar a partida por encerrada, enquanto a policia tratava de impedir que torcedores alvi-negro invadissem o campo. Mesmo assim, o juiz levou alguns sopapos.


O enterro do Galo foi até o Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte. Um enterro que acabou em pancadaria. O caso foi para o Tribunal. O Atlético queria disputar o restante do jogo. O América, muito justamente, exigia que o considerasse o campeão. Os americanos somente puderam comemorar o titulo de verdade, seis meses depois.


                        1949 - PRIMEIRO TURNO DO CAMPEONATO CARIOCA. 
                                                         VASCO 5 X FLAMENGO 2

                                            

                                        Ataque do Vasco que venceu o Flamengo por 5x2. 
                                             Nestor. Maneca. Ademir. Ipojucan e Mário.

No primeiro turno do campeonato carioca de 1959, uma goleada do Vasco da Gama abriu uma grande crise no Flamengo. Naquela tarde, desfalcado do seu centro avante Heleno de Freitas, o Vasco se limitou a jogar seu grande futebol e superar seu adversário tecnicamente mais fraco. A crise foi porque alguns dirigentes achavam que teriam possibilidades de derrotar o Vasco em São Januário. E como estavam confiantes, os 5x2 foi demais. E foi preciso arranjar uma desculpa.

E tudo começou com a extrema confiança do grande rubro negro Ary Barroso, às vésperas do clássico. Ninguém sabe, até hoje, porque o velho narrador esportivo, tarimbado por tantas outras batalhas, estava tão confiante, tão otimista. Time por time, o Vasco era muito melhor. Não há resposta cabível. Até porque, Ary Barroso sempre foi paixão pelo Flamengo e paixão não se explica nem se justifica. O fato é que vislumbrando a possibilidade de vitória, Ary deu um pulinho até a concentração do Flamengo para conversar com seus craques. E saiu de lá com muita raiva. Ficou irritado porque Jair da Rosa Pinto lhe disse que o Flamengo não teria a menor chance contra o Vasco com aquela tática de basquete que iria utilizar. Jair se referia ao esquema inovador de Kanela, técnico do clube e que tinha sido treinador da seleção brasileira de basquetebol. Jair chamou Ary a um canto e aconselhou a não apostar um tostão no Flamengo. Isso aconteceu no sábado.

No domingo veio o jogo e com a tática de basquete, o Flamengo saiu na frente com 2x0 no marcador, entusiasmando sua torcida. Na cabine destinada as emissoras de rádio, Ary Barroso estava eufórico com os gols do seu clube. Mas, aos poucos, o Vasco reencontrou seu melhor futebol e foi fazendo gols um atrás do outro até chegar 5x2. Para Ary, o mínimo que teria acontecido foi uma sabotagem. Depois do jogo, nos vestiários do Flamengo, as discussões começaram de maneira acaloradas. Ouvindo as acusações do narrador torcedor, os dirigentes acusaram Jair da Rosa Pinto que nunca mais vestiu a camisa do clube rubro negro. Na quarta feira já estava no Palmeiras de São Paulo. Tudo isso aconteceu nos bastidores.

No campo, o Flamengo fez dez minutos de um futebol que deu esperanças a sua torcida. Marcou 2x0, aproveitando falhas de Augusto e Barbosa, até o momento em que Jair perdeu um gol frente a frente da meta vascaina. Mal sabia Jair que aquela seria sua última chance perdida no Flamengo. Por ter perdido aquele gol, iniciou também uma derrocada total da equipe e que, certamente, a culpa do fracasso caiu sobre Jair.

Mas, de fato, depois daquele momento, o Vasco tomou pulso da partida, encontrou seu verdadeiro futebol, e caminhou firme para massacrar a meta do goleiro Garcia. Quando terminou o primeiro tempo o placar já era de 2x2 com os vascainos dominando amplamente o jogo. O Flamengo tentava equilibrar as ações, mas o Vasco era um time muito superior e sua vitoria transformava em cores vivas de uma realidade que ninguém mais duvidava. Os 5x2 finais foram bem o espelho de um triunfo justo do melhor time do Brasil naquela época.

O Juiz foi o inglês Mr. McPherson Dundas. Os foram marcados na seguinte ordem: Augusto contra. Gringo. Danilo. Maneca. Maneca. Nestor e Ipojucan.
O Vasco jogou com Barbosa. Augusto e Sampaio. Eli. Danilo e Jorge. Nestor. Maneca. Ademir. Ipojucan e Mario.
O Flamengo com Garcia. Job e Juvenal. Valdir. Bria e Jaime. Luizinho. Zizinho. Gringo. Jair e Esquerdinha.


                                  1979 - DECISÃO DO CAMPEONATO ALAGOANO.
                                                               CRB 2 X CSA 0 
                                                        

                           
                         O craque Silva, autor do segundo gol e o melhor jogador do jogo.

A vitória valia para o Clube de Regatas Brasil o título de tetracampeão alagoano, o segundo da sua história. O Centro Sportivo Alagoano queria de qualquer maneira impedir a conquista regateana. O time da pajuçara dirigido por Jorge Vasconcelos tinha um excelente conjunto e muitos bons valores. Sua base era a prata da casa. Todos tinham lutado para chegar a grande decisão que valia um tetracampeonato, e não seria naquela partida que deixariam a peteca cair.

No começo do jogo, o CRB parecia nervoso, inibido, se deixando envolver pelo CSA. Depois dos dez minutos, o jogo ficou igual e com o decorrer do tempo, os alvirubros passaram a comandar as ações. Mesmo assim, os azulinos perderam uma grande chance através do perigoso Almir. O clube da praia também teve suas oportunidades com Jorge da Sorte e Alberto. Com mais vontade de vencer o jogo, o CRB abriu a contagem através de um lance infeliz. Um desencontro entre o goleiro Samuel, que saiu mal de sua meta, e o zagueiro Zé Luiz, que atrasou a bola no meio do gol. Samuel havia saído para o lado e a bola entrou mansamente nas redes azulinas. A torcida comemorou como se já tivesse conquistado o titulo. A confiança era tanta que já se ouvia o grito de: ”é campeão”. Um era pouco. A torcida queria mais.

No segundo tempo, houve mudanças apenas no CSA. Saiu Ezio e entrou Peu, o garoto revelação. O CRB jogava bem e o treinador Jorge Vasconcelos manteve os mesmos jogadores. Precavido na defesa, o CRB esperou o desespero do CSA para em contra-ataques rápido com o trio Jorge da Sorte. Alberto e Silva, selar o destino do campeonato. E foi o ponteiro Silva quem marcou o segundo gol depois de boa trama do ataque alvirubro. O titulo era mais que um prêmio para seu treinador Jorge Vasconcelos que acreditou nos valores da casa e usou nada mais nada menos do que nove jogadores da terrinha.

Detalhes da partida:

Competição: Campeonato alagoano de 1979
Data: 21.setembro,1979
Local: Trapichão
Jogo: CRB 2 x CSA 0
Gols: Zé Luiz contra e Silva
Juiz: Arnaldo Cesar Coelho
CRB – tetracampeão: Cesar. Cicero Besouro. Flavio. Marcus e Carlinhos do Pontal. Enéas e Patinha. Jorge da Sorte. Alberto e Silva.

CSA: Samuel. Evaristo. Zé Luiz. Beto e Luizinho. Belisco (Luis Carlos) e Ezio (Peu). Enio Oliveira. Almir e Gilmar.


                                    1944 - DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA
                                                       FLAMENGO 1 x VASCO O
  

                              Final do lance que culminou com o gol do título de tri campeão
                                                   Foto da revista Esporte Ilustrado.


De um lado, o Flamengo com a maior torcida. Do outro lado, o Vasco da Gama que tinha o melhor time do campeonato, mas com alguns jovens valores que despontavam como craques. O Flamengo com um time que tinha sido estruturado em 1939 e tinha a experiência que faltava ao Vasco.  Para complicar as coisas, o clube da Gávea estava sem Domingos da Guia, transferido para o Corinthians e Perácio, que lutava na Itália como pracinha da FEB, na Segunda Guerra Mundial. Mantinha apenas a sua intermediária com Biguá. Bria e Jaime de Almeida. Valido tinha parado, mas o treinador Flavio Costa pediu para que jogasse sua última partida na decisão. Pirilo, machucado, entrou no sacrifício. O Vasco com uma equipe cheia de craques. Ademir era o grande artilheiro. Lélé. Isaias e Jair, adquiridos ao Madureira, eram a sensação do campeonato. Rafanelli. Chico e Djalma eram outras feras de São Januário. No Flamengo, o técnico Flavio Costa que sempre concentrava seu time no interior de São Paulo, preferiu deixar os jogadores no Rio, livres da concentração. Ondino Vieira, treinador do Vasco, levou seus atletas para Uruçanga, uma localidade perto do Rio de Janeiro. O Flamengo tinha problemas médicos, e o Dr. Nilton Paes Barreto, lutava para colocar em campo alguns dos contundidos. No Vasco, os jogadores passavam da monotonia ao tédio. Ler jornais, ouvir musica na vitrola, era o principal passa tempo dos vascainos.

O jogo foi realizado na Gávea, campo do Flamengo. Os remadores do clube se juntaram para evitar que a torcida do Vasco se manifestasse nas gerais e arquibancadas. Nas sociais, nenhum vascaino entraria. Luis Vinhaes, chefe do departamento de árbitros, armou um esquema para despistar a todos. Escalou Guilherme Gomes, mas pediu a Solon Ribeiro  que entrasse em campo com uma bola, um apito na boca e chamasse os dois times. Assim, Guilherme Gomes se livraria do foguetório que receberiam os dois times e apareceria se surpresa. Os portões da Gávea foram fechados duas horas antes do inicio da partida. E naquele dia 29 de outubro, o Vasco entrou em campo com Barqueta. Rubens e Rafanelli. Berachochéia. Alfredo e Argemiro. Djalma. Lélé. Isaias. Ademir e Chico. O Flamengo também estava em campo com sua formação que tinha de melhor. Jurandir. Nilton e Quirino. Biguá. Bria e Jayme. Valido. Zizinho. Pirilo. Tião e Vévé.

A torcida do Flamengo já era inflamada. Vai na Bola, um torcedor símbolo, corria pelo campo com dois pratos de metal nas mãos, batendo sem parar. Jaime de Carvalho, chefe da Charanga do Flamengo, começou a comandar seus músicos. A torcida do Vasco gritava para incentivar seus jogadores. Seus gritos eram abafados pelos flamenguistas e atrapalhados pelos remadores do clube.

O Vasco começou melhor. Atacou mais. Jurandir fez grandes defesas. O Flamengo equilibra o jogo e o primeiro tempo termina com um zero a zero. Valido estava com 39 de febre e Pirilo mal podia caminhar. Mesmo assim, o clube rubro negro comandava o meio campo com Zizinho fazendo uma partida impecável. Faltam cinco minutos. Faltam quatro minutos. Vévé cobra uma falta na esquerda. Valido cabeceia e Barqueta manda para escanteio. Vévé vai cobrar. Ele manda a bola na área vascaina, Valido sobe por cima de Argemiro e cabeceia para a meta. Barqueta não consegue defende e a bola entra. É gol do Flamengo. A torcida invade o campo. Valido é abraçado e beijado. Argemiro e alguns jogadores do Vasco correram para o juiz afirmando que Valido subiu nas costas do zagueiro vascaino para cabecear o marcar o gol do titulo. Guilherme Gomes não viu nada de anormal na jogada, e sua preocupação era limpar o campo.                

Quando o jogo recomeçou, o Vasco tinha três minutos para empatar a partida. Vai todo para o ataque. Mas time algum tiraria o titulo do Flamengo naquela tarde. A torcida, atrás do gol de Jurandir, estava pronta para entrar em campo e desarmar qualquer atacante vascaino. Todos recuaram e formaram uma barreira em preto e vermelho. Quando a bola estava com o centro avante Isaias do Vasco, o juiz apitou o fim do jogo. O Flamengo era tri campeão carioca. A Gávea foi pequena para conter a alegria de tanta gente. Em uma emissora de rádio, Flavio Costa dizia “Se o Flamengo não costuma esquecer seus campeões, para os de hoje, deve reservar uma gratidão especial”. No dia seguinte, explodiu a bronca vascaino – o gol de Valido tinha sido ilegal. Ele havia trepado nas costas de Argemiro para cabecear. Os jornalistas se dividiam. Uns levaram a reclamação a sério. Outros passaram a gozar os vascainos. O tempo se encarregou de matar a questão. Para os flamenguistas, vencer o Vasco com um gol legal é bom, mas ganhar com um gol irregular é muito melhor.

(revista placar)




                                              1966- DECISÃO DA TAÇA BRASIL.  
                         CRUZEIRO 6 x SANTOS 2 E CRUZEIRO 3 X SANTOS 2
                   

                                                    Cruzeiro campeão da Taça Brasil
                       Em pé: Neco. Pedro Paulo. Willians. Procópio. Wilson Piazza e Raul.
                         Agachados: Natal. Tostão. Evaldo. Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.

O Cruzeiro se classificou para disputar a Taça Brasil de 1966 ao conquistar o título de Campeão Mineiro de 1965, o primeiro disputado no Mineirão. Depois de superar o Americano, Grêmio e Fluminense, chegou à final contra o poderoso Santos, pentacampeão do torneio. Foram necessárias duas partidas para se conhecer o campeão.

O primeiro jogo foi no Mineirão. E mesmo em Belo Horizonte, vencer o time de Pelé, Gilmar, Zito, Pepe e Carlos Alberto era uma tarefa quase impossível nos anos 60. No início do jogo, o Santos sentiu a força do Cruzeiro e, com cinco minutos, já perdia por 2 a 0. A preocupação do time paulista cresceu quando Dirceu Lopes aumentou a vantagem do Cruzeiro para 3 a 0. Aos 42 minutos, Tostão marcou, de pênalti, o quinto gol do time celeste. Placar do primeiro tempo: Cruzeiro 5 x Santos 0. No segundo tempo, o Santos esboçou uma reação com dois gols de Toninho Guerreiro. Mas, em seguida, Dirceu Lopes fez 6 a 2 e consolidou a derrota mais contundente do esquadrão de Pelé.

Humilhados, os jogadores do Santos prometiam a vingança no jogo de volta no Pacaembu. Uma vitória simples garantiria a marcação de um novo jogo decisivo. Nesta partida, logo no primeiro tempo, Pelé e Toninho Guerreiro fizeram dois a zero. A certeza da vitória foi tanta que o então presidente da federação paulista, Mendonça Falcão, desceu aos vestiários para informar aos dirigentes do Cruzeiro que o sorteio da data para a terceira partida seria no dia seguinte, às dez da manhã.

Mas o Cruzeiro voltou com tudo no segundo tempo e, com a raça de um campeão, partiu para cima do Santos. Logo de cara Tostão desperdiçou um pênalti, mas marcou em seguida cobrando uma falta totalmente sem ângulo. Aos 28 minutos, Dirceu Lopes concluiu uma grande jogada e decretou o empate. Atônitos com o resultado, os jogadores do Santos buscaram a vitória, mas o ponta Natal marcou o gol da virada histórica aos 43 minutos.

Festa azul-celeste em São Paulo. Cerca de 10 mil torcedores cruzeirenses estavam no estádio e foram ao delírio com a conquista histórica. O primeiro título nacional de um clube mineiro conquistado fora de casa.

CRUZEIRO 6
SANTOS 2

Data: 30/11/66
Local: Mineirão
Gols: Zé Carlos (contra). Natal. Dirceu Lopes e Tostão no primeiro tempo. Toninho e Dirceu Lopes no segundo tempo.
Público: 77.325 pagantes
Juiz: Armando Marques
Cartão vermelho: Procópio e Pelé.
Cruzeiro: Raul. Pedro Paulo. William. Procópio e Neco. Piazza. Dirceu Lopes. Tostão. Natal.  Evaldo e Hilton Oliveira.
Técnico: Airton Moreira.
Santos: Gilmar. Carlos Alberto Torres. Mauro. Oberdan e Zé Carlos.  Zito e Lima.  Pelé. Dorval. Toninho e Pepe.
Técnico: Lula.

SANTOS 2
CRUZEIRO 3

Data: 07/12/66
Local: Pacaembu
Gols: Pelé e Toninho no primeiro tempo. Tostão.  Dirceu Lopes e Natal no segundo tempo.
Juiz: Armando Marques.
Santos: Cláudio. Lima. Haroldo. Oberdan e Zé Carlos.  Zito e Mengálvio. Amauri (Dorval). Toninho. Pelé e Edu.
Técnico: Lula.
Cruzeiro: Raul. Pedro Paulo. William. Procópio e Neco. Piazza e Dirceu Lopes. Tostão. Natal. Evaldo e Hilton Oliveira.
Técnico: Airton Moreira.




                        1969 – DECISÃO DO CAMPEONATO ALAGOANO DE 1968
                                                                CSA 3 x CRB 2


       Lance na área do CRB. O atacante do CSA, Duda, chuta para a meta do goleiro Pompéia.
        O zagueiro do CRB Zé Julio, tenta impedir o chute. Mais atrás, Ademir apenas observa,


A tarde de 3 de fevereiro de 1969 foi realmente inesquecível para o CSA que derrotava mais um adversário e conquistava o título de tetracampeão. Era um título inédito no regime profissional em Alagoas. E tudo se tornou mais valorizado porque o último obstáculo da campanha foi o CRB, que pela tradição e pelo valor moral, duplicou a glória ao título conquistado.

O CSA parecia disposto a vencer a partida logo no primeiro tempo. Partiu para cima do adversário e já aos seis minutos marcava seu primeiro gol que era anulado pelo árbitro Erilson Gouveia. Perturbado com o gol anulado, o CSA terminou sofrendo um gol através do Beba. Logo depois aconteceu o empate com um gol do volante Zé Luiz. Antes de terminar o primeiro tempo, o CRB passou a frente do marcador através de um gol contra de Erivaldo.  

No segundo tempo, o treinador Pinguela mexeu no time. Ciro e Petruce entraram nos lugares de Catatau e Déo. O CSA começou a jogar melhor e o empate aconteceu aos vinte e um minutos. Novamente outro gol de Zé Luiz. O gol da vitória, o gol de tetracampeonato só veio aos trinta minutos depois de uma jogada e Giraldo e conclusão do Petruce. Nessas alturas, o CSA já dominava o jogo com Zé Luiz e Eric aparecendo como os donos do espetáculo.

Os quinze minutos finais foram realmente dramáticos. O clube do Mutange estava bem no jogo e procurava manter o resultado. A agremiação da Pajuçara, desesperada, buscava o empate de qualquer maneira. Seu ataque era desordenado e a defesa do CSA estava bem postada. A torcida azulina somente se sentiu aliviada quando árbitro apitou o final da partida. A alegria tomou conta de todos e fizeram um verdadeiro carnaval em pleno campo da Pajuçara. A vitória do CSA foi maiúscula em todos os sentidos, porque foi conquistada sobre um adversário valente, lutador que soube valorizar a vitória do CSA.

Final: CSA 3 x CRB 2.
Juiz: Erilson Gouveia (pernambucano).
CSA: Zé Galego. Catatau (Ciro). Paranhos. Tadeu e Erivaldo. Zé Luiz e Eric. Ratinho. Giraldo. Duda e Déo (Petruce).
CRB: Pompéia. Ademir. Nadinho. Zé Julio e Helio. Paulo Nylon e Beba (Erb). Haroldo. Canhoto. Roberto e Silva.


                                          1958 – COPA DO MUNDO NA SUÉCIA                        

                                                             Brasil 2 x URSS 0

                              

                                          Time do Brasil que venceu a URSS.

                Em pé: Desordi. Zito. Belini. Nilton Santos. Orlando e Gilmar.
                Agachados: Garrinha. Didi. Pelé. Vavá. Zagalo e Mário  Américo.

O Brasil havia ganhado da Áustria e empatado com a Inglaterra. O jogo mais difícil seria contra a União Soviética. Pressionado pelos jogadores Nilton Santos, Didi e Belini, o técnico Vicente Feola, resolveu fazer três modificações no time brasileiro. Entrariam Garrincha, Zito e Pelé.

Antes da entrada das duas equipes, o supervisor Carlos Nascimento foi até o vestiário do russo, numa vista de cordialidade, e sentiu que seus jogadores estavam nervosos. Nascimento passou a noticia a Feola que às pressas, reuniu os jogadores.
-          Vamos surpreendê-los com a velocidade. Todas as bolas para
Garrincha. Temos que marcar um gol logo nos primeiros minutos – determinou o técnico.

De ouvidos colados aos aparelhos de rádio, 60 milhões de brasileiros acompanhavam, ansiosos, o início da partida. E o que se ouvia era espantoso. Pela voz de Edson Leite, da Rádio Bandeirante de São Paulo, vinha a descrição de uma epopéia.
-          Atenção Brasil! Saída russa. Centro alto para Pelé, passa por três
Adversários, dá a Vavá, Vavá para Zagalo, que rola para Garrincha, que chuta na trave. Zito para Garrincha, passa pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro, solta parta Pelé, chuta, na trave outra vez. Nova bola na trave, quando meu cronometro marca dois minutos de jogo. E lá vai Didi para Vavá, que entra na área, vai atirar, atira e goooooool! Vavá! Gooool do Brasil! Um início irresistível do Brasil. Placar na Suécia:1x0, o Brasil vence, com um gol sensacional de Vavá e duas bolas na trave, uma de Garrincha e outra de Pelé.

Não foi só o início. Durante o jogo todo, o Brasil esteve deslumbrante. Embora empregasse uma severíssima marcação homem-a-homem, com Igor Neto na sobra, a União Soviética não conseguia segurar Didi, Pelé, Valva e, sobretudo, Garrincha, que a cada arrancada deixava o lateral Kuznetsov caído no chão. Aos 20 minutos do segundo tempo, mesmo perdendo, os soviéticos começaram a tocar a bola. Haviam desistido de procurar o empate, conformados com a derrota por contagem apertada. Mas, aos 30 minutos, Vavá entrou na área com uma fúria empolgante, dividiu com dois zagueiros, cortou o pé e marcou o segundo gol. Um massacre, simplesmente. O Brasil chutou 36 vezes ao gol e Gilmar praticou apenas uma defesa difícil.

“Foi a maior exibição de futebol que vi até hoje”, escreveu o mais famoso jornalista esportivo da Europa, o francês Gabriel Hanot.

“Depois de hoje não preciso mais ver futebol”, garantia o português Cândido de Oliveira.

“Jamais pensei que algum time do mundo pudesse jogar um futebol tão lindo como esse”, afirmava Alan Hoby, do Sunday Express de Londres.

No eufórico vestiário brasileiro, Garrincha era o centro das atenções.
-          Azar deles – explicava o Mané – é que eu estava com fome de bola. Deram sopa...
-    E o marcador? – perguntaram.   
Que marcador? – respondeu.
-          O Kuznetsov.
-          Ah, era esse é?
Naquele dia, a seleção brasileira redescobriu a magia do futebol. E começou a ser pentacampeão do mundo.

Dia 15 de junho de 1958 – Brasil 2 x URSS 0.
Gols de Vavá aos três do primeiro tempo e aos 30 do segundo.
Local: Estádio Nya Ullevi em Gotemburgo.
Juiz: Maurice Guigue (francês).
Brasil: Gilmar. Desordi. Belini. Orlando e Nilton Santos. Zito e Didi. Garrincha. Vavá. Pelé e Zagalo.
URSS: Yashin. Kessarev. Krijevski. Kuznmetsov. Voinov. Tsarev. A Ivanov. V Ivanov. Simonian. Igor Neto e llyin.


(Da Manchete Esportiva)


                                            1949 – AMISTOSO EM MACEIÓ
                                      CRB 1 x OLARIA DO RIO DE JANEIRO 0        
 

                                           TIME DO CRB QUE VENCEU O OLARIA
    Em pé: Pedrosa. Tomires. Walfrido Vieira. Bandeira. Miguel Rosas e Divaldo Lindoso. 
                            Agachados: Santa Rita. Zé Cicero. Laxinha. Severino e Paulo.


Vitória maiúscula alcançou o Clube de Regatas Brasil sobre o Olaria Atlético Clube do Rio de Janeiro. Triunfo da raça sobre a classe para que o prestigio do futebol alagoano, já conhecido no Maranhão e na Bahia, chegue até a Capital da Republica, porque vencemos um quadro acostumados a lutar contra os grandes, um quadro que faz parte da primeira divisão do futebol carioca e que nos últimos anos vem realizando boas campanhas no campeonato do Rio de Janeiro.

Toda aquela massa que se comprimia do estádio da pajuçara, talvez não pensasse que os Galos de Campina vencessem o prélio. Talvez uma leve desconfiança chegada a alguém: O CRB vai vencer. Mas as apostas eram favoráveis ao Olaria, coisa natural, pois íamos enfrentar uma equipe do Distrito Federal. No final, muita gente perdeu dinheiro, quando o marcador acusava 1x0 para o Clube de Regatas Brasil, gol de Carlos Santa Rita.

Pouca gente poderá compreender porque o Regatas foi um gigante, na tarde de domingo ultimo, quando enfrentou o Olaria. Gigante do pontapé inicial ao apito do cronometrista, dando por encerrado o match. Longe de se diminuir e sem tentar estudar o quadro visitante, porque talvez não chegasse a compreendê-lo, partiu o CRB ao ataque mal começou o jogo. Não quis saber do cartaz de time do sul. Foi lá, ao arco de Zezinho, tentar a vitória, que chegou como uma dádiva do céu.

Depois de tirar a saída, caminhou o CRB para o ataque. Jogo rápido e firme. A bola foi à direita com Paulo que cruzou pra seu irmão Carlos. Entretanto, a pelota ainda esteve dentro da área olariense, antes de ir ao ponteiro canhoto que atirou de maneira espetacular para Zezinho tentar interceptar e afinal deixar que o placar passasse a 1x0. Eram decorridos um minuto e cinco segundos de jogo e a vitória do Regatas estava assinalada, embora muitos momentos de emoção foram vividos ao longo do restante dos minutos do prélio com defesas sensacionais do goleiro do CRB Bandeira.

Decorridos dez minutos de partida equilibrada, já como placar a seu favor, seguiram os alvirubros a orientação de Zequito Porto e passaram a fazer uma defesa cerrada, marcação perfeita, homem a homem com elementos isolados no ataque. O Olaria se manteve na perseguição do gol do empate, em luta desesperada contra o sistema defensivo do CRB, tentando com filigranas vencer a fibra dos nossos rapazes. Não conseguiu, embora dominasse bom período do jogo, porque o CRB foi um gigante.

O time do CRB: Bandeira. Divaldo e Miguel Rosas. Walfrido Vieira. Tomires e Pedrosa (Fontino). Paulo. Zé Cícero (Macaquinho). Laxinha. Severino e Santa Rita (Wilton) (Dirson).
O time do Olaria: Zezinho. Osvaldo (Lamparina) e Haroldo. Amaro. Olavo e Ananias. Alcino. Alves. Maxwell. Mical e Esquerdinha.

O juiz foi Doca Loureiro com um bom trabalho.


                                       1957 - DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA
                                                    BOTAFOGO 6 x FLUMINENSE 2


                                        1957 - Time do Botafogo que goleou o Fluminense.
                           Em pé: Adalberto. Tomé. Servilho. Nilton Santos. Pampolini e Berto.
                           Agachados: Garrincha. Paulinho Valentim,. Didi.; Rossi e Quarentinha. 

                   
Não foi, positivamente, uma decisão de campeonato como todas as circunstâncias faziam esperar. A verdade é que não houve aquela movimentação equilibrada, aquela disputa renhida com a vitória pendendo para um lado ou para o outro. O que se viu, desde dos primeiros minutos, foi um Botafogo se apresentando em tarde de gala, pegando firme na defesa e com um ataque arrasador. No outro lado, um Fluminense desbotado, com uma defesa cometendo falhas desastrosas e um ataque não recebendo o apoio do meio campo.

 O maracanã recebeu um publico de 87.100 pagantes. Todos aguardavam muita luta, muita movimentação, muita dificuldade na vitória de um ou de outro. Entretanto, o campeão começou a se desenhar logo nos primeiros minutos através de um gol do artilheiro Paulinho Valentim. Naquela tarde, Garrincha, Didi, Nilton Santos e Paulinho fizeram a diferença. O centro avante foi o artilheiro da partida com cinco gols. Os campeões do mundo ajudaram seu clube a jogar os noventa minutos sem falhas. Com isso, a vitória e o titulo foram absolutamente justos. Competente na defesa, eficiente no meio campo e um ataque goleador, o Botafogo não teve dificuldades para conquistar o titulo de campeão carioca de 1957.

Foi um verdadeiro show de bola. Nem mesmo o grande goleiro Carlos Castilho conseguiu evitar a goleada. O gramado do maracanã se transformou num grande palco onde o baile do Botafogo foi assistido passivamente pelos jogadores do Fluminense.

O jogo foi realizado no dia 22 de dezembro de 1957 com uma arrecadação de 3.247.639,00. Paulinho fez 1x0. Paulinho marcou 2x0. Paulinho assinalou 3x0. Escurinho diminuiu para 3x1. Novamente Paulinho fez 4x1. Garrincha 5x1. Paulinho 6x1 e Valdo marcou o segundo gol do Fluminense. O juiz foi Alberto da Gama Malcher. O Botafogo foi campeão jogando com Adalberto. Beto. Tomé. Servilho e Nilton Santos. Panpolini e Didi. Garrincha. Edson. Paulinho Valentim e Quarentinha. O Fluminense perdeu com Castilho. Cácá. Pinheiro. Clóvis e Altair. Jair Santana e Jair Francisco. Tele Santana. Valdo. Robson e Escurinho. (Jornal O Globo)


                                  1970 - INAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO REI PELÉ
                            AMISTOSO - ALAGOAS 5 X SELEÇÃO ALAGOANA 0
                  


                                     
                                             Seleção Alagoana que perdeu para o Santos.
                                Em pé: Ciro. Cocorote. Dida. Aranha. Djalma Sales e Lourival.
                                  Agachados: Zezinho. Canavieira. Adeildo. Zito e Canhoteiro.
                   
Era um sonho que se transformava em realidade. O Estádio Rei Pelé estava para ser inaugurado. E uma grande equipe do futebol brasileiro veio para enfrentar a nossa seleção. Um estádio construído para o torcedor alagoano expandir seus sentimentos, abrir as comportas da alma para o alívio das pressões da vida cotidiana, aplaudindo e vaiando a glória efêmera de uma vitória ou amargando as derrotas que educam e ensinam, criando o sentimento cívico da compreensão e entendimento de que a grande diretriz da vida não é, apenas vencer, ganhar, dominar, mas competir.

Os torcedores que cruzaram os portões do Estádio Rei Pelé naquela tarde, por certo, ficaram satisfeitos com a exibição do Santos diante da seleção alagoana, que para muitos, não era a nossa força máxima. O Santos, este sim, com todos seus grandes jogadores, não teve dificuldades em vencer o jogo por 5x0, gols assinalados no primeiro tempo. O primeiro gol no novo e majestoso estádio, foi marcado pelo atacante Douglas depois de recebeu um lançamento do ponteiro Abel. Depois, Pelé fez o segundo após jogada individual. Nenê marcou o terceiro e o quarto gol santista. Outra vez Pelé encerrou a goleada. A partida valeu pelas jogadas do time santista. A seleção alagoana, senão agradou, pelo menos, não apelou.

Detalhes técnicos da partida –
Dia: 25.outubro.1970
Local: Estádio Rei Pelé (Trapichão)
Santos 5 x Seleção Alagoana 0
Gols de Douglas. Pelé. Nenê, Nenê e Pelé
Juiz: Armando Marques
Auxiliares: Sebastião Canuto e Edvan Tenorio
Renda: Cr$ 285.490,00
Publico: 45.865 pagantes
Santos: Cejas (Edward), Carlos Alberto Torres (Turcão). Djalma Dias (Ramos Delgado). Marçal (Joel Camargo) e Rildo. Clodoaldo (Lima) e Nenê. Davi. Douglas. Pelé (Luis Carlos) e Abel.
Alagoas: Cocorote (Zé Luiz). Ciro (Walter). Dida. Djalma Sales (Ednelson) e Lourival. Aranha e Zito. Zezinho (Bite). Canavieiro (Brás). Adeildo e Canhoteiro.



                                   1963 - DECISÃO DO CAMPEONATO GAÚCHO 
                                                  GRÊMIO 4 X INTERNACIONAL 2                                  



                                                        Sérgio Moacir Torres Nunes



Bruxaria, uma renda recorde, um Gre-Nal de desespero. Começa aqui a história do Super-Grêmio – A Arrancada para o Penta.

Durante anos, o Inter lutou para esquecer esse vexame. Correndo seis pontos à frente do Grêmio, acabou, em duas rodadas, entregando o ouro. Um Gre-Nal que ficou, para Joãozinho, Ivo Diogo e Vieira – todos gremistas – como a maior emoção de suas vidas.

Uma coisa nunca vista. Por mais de trinta minutos - enquanto aguentou o empate – as torcidas de Grêmio e do Internacional só rompiam o silêncio para raros gritos de raiva e impotência. Uma coisa para não esquecer. Era o orgulho ferido de Ivo Diogo, um grande atacante que o Inter vendeu ao Newell’s Old Boyus da Argentina em 196. E que, de volta, se encaixou no Grêmio com uma quase irracional sede de vingança.

- Vamos lutar sem parar. Vamos acabar com a banca deles, pelo amor de Deus. Nem que eu me arrebente, mas vou ganhar esse jogo.

Outros desejos de vinganças, algumas loucuras e alguns fiascos amadureceram o clima de guerra que explodiria em euforia tricolor, nessa noite de 8 de fevereiro de 1963. Uma tensão amadurecida longamente, pois houve quase dois meses de espera para o pega de decidiria o campeonato Gaúcho de 1963.

Agora, são 32 minutos do segundo tempo. O pequeno e veloz ponta de lança, Joãozinho corre pela meia direita. Ao lado da área, para. Ezequiel hesita na marcação. Joãozinho olha para o gol, vê Gainete adiantado cobrindo o ângulo esquerdo. E chuta, defeito, de leve. Gainete pula para trás desesperado. Inútil. A bola faz uma curva, entra no ângulo direito.
É o Grêmio virada para 2x1, é sua torcida, finalmente explodindo. Nos quinze minutos restantes, ainda haveria três gols, dois para o Grêmio e um para o Internacional. As o povão tricolor não parou de gritar. Nem a galera colorada não parou de sofrer. Afinal, depois daquele chute de Joãozinho, quem seria capaz de tirar do Grêmo esse título sofrido, meses antas dado como perdido? Depois e virar o placar da super decisão, como o Grêmio seroa capaz de entregar o ouro? Tinha razão os gremistas. Só não podiam prever as 50.000 pessoas que superlotavam o Olímpico que começava ali um longo reinado, os sete anos do domínio tricolor, a prolongada noite de sofrimento colorado. Estranhas coisas deviam acontecer, e de fato, ocorreram.
Com o crescimento da fama de bruxo que já o acompanhava Sérgio Moacir Torres. Esse baixinho que foi goleiro do time tricolor viera, em 1961, do obscuro Flamengo de Caxias do Sul para comandar o Internacional e leva-lo ao campeonato interrompendo a série de cinco títulos tricolores. Em 1962, desentendido com os cartolas colorados, Sérgio está novamente por baixo. Treina o Cruzeiro, ganha pouco, não tem a menor esperança de ser campeão. Perdido, o Grêmio recorre ao feiticeiro.

Ele chegou ao clube em 15 de agosto de 1962. O Grêmio corre seis pontos atrás do Inter. O técnico Ênio Rodrigues, ídolo como jogador, pela classe, pelo folego e pela fidelidade de ser tricolor, perde a paciência. Junta as coisas e foi embora. Sérgio chegou com aquele seu jeito: manhoso, muito prudente, falou – Não tenho compromisso de ganhar o título. Só espero não perder mais nenhum jogo. E houve coisas terríveis. O Internacional não conseguiu daí por diante ganhar uma partida do campeonato. O Grêmio vencia todas, menos um, empatou com o Cruzeiro. E a esperança tricolor era esta: que o time colorado perdesse mais um jogo, que o acerto de contas ficasse paras o Gre-Nal.

As coisas foram esquentando. Animado o Grêmio. Angustiando o Internacional. Até hoje, os colorados lamentam, em tom de suspeita, a repentina decisão de Sérgio Lopes de rescindir seu contrato. O treinador Pedro Figueiró chiou – Sérgio Lopes não pode sair. É uma das peças básicas do meu time – Mas o centromédio estava irredutível. Não queria saber da decisão. Dito e repetido isso, rescindiu o contrato, despertando grilos mil nas cabeças dos colorados. Pois é: um dia, essas suspeitas iriam crescer. Ano seguinte, Sérgio Lopes voltou ao Rio Grande do Sul. Para o Grêmio. Em que encruzilhada Sérgio Moacir lançou o seu feitiço, não se sabe. Sabe-se apenas que o Internacional entrou em crise.

(parte da reportagem de Divino Fonseca para a Revista Placar)


                                                                        1939 - CAMPEONATO ALAGOANO
                                                                                           CRB 6 x CSA 0
                                           O chamado Jogo da Sofia





JOGO DA SOFIA

O jogo da Sofia chega a ser polemico pelas declarações de alguns jogadores que participaram da partida disputada no dia 10 de outubro de 1939 pelo segundo turno do campeonato alagoano. A partida foi realizada na Pajuçara e o juiz foi Artur Reis, ex-jogador do Centro Sportivo Alagoano.

Segundo depoimento do lateral esquerdo do Centro Sportivo Alagoano, Rui Craveiro (falecido), o resultado da Sofia não foi normal. Técnicamente, os dois times se equivaliam. Rui afirmou que houve um desastre. Primeiro, porque os azulinos não concordaram com a arbitragem que era um azulino que tinha brigado com a diretoria do clube do Mutange. Artur Reis teria confirmado dois gols irregulares do Clube de Regatas Brasil. Depois, porque o goleiro azulino, Orlando Gomes de Barros, se descontrolou, e irritado, colocou duas bolas para dentro do seu próprio gol. Finalmente, Rui Craveiro comentou que depois do final da partida teve que agüentar a gozação dos alvi rubros na Praça do Rex que fica perto do campo da Pajuçara.

Para Cláudio Régis, ponta direita do Clube de Regatas Brasil, e autor de dois gols, o jogo não terminou. Faltava dez minutos quando os azulinos abandonaram o campo. Para uns, aborrecidos com o juiz. Para Cláudio Régis (falecido), para evitar um vexame maior. O ponteiro do CRB preferiu não falar sobre arbitragem. Dizia apenas que o CRB era melhor, e que naquele ano chegou a conquistar o tri campeonato, provando assim, que realmente, era melhor. Os 6x0, a maior goleada da história do clássico, ainda nos dias de hoje é comentada e gozada pelos alvi rubros.

Em virtude dos desencontros nos comentários de alguns jogadores que participaram do jogo, vamos transcrever, na integra, os principais trechos da reportagem que saiu no Jornal de Alagoas de dia 12 de outubro de 1939, comentando o grande clássico alagoano da tarde do último domingo.

“O Centro Sportivo Alagoano, clube de grandes tradições nos esportes da cidade, sofreu na tarde de anteontem uma espetacular derrota, a maior, até hoje registrada na sua história. Esta alta e significativa contagem foi marcada pela forte e homogênea esquadra do Clube de Regatas Brasil, bicampeão da cidade, e que já pode ser considerado como detentora pela terceira vez do título de campeão de Maceió”.

“A vitória apesar de nítida e incontestável, surpreendeu os próprios vencedores, que não esperavam marcar tão espetacular triunfo, apesar de acreditar na vitória alvi rubra, mesmo porque, é o CRB um team de grande classe, manejado pelos conhecimentos excepcionais de um profissional a quem a diretoria lhe conferiu plenos direitos de agir, o treinador húngaro Franz Gaspar”.

“O quadro vencedor teve todos os requisitos para um triunfo espetacular. Do excelente arqueiro Humberto ao ponteiro Ramalho, todos jogando um ótimo futebol, principalmente, o centro médio Gabino, a grande figura da cancha. Eram decorridos trinta minutos do primeiro tempo, quando Duda, oportunamente, abriu a contagem numa cabeçada imprevista e bem dirigida. Dois minutos depois, ainda Duda numa cerrada carga pela ala canhota, consegue enganar o arqueiro Orlando, encobrindo-o e enviando a pelota as redes. O CSA procurou reagir, porém seus dianteiros falhavam. Com a contagem de 2x0 terminou a primeira fase. Para o segundo tempo, o CSA procurou tirar a diferença. Fazia esforços titânicos para amenizar a contagem, o que consegue, porém o arbitro anula o gol por impedimento de Toscano. O CRB volta a carga, e como uma máquina ajustada envolvia os defensores azulinos que se defendiam leoninamente. Duda, o celebro do ataque alvi rubro, entregou a bola a Regis que chutou forte. Orlando mergulhou, porem a bola lhe escapou das mãos e foi para as redes. A desorientação do CSA foi completa, e o CRB com o entusiasmo muito grande chegou ao marcador de seis, através de dois gols de Arlindo e um de Ramalho, todos de boa feitura. O juiz foi Artur Reis com bom desempenho”.

Este artigo retrata o que realmente foi a partida entre CRB e CSA no famoso clássico da SOFIA.


E porque Sofia?
Segundo o próprio Cláudio Regis, o centro avante do CRB chamado Arlindo que também, assinalou dois gols, criava uma cabra no campo da pajuçara, e por ela tinha um cuidado todo especial. Arlindo gostava de cantar uma modinha que falava nos vinte e cinco bichos do “jogo do bicho” propriamente dito. E quando chegava no número seis (cabra), ele dava uma paradinha e fazia alusão a goleada dos 6x0 e a sua cabra. Os jogadores gostaram, passaram para a torcida e a gozação foi geral. Foi um jogo histórico pela goleada que através dos anos, nunca se conseguiu outro placar igual.


DETALHES TÉCNICO DO JOGO DA SOFIA

Competição: Segundo Turno do Campeonato Alagoano de 1939
Data: 01Outubro.1939 - CRB 6 x CSA 0
Gols de Arlindo dois. Duda dois. Regis eRamalho.
Juiz: Artur Reis
Local: Pajuçara
CRB (tri campeão) - Humberto. Osvaldo e Bacurau. Ariston. Gabino e Gilfredo. Cláudio Regis. Ventania. Arlindo. Duda Bocão e Ramalho

CSA - Orlando Gomes de Barros. Nhô e Badica. Fontan. Pedrinho e Rui Craveiro. Moisés. Maninho. Toscano. Sales e Murilo

                                    
                                       1966 - DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA
                                                        BANGU 3 x FLAMENGO 0
                                    

                                              O time do Bangu que venceu o Flamengo.
                    Em pé: Mário Tito. Ubirajara.  Luis Alberto. Ary Clemente. Fideles e Jaime.
                        Agachados: Paulo Borges. Cabralzinho. Parada. Ocimar e Aladim.



Na tarde de 18 de dezembro de 1966, o maracanã recebia cento e quarenta mil torcedores para assistirem a decisão do campeonato carioca daquele ano. Mais de cem mil eram torcedores do Flamengo. Eles tiveram que assistir em silêncio o barulho que a pequena torcida do Bangú fazia para comemorar um titulo que perseguia a trinta e três anos. A torcida do Flamengo estava de bandeiras arriadas, enroladas, sem ânimo sequer para perceber que a noite caia e já era hora de ir embora. A festa pertencia ao Bangú. Não importa que não tenha sido uma festa como a torcida queria, sem manchas, limpa, bonita, resultado normal de noventa minutos de excelente futebol. Futebol que poucos times sabiam praticar como o Bangú daquele ano.

Entretanto, a história foi bem diferente. A partida não terminou. Os jogadores brigaram. A torcida brigou. Cenas de violência e ódio que acabaram por inscrever na história do futebol, não apenas o jogo decisivo, mas a imagem definitiva de um homem que fez dos gramados sua praça de guerra, num misto de herói e vilão: Almir, cujo destino fez com que ele morresse, moço ainda, na porta de um bar, sete anos depois. Almir foi assassinado a tiros em Copacabana.

Na decisão o jogo foi do Bangú que chegou a última batalha depois de dezoito jogos, vencendo quinze, empatando dois e perdendo apenas um. Ubirajara. Fidelis. Mario Tito. Luis Alberto e Ari Clemente. Jaime e Ocimar. Paulo Borges. Ladeira. Cabralzinho e Aladim foi o grande time do campeonato carioca de 1966 e muito bem dirigido pelo treinador Alfredo Gonzalez. O Flamengo na decisão era um time cheio de problemas técnicos e psicológicos. Valdomiro. Murilo.  Jaime. Itamar e Paulo Henrique. Carlinhos e Nelsinho. Carlos Alberto. Almir. Silva e Osvaldo.

Aos três minutos do segundo tempo, a maioria dos torcedores rubros negros estavam calados. O placar de 3x0 para o Bangú era um sinal evidente da derrota, pois, além da diferença nos números, o adversário dominava o jogo. Os caminhos da reação pareciam fechados. Vinte e seis minutos e tudo estava na mesma. De repente, o futebol acaba, cedendo lugar a uma das maiores confusões já registradas no maracanã.

O lateral Paulo Henrique se preparava para cobrar um lateral quando Ladeira tentou impedir e provocou o jogador do Flamengo. Paulo respondeu com palavrões e recebeu uma bofetada do atacante do Bangú. Almir estava ligado na partida e disposto a tudo para não aumentar a humilhação. Era demais para uma tarde só. Primeiro, os frangos de Valdomiro, que mais tarde foi acusado pelo próprio Almir de ter se vendido. Depois, as contusões de Carlos Alves e Nelsinho. Agora, o tapa de Ladeira. Almir perde inteiramente o controle. Partiu, desesperadamente, na direção a Ladeira, que prefere correr, mas em direção a zaga do Flamengo. Itamar, um negro forte de 1,85 e chuteira 43,
pula com os dois pés no peito do atacante, que cai. Almir que vinha correndo chutou sua cabeça. A esta altura, o gramado do maracanã já era  palco de uma verdadeira loucura coletiva. Ari Clemente do Bangú, vem por trás de Almir e agride o pernambuquinho. Imediatamente é cercado por Silva. Itamar e o próprio Almir. A torcida do Flamengo, até então calada com a derrota, resolve agitar suas bandeiras, como se cada soco, cada pontapé, valessem como um gol que o time não conseguiu fazer. E num desabafo começa a gritar – Almir, Almir, Almir.

Ladeira deixa o campo de maca. O juiz Airton Vieira de Moraes, conversa com o treinador Reganeschi, que consegue tirar Almir do campo. Mas, quando Almir vai descendo o túnel ouve alguém gritar – “Volta Almir. Acabe de vez com festa deles”. Foi o suficiente. Ele dá meia volta e parte novamente para o gramado. É ameaçado pelo goleiro Ubirajara e lhe dá um soco. É cercado por Ari Clemente, Mario Tito, Luis Alberto e Fideles. Almir começa a distribuir socos prá todo lado. Bate e apanha. Silva e Itamar correm em seu socorro. A muito custo, os policiais conseguem dominar Almir e levá-lo definitivamente para fora do campo. Sua saída lembra um lutador de box deixando ringue após um combate. Os espectadores se dividem em vaias e aplausos.

No meio do campo, o juiz Airton Vieira de Moraes resolve expulsar cinco jogadores do Flamengo: Valdomiro. Itamar. Paulo Henrique. Almir e Silva. E mais quatro do Bangú: Ubirajara. Luis Alberto. Ari Clemente e Ladeira. Futebol não teve mais. Os banguenses deram a volta olímpica com poucos aplausos. A torcidas do Flamengo vaiava e grita o nome de Almir.

O Bangú construiu sua vitória a partir dos 24 minutos do primeiro tempo. Ocimar cobrou uma falta de fora da área e marcou 1x0. Três minutos depois o Bangú aumenta para 2x0 através de Aladim. No intervalo, Almir avisou a todos que estavam nos vestiários do Flamengo. “Eles não vão ter volta olímpica”. Foi com esta disposição que o Flamengo voltou para o segundo tempo. E logo aos três minutos Paulo Borges marcou o terceiro gol. A partir deste gol, o Bangú partiria para uma goleada histórica. O time estava bem, contrastando com o um Flamengo que mais lembrava um moribundo. A briga, enfim, somente aquele tumulto poderia transformar o panorama da partida. E mudou...

(revista placar)



1941 - DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA.
FLUMINENSE 2 X FLAMENGO 2

Primeira parte


Pedro Amorim
Autor do primeiro gol do Fluminense
(Foto do Esporte Ilustrado)

Ao Flu bastava o empate. O Fla atacava desesperado. É bola na Lagoa!  Os tempos eram outros, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, livre ainda dos aterros e da especulação, chegava bem juntinho ao muro do estádio da Gávea. Um muro baixo, indigno da decisão. E não havia essa fartura de bolas que se vê hoje em dia. Uma só bastava, de acordo com a regra. E disso se aproveitou o Fluminense, com apenas dez homens em campo, para segurar o empate de 2x2 e garantir o título carioca de 1941. A cada ataque desesperado do Flamengo, a becança tricolor dava um bicão na bola – não para rápido contra-ataque, mas por cima do muro, para as águas da Lagoa. E a cena ficou famosa.

Estamos no dia 21 novembro de 1941, um sábado. Mas não um sábado comum. Véspera de Fla-Flu, mas não um Fla-Flu comum. Este vai decidir o Campeonato Carioca. Há uma semana é o grande assunto na cidade e os jornais aproveitam para acirrar ânimos e despertar rivalidades. Os dois clubes chegaram à final na seguinte situação: para o Flamengo só vale a vitória; O Fluminense lhe tem um ponto de vantagem, precisando apenas de um empate. O técnico do Flamengo, Flávio Costa resolveu levar seu time para concentrar na cidade de Lorena, interior de São Paulo, mais exatamente na Fazenda do Ipê, do conselheiro Dario de Melo Pinto. O Fluminense preferiu ficar no Rio. O técnico tricolor, Ondino Vieira, não poderia contar com Spinelli que se machucara no jogo contra o Botafogo. A Federação Metropolitana de Futebol desmentiu um árbitro argentino e anunciou que o juiz poderia ser Juca da Praia ou Pereira Peixoto. O Flamengo volta de Lorena nas primeiras horas do sábado. O Fluminense descansa no palacete das Laranjeiras.

Dia da decisão. Uma hora da tarde. O estádio da Gávea já não tem lugar vagos. Tudo pronto para começara decisão. No centro do gramado, o juiz Juca da Praia espera impacientemente que os remadores do Flamengo, que desfilavam, cheguem até a tribuna de honra para prestar uma homenagem ao Ministro da Guerra, Eurico de Gaspar Dutra. O Flamengo foi o primeiro a entrar em campo, tendo à frente o goleiro Iustrich. Pouco depois foi a vez do Fluminense, liderando a fila o argentino Renganeschi. As 16 horas e 15, começa o jogo. O Flamengo jogava com Iustrich. Nilton e Domingos. Biguá. Volante e Jayme. Sá. Zizinho. Pirilo. Reuben e Vevé. O Fluminense com Batatais. Machado e Renganesachi. Malazzo. Brant e Afonsinho. Pedro Amorim. Romeu. Ruço. Tim e Carreiro. O Flamengo domina e o estádio prece balançar de tanta vibração. Mas o Fluminense, aos poucos, vai se impondo.

Aos 20 minutos: Fluminense 1 a 0. Carreiro bate um escanteio. A bola vem alta, passa por Nilton e cai no pé de Pedro Amorim. O baiano emenda com força, Iustrich salta atrasado e a bola vai para o fundo das redes. Aos 25 minutos: Fluminense 2 a 0. Carreiro dribla Nilton e manda de primeira para a área. Iustrich saiu mal do gol e Ruço só tem o trabalho de chutar forte, pois a bola veio na medida. A Gávea está em silêncio. O Flamengo vai todo para o ataque, mas a impressão que se tem é que nada conseguiria neste primeiro tempo. A defesa adversária está firme. Batatais fecha o gol. Mas aos 35 minutos, Afonsinho comete uma falta na sua intermediária. Jaime resolveu lançar a bola sobre a área. Dá certo. Pirilo salta mais alto que Machado e consegue enfiar a bola no ângulo esquerdo. Batatais nada pode fazer desta vez. Aí mesmo é que  o Flamengo se inflama. Flávio Costa grita para que todos se lancem à frente; a torcida ajuda com sua empolgação. O gol não tirou a tranquilidade dos tricolores e o primeiro o primeiro tempo termina com os 2x1.

(Da revista Placar)

(Continua no sábado)


                               1941 – DECISÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO
                                              FLUMINENSE 2 x FLAMENGO 2


                                                                            Pirilo   
                                                         marcou os dois do Flamengo.
                                                           (Foto do Esporte Ilustrado)

(Conclusão)

Segundo tempo. Recomeça o sofrimento, principalmente da parte do Flamengo, obrigado a fazer missa dois gols. O Fluminense tendo que manter o placar. E o Flamengo pressiona. Pirilo desperdiça algumas oportunidades, Flávio Costa não para no banco. Carreiro, famoso pelas catimbas, resolve esfriar o adversário. Rasgou a própria camisa e disse ao Juca da Praia que foi Biguá. O juiz, conhecendo suas artimanhas, não acreditou. Careiro começa a reclamar do juiz. É advertido. Continua reclamando e é expulso. A torcida do Flamengo vibra. Com dez, os jogadores do Fluminense se fecham ainda mais na defesa. E o Flamengo pressionado, mas o resultado parece que não vai mudar.

Aos 40 minutos, porém, quando alguns torcedores já se sentem dispostos a abandonar suas esperanças, surge o empate. Reuben dá um chutão em direção ao bolo de jogadores que estão área do Fluminense. Pirilo toca na bola, desviando-a para fora do alcance e da visão de Batatais. Cinco minutos para o final. O Flamengo pode decidir esta partida. Está com um homem a mais que o adversário. Seu volume de jogo era maior. A torcida está novamente ultra-inflamada, o time disposto a tudo. Mas a própria geografia do estádio rubro negro marcará a tragédia daquele 21 de novembro de 1941 – tragédia para o Flamengo. Ondino Vieira, desesperado, gritava para que seu time faça cera. E não se sabe por ideia de quem, os jogadores tricolores encontraram a melhor maneira para esfriar o adversário e cumprir as ordens do seu técnico: bola na lagoa.

A Lagoa Rodrigo de Freitas estava bem próxima ao campo. A todo instante, os jogadores do Fluminense chutam a bola para suas águas. A bola é uma só. Sua volta é demorada, mesmo com os remadores do Flamengo a postos para a devolução. Juca da Praia desconta o tempo, mas os ânimos rubros negros estão esfriando. Cada vez que a bola cai na lagoa, o time se impacienta, sente que aquele plano tricolor não pode ser vencido. A torcida do Flamengo ameaça entrar em campo, mas é contida pela temível   Polícia Especial. Alguns torcedores tricolores, porém, sofrem agressões. A bola continua caindo na lagoa. Os jogadores do Fluminense sofrem.

Juca da Praia dá o jogo por encerrado. Fluminense campeão. O Flamengo sai em silêncio. Os jogadores estão cabisbaixos, enquanto o Fluminense apesar da alegria, não reúnem coragem para a volta olímpica. Àquela altura, a torcida rubro negra atirava tudo no gramado: garrafas, cadeiras, pedras, enfim, tudo que tinha às mãos, incluindo os foguetes guardados para a vitória.

(parte da reportagem de Albino Castro Filho para a revista Placar).



                      1951 - PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL EM ALAGOAS                  
                                       CSA 1 x Velez Sasfield (Argentina) 



                                            1951 - CSA que enfrentou o Velez da Argentina.
      Em pé: Paulo Mendes. Euclides. Bandeira. Carijó. Nivaldo Yang Tay. Zanélio. Zé Maria e                                                                               Oscarzinho.
Agachados: Bemvindo. Cacau. Cão. Milton Mongôlo. Claudinho. Biu Cabecinha. Dida e Edgar.
                                                            (Foto do Roberto Plech)

A temporada de 1951 já estava terminando. Clubes e jogadores alagoanos já estava pensando nas festas de fim de ano, quando surgiu a oportunidade de se realizar em Maceió, um jogo internacional. O primeiro jogo internacional da nossa história. A única dificuldade seria uma maior divulgação do evento, já que o jogo teria sido acertado poucos dias antes do Natal. E talvez por isso, o Mutange não recebeu um grande publico. Outro problema era juntar todos os jogadores para jogar porque não havia tempo para treinar. Era convocar, escalar o time e botar para jogar contra os argentinos do Velez Sasfield de uma temporada pelo Nordeste e estava invicto. Alguns jogadores do Velez jogavam na seleção argentina e isso cobria de responsabilidade os craques alagoanos.

E foi na tarde de 23 de dezembro de 1951, no campo do Mutange, que o jogo se realizou. Foi uma grande partida e que surpreendeu todo mundo, inclusive a imprensa internacional que não esconderam sua admiração pelo futebol praticado pelos alagoanos. A partida começou com o CSA jogando timidamente e sofrendo uma forte pressão do Velez. Mas, a nossa defesa, em tarde inspirada conseguiu conter a velocidade dos argentinos. O clube azulino contava com alguns reforços como foi o caso de Bandeira, Cacau. Milton Mongôlo e Claudinho. Com o passar dos minutos, os alagoanos foram melhorando e a velocidade de Dida. Milton, Géo e Oscarzinho desnortearam os argentinos. O goleiro Rugillo passou a fazer grandes defesas.

Aos 28 minutos do primeiro tempo o árbitro marcou um penalti contra o Velez. Milton Mongôlo cobrou com maestria. Rugillo caiu para um lado e a bola foi para o outro. No inicio da segunda etapa os jogadores alagoanos começaram a cansar. Estavam parados, não treinaram e sentiram o esforço dos primeiros 45 minutos. O time recuou, permitindo com isso que o Velez dominasse a partida. O goleiro Carijó começou a trabalhar com defesas sensacionais. Quando era maior o domínio do Velez, o CSA teve a grande oportunidade de ampliar a contagem através de Milton Mongôlo que chutou forte e cruzado e Rugillo salvou milagrosamente. E quando tudo parecia que o 1x0 iria permanecer até o final, eis que o zagueiro Cacau, numa jogada infeliz, encobriu Carijó para desespero da torcida alagoana. O goleiro saiu e o zagueiro atrasou sem olhar. Tipo do lance de falta de entrosamento. Carijó era do CSA e Cacau do CRB que estava acostumado a jogar com Bandeira. No final o empate acabou sem um resultado justo. O futebol alagoano não perdeu. O Velez continuou invicto, pelo menos até o jogo em que perdeu para o Vasco da Gama no Rio de Janeiro. Mas, como primeira experiência internacional, o futebol alagoano estava aprovado.

Data: 23 de dezembro de 1951
Local: Estádio do Murange
Jogo: CSA 1 x Velez Sasfield 1
Gols de Milton Mongôlo  (CSA) e Cacau contra (Velez)
CSA: Bandeira (Carijó). Paulo Mendes (Cacau). Oscarzinho. Zanélio e Euclides. Milton Mongôlo. Dida (benvindo). Claudinho. Biu Cabeinha e Edgar (Cão).
Velez: Rugilo (Adamo). Huss e Alegri (Curuchiel). Serugli (Rodrigues). Ruiz e Ovide. Napoli. Molegri. Costa. Garcia e Monzi. 


                       1980 - CAMPEONATO BRASILEIRO - TAÇA DE PRATA.
                                FERROVIÁRIA DE ARARAQUARA O x CSA 1.


                                           CSA que disputou o primeiro jogo em Maceió.
                          Em pé: Joca. Dick. Ronaldo Alves. Paulinho. Luizinho e Zé Luiz.
         Agachados: Cabral. Jorginho. Alberto Carioca. Dentinho.Peu. Gilmar e Castanha

Depois de vencer o primeiro jogo em Maceió, o CSA foi a Araraquara e voltou a vencer pelo mesmo marcador: 1x0. Era a semifinal da Taça de Prata de 1980. O CSA foi um time raça, garra, fibra, valentia, macho todo para honrar o nome do futebol nordestino do qual é agora o único representante que resta neste desfecho do certame nacional.

O jogo foi no Estádio Fonte Luminosa e o resultado de 1x0, deu ao time alagoano o direito de disputar o titulo de campeão da Taça de Prata contra o Londrina e, a sua inclusão, no próximo ano, na divisão de elite do futebol brasileiro.

Para ganhar da Ferroviária o CSA enfrentou muitas adversidades, desde da pressão desleal da torcida local até a visível parcialidade do juiz que, no segundo tempo, expulsou Joca e Alberto Lequelé do clube alagoano. Mesmo com uma ajuda extra, os paulistas não chegaram a meta de Zé Luiz.

No primeiro tempo, a Ferroviária, a rigor, atacou mais que o CSA, entretanto encontrou uma verdadeira barreira na defesa azulina. O CSA, cauteloso, somente ia à frente em contra ataques rápidos e perigosos. E foi assim que aos 39 minutos, Peu lançou para Gilmar que fechava para área e o craque azulino chutou por cobertura e marcou o gol único da partida.

No segundo tempo, a Ferroviária passou a pressionar na base do desespero e teve sua grande chance do empate quando Paulo Borges perdeu uma penalidade máxima. Mesmo com dois jogadores a menos, o CSA continuou como um gigante e soube garantir a vitória.

Detalhes.
7 de maio de 1980 – Ferroviária 0 x CSA 1.
Gol de Gilmar.
Estádio Fonte Luminosa em Araraquara.
Juiz: Wilson Carlos dos Santos.
Renda: CR$ 435.280,00.
Publico: 5.864 pagantes.
CSA: Zé Luiz. Joca. Paulinho. Dick e Luizinho. Ronaldo Alves. Alberto Carioca e Peu (Rogério). Jorginho. Dentinho (Alberto Lequelé) e Gilmar.
Araraquara: Tião. Carlos (João Carlos). Sabará. Sérgio Miranda e Zé Rubens.  Nandes. Zé Roberto (Bispo) e Douglas. Paulo Borges. Toninho e Lavinho.



                                       DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA - 1951
                                                      FLUMINENSE 2 x BANGU 0



                                                                    Telê Santana

O Bangú já vinha sendo a grande sensação do campeonato carioca de 1949. As contratações de jogadores veteranos como Rafaneli, Djalma, Rui, Zizinho e Nivio, deram ao clube de Moça Bonita, uma maneira de jogar que agradava a todos aqueles que viam o Bangú atuar.

No campeonato de 1951, o Fluminense foi a grande equipe da temporada. Começou em primeiro e em primeiro chegou. Entretanto, o Bangú chegou, em determinadas situações, a dividir a liderança com o Fluminense. Quando chegou a última rodada, os dois estavam em igualdade de condições. Foi necessário, então, uma série de melhor de três para se conhecer o campeão. O Fluminense ganhou os dois jogos e ficou com o titulo.

O primeiro jogo foi tumultuado e violento. O atacante Didi, do Fluminense, quebrou a perna do zagueiro Mendonça do Bangú. Os tricolores venceram por 1x0, em uma partida feia e sem muitos atrativos. O segundo encontro foi disputado em um clima disciplinar bem melhor que a partida anterior. O Bangú começou dominando o jogo e mantendo o Fluminense em seu próprio campo. Os tricolores se defendiam muito bem e os banguenses chutavam muito mal. Pouco a pouco o Fluminense equilibrou as ações e conseguiu seu primeiro gol. Uma falta próxima a área, um lançamento e uma cabeçada de Telê Santana para as redes do goleiro Osvaldo. Telê jogou todo o campeonato como ponta direita. Na decisão entrou como centro avante no lugar de Carlayle. O treinador Zézé Moreira acreditou em Telê que se tornou o herói da decisão.

No segundo tempo, o Fluminense procurou explorar as falhas da defesa do Bangú que sentia a falta do seu zagueiro Mendonça. Djalma, que jogava na ponta direita, foi deslocado para substituir o companheiro que havia quebrado a perna. Apesar de tudo, muitas oportunidades foram perdidas pelas duas equipes. Era um jogo igual. Mas, a sorte estava do lado do clube das Laranjeiras que, na realidade, tinha feito a melhor campanha da temporada. Uma bela jogada de Robson, o aspirante que entrou no lugar do titular Joel, encontrou Telê Santana bem colocado, e o Fio de Esperança decidiu a partida marcando seu segundo gol. Estava selada a sorte do campeonato. O Fluminense era o novo campeão carioca. Era também, a vitória da marcação por zona de Zézé Moreira sobre a diagonal de Ondino Vieira.  Vitoria da juventude do Fluminense sobre os veteranos do Bangú.

Jogo foi realizado no dia 20 de janeiro de 1952 no maracanã.
O juiz foi Mário Vianna.
O Fluminense foi campeão jogando com Castilho. Píndaro e Pinheiro. Vitor. Edson e Lafaiete. Lino. Didi. Telê Santana. Orlando e Robson.

O Bangú foi vicecampeão atuando com Osvaldo. Djalma e Salvador. Irani. Rui e Alaine. Moacir Bueno. Zizinho. Joel. Décio Esteves e Nívio.


                              CAMPEONATO BRASILEIRO DE SELEÇÕES - 1954.
                                                      ALAGOAS 4 x PARAÍBA 3 
        
  
                                                             Seleção Alagoana.
     Almir. Orizon. Dirson. Piolho. Zanélio. Mourão. Helio Miranda. Dida. Bequinho. Tonheiro e                                                                                Géo.
                                                     (Foto do Robrerto Plech).
O torcedor gosta de emoções. Gosta de vibrar com os gols do seu clube preferido. Muitos já foram os jogos realizados que trouxeram emoções e gols para a torcida alagoana. Um desses jogos aconteceu pelo campeonato brasileiro de seleções de 1954, no campo do Mutange, em Alagoas. Nesta partida aconteceu de tudo um pouco. Teve drama, tristeza, ansiedade, emoção e muitos gols. O torcedor saiu feliz, principalmente por Alagoas ganhar, virando o marcador de 1x3 para um sensacional 4x3.

Durante a semana que antecedeu ao jogo, o plantel da seleção foi sacudido por um caso disciplinar. O zagueiro Dirson não aprovada a escalação do goleiro Almir. Ele afirmava abertamente que Alagoas precisava vencer e Almir não tinha a experiência necessária para enfrentar os paraibanos. O goleiro ideal seria o veterano Epaminondas. O plantel se dividiu. O treinador Aurélio Munt manteve a escalação de Almir e do zagueiro Dirson que era titular da posição. Talvez devido aos fatores extracampo, nossa seleção fez um péssimo primeiro tempo com a defesa alagoana atrapalhada, principalmente o pivô dos acontecimentos, Dirson. Apesar disso, os primeiros quarenta e cinco minutos terminou com 1x1. Bequinho fez o gol dos alagoanos e Ruivo para os paraibanos.

No intervalo, a torcida tentou agredir o zagueiro Dirson que era apontado como culpado pela má atuação da equipe. Foi necessário a intervenção da policia para proteger o zagueiro. Nervosos, os jogadores voltaram para o segundo tempo com Bequinho fazendo numero na ponta esquerda. Ele estava contundido e, na época, não havia substituição. Para piorar a situação, a seleção paraibana fez mais dois gols através de Alfredinho e Zezinho.


A partir dos 3x1, aconteceram coisas que somente a raça, a fibra e a capacidade de reação dos nossos jogadores poderiam proporcionar. Quando Tonheiro marcou o segundo gol, a torcida se modificou e passou a ajudar a seleção. Os gritos de incentivo mexeram com os brios de nossos atletas que começaram a correr em um ritmo alucinante. Dida aparecia como a grande figura da partida e comandou a reação do time. Dida fez os gols que definiram a vitória alagoana por 4x3. O gol da vitória foi no embalo da torcida e de maneira sensacional. Depois de driblar vários paraibanos, ficou sem angulo, mesmo assim, chutou para vencer o goleiro Harry Carrey e fazer a torcida explodir de contentamento. Quando o juiz Waldomiro Brêda apitou o final da partida, o campo foi invadido pelos torcedores que fizeram um verdadeiro carnaval para comemorar um jogo que estava perdido e se transformou numa das mais maravilhosas viradas do futebol alagoano. A torcida esqueceu os problemas acontecidos durante a semana, e até o zagueiro Dirson participou da festa.


Dida, o grande nome do jogo, era o mais festejado. Até o governador Arnon de Melo esteve no vestiário para abraçar os jogadores, principalmente o artilheiro Dida. Logo depois, Dida viajaria para o Rio de Janeiro contratado pelo Flamengo, clube que defendeu por mais de dez anos.


                                          CAMPEONATO CARIOCA - 1948
                                             BOTAFOGO 5 x FLAMENGO 3 


                                             Os atacantes do Botafogo contra o Flamengo
                                       Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e  Braguinha.
                                                         (Foto do Esporte Ilustrado)

Somente quem esteve em General Severiano pode dizer o que realmente aconteceu naquele dia de novembro de 1948. Somente eles poderão dar um testemunho sincero do espetáculo em sua grandiosidade dramática. Botafogo e Flamengo jogavam pelo campeonato carioca.

O Flamengo de Luiz Borracha. Newton e Norival. Biguá. Bria e Jaime. Luizinho. Zizinho. Gringo. Jair da Rosa Pinto e Durval. O Botafogo de Osvaldo. Gerson e Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e Braguinha. O arbitro foi o inglês Mr. Devis. Nos primeiros quarenta e cinco minutos, os rubros negros foram melhores. O Botafogo parecia apático, frio, sem vontade. Uma jogada de Zizinho para Jair e Jair para Zizinho, um drible prá lá outro prá cá, um passe para Gringo que deixou Durval livre na frente da meta de Osvaldo. Era o primeiro gol do Flamengo. Nova saída e outra jogada da dupla Jair e Zizinho e o segundo gol do Flamengo através de Gringo. A torcida rubro negra começou a balançar lenços brancos. Certo locutor da época dizia ao microfone de sua emissora: “Esse é o Flamengo do tri campeonato”. O clube da Gávea continuava jogando bem e sua torcida antecipava uma vitória sensacional.

De repente, tudo mudou. O Botafogo surgiu do nada e saiu em busca de uma reação. O Flamengo que não esperava aquela reação estremeceu. Recuou aguardando o adversário na defensiva. O placar do primeiro tempo terminou com 2x0 para o Flamengo. Logo no inicio da segunda etapa, Paraguaio recebeu uma bola em profundidade, driblou o goleiro Luiz Borracha e marcou o primeiro gol do Botafogo. Um gol no peito e na raça e que deu mais forças ao clube alvi negro. Sua torcida começou a acreditar no time. Mas, veio um lance que poderia ter enterrado a reação do Botafogo. O goleiro Osvaldo chutou a bola para frente que caiu nos pés de Gringo quase no meio do campo. O atacante do Flamengo devolveu com um chutão enquanto o goleiro voltava para sua meta e estava de costa para o campo. A torcida do Botafogo e seus companheiros  começaram a gritar advertindo o goleiro. No desespero, Osvaldo correu, saltou, se abraçou com a bola e caiu dentro de sua meta. 3x1 para o Flamengo. Mas o Botafogo era bom, estava em ótima forma e não foi atoa que terminou campeão carioca naquele ano de 1948.

Mesmo assim, com 3x1 no marcador, ninguém duvidava da vitória do Flamengo. O Botafogo voltou a engrenar depois da anulação de um gol de Gringo quando bandeirinha assinalou impedimento confirmado pelo juiz. E veio o gol de Otávio: Flamengo 3x2. Logo depois, o gol de Braguinha: 3x3. Pirilo fez Botafogo 4x3 e Paraguaio sacramentou o placar fazendo Botafogo 5x3.  Pelas circunstâncias que foi obtida era uma vitória inesperada e dramática. Porém, justa, honrosa e com formas de heroísmo.

Foi uma vitória que se encontra em lugar de destaque na história do Botafogo. 


                                         CAMPEONATO NACIONAL - TAÇA DE PRATA - 1982
                                                        CSA 4 x CAMPO GRANDE 3


                                                        CSA na Taça de Prata - 1982
                           Em pé: Joceli. Ademir. Jerônimo. Fernando. Zezinho e Flávio.
                                      Agachados: Américo. Jorginho. Freitas. Romel e Mug.

A decisão da Taça de Prata de 1982 foi entre CSA e Campo Grande do Rio de Janeiro. A primeira partida foi no Estádio Rei Pelé no dia 11 de abril. Foi uma das mais sensacionais partidas já realizadas em Maceió. Foi o jogo da virada. A grande vitória de Romel.


Um jogo cheio de grandes lances e a movimentação do marcador mexeu com os nervos da torcida azulina. O CSA começou bem, atacando com velocidade e explorando o lado direito do Campo Grande. Foi assim que o clube azulina chegou ao primeiro gol. Romel lançou Américo em profundidade que foi derrubado na entrada da área. O mesmo Romel cobrou de forma sensacional e abriu a contagem. A partir dos trinta minutos, o Campo Grande passou a dominar a partida e o CSA ficou sem saber o que fazer. O zagueiro Jerônimo começou a fazer bobagens. Fez um gol contra aos trinta e oito minutos. Perdeu a bola na entrada da área e permitiu que o Campo Grande marcasse seu segundo gol, e logo depois os cariocas ampliaram para três a um. Este foi o marcador do primeiro tempo. Os azulinos estavam abatidos, dominados e sem nenhuma chance de reagir.


Uma conversa no intervalo, entre o técnico Tadeu e jogadores, permitiu que todos sentissem vergonha do papelão que estavam fazendo. As dificuldades eram grandes. Mesmo assim, o CSA voltou animado com o inicio do segundo tempo. Com técnica, raça e uma atuação excepcional de Romel, as coisas começaram a clarear. Zé Carlos entrou no lugar de Freitas e Dentinho substituiu Américo. Duas substituições que mudaram o panorama da partida.


A reação começou aos vinte três minutos. Dentinho sofreu uma falta perto da área. Romel cobrou com categoria: 3x2. Os azulinos jogavam bem, dominavam e os cariocas procuravam manter o resultado. Mais cinco minutos e novamente Dentinho foi derrubado dentro da área. E na área é penalti. O grande nome do jogo, Romel, perdeu a penalidade máxima. Chutou como não sabia chutar e o goleiro Ronaldo defendeu. O jogo seguiu com o CSA procurando o empate. E ele veio numa bola lançada por Zezinho para a área adversária. Romel dominou e com um leve toque deslocou o goleiro carioca. O Campo Grande achava que o empate ainda era bom. O CSA queria mais. O tempo passava. As oportunidades surgiam e o gol da vitória não chegava. Jorginho se contundiu e teve que sair de campo. O treinador Tadeu José da Costa Lima já tinha feita as duas substituições e o CSA ficou com menos um. Aos trinta e sete minutos uma falta em Dentinho, na entrada da área, criou um pequeno tumulto que culminou com a expulsão do zagueiro Jeronimo. O CSA passava a jogar com nove jogadores. Na cobrança, Ademir tocou para Romel que chutou na barreira. A bola subiu e quando desceu bateu no travessão e voltou para onde estava Zé Carlos, que de cabeça, mandou para as redes do Campo Grande. Estava sacramentada a vitória do CSA. A torcida começou a fazer o carnaval. Poucos acreditavam no que via. A virada de 1x3 para 4x3 estava estampada no Rei Pelé. Logo depois do gol, Dentinho fez falta violenta e foi expulso. Com oito jogadores foi um sufoco para garantir o marcador. No final a festa foi total. Um carnaval em pleno mês de abril. Pelo menos, naquela tarde, os azulinos se sentiram campeões da Taça de Prata.


                                      DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA - 1948
                                                       BOTAFOGO 3 x VASCO 1 


                                                           Carioca campeão de 1948.
                        Em pé: Gerson. Osvaldo. Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal.
                           Agachados: Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e Braguinha.
                                                          (Foto do Esporte Ilustrado)

Mais de meio século depois, esta decisão ainda está na lembrança de muita gente. Certamente a história guardará todos os acontecimentos que marcaram aquele jogo, começando pela superstição materializada em um cachorro chamado Biriba, mascote de grandes vitórias do Botafogo. Hoje faz parte dos saudosistas. Os vascainos não se conformam com a derrota e acusam torcedores e dirigentes botafoguenses de toda sorte de tramas para ganhar o jogo. Desde do pó de mico até as drogas. O Barbosa se coçou o tempo todo. Ademir se sentia mal, preso, sem energia.



No dia 12 de dezembro de 1948, mas de cinqüenta mil torcedores se comprimiam no desconfortável estádio de General Severiano. Botafogo e Vasco iriam decidir o campeonato carioca daquele ano. A torcida suportava o calor sem reclamar e aguardava a entrada dos times que demoravam a surgir pelo túnel que ficava em frente às sociais. O Vasco estava escalado com Barbosa. Augusto e Wilson. Eli. Danilo e Jorge. Friaça. Ademir. Dimas. Ipojucan e Chico. O treinador Zézé Moreira do Botafogo mandou a campo Osvaldo. Gerson e Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e Braguinha.



No final do jogo, a vibração e a surpresa do resultado. O Botafogo dominou o super time do Vasco, impondo-lhe o inesperado placar de 3x1. O publico deixou o estádio sem entender direito o que aconteceu. No dia seguinte, através dos jornais e emissoras de rádio, todos ficaram sabendo que muita coisa estranha havia ocorrido antes do jogo. Fatos que levaram os vascainos a contestarem a vitória do Botafogo. Jogadores vascainos reclamaram que foram vitimas de uma chuva de pó de mico, o seu vestiário fora recém pintado de cal forte, aquele de arder os olhos e prender a respiração, e o pior, Ademir garantia que alguém colocou droga nas garrafas térmicas do vasco, terrível doping de ação inversa, que fez a equipe ficar sem poder correr como devia. Apenas Eli se destacava e pedia mais empenho aos companheiros. Logo ale que se negara a tomar água nas garrafinhas, tendo se limitado a chupar uma laranja antes do jogo.



 O Vasco era um super time, e havia conquistado o campeonato sul-americano de clubes em Santiago do Chile. O Botafogo era um time impulsionado pelas superstições de uma mística criada pelo presidente Carlito Rocha e materializada na figura simpática de um cachorrinho chamado Biriba.  No primeiro turno, a diretoria do Vasco baixou uma ordem proibindo a entrada de animais em São Januário, alusão direta a Biriba, mascote do Botafogo. O presidente Carlito Rocha se queimou com a história. Colocou o Biriba debaixo do braço e entrou com ele pelo portão principal do campo do Vasco afirmando que queria ver quem ia tirar o cachorro de seus braços. O clima, portanto, já era de guerra na primeira fase do campeonato. Pior aconteceu na decisão em General Severiano.



Os ricos torcedores portugueses do Vasco compraram cadeiras com números sucessivos para formar um bloco grande e unido em torno do seu clube. Os homens do Botafogo resolveram espalhá-los pelo estádio, estragando os planos vascainos. Da noite que antecedeu ao jogo, até  a madrugada do Domingo, o pessoal do Botafogo remanejou as cadeiras, de modo que um torcedor do Vasco não ficasse ao lado do outro. O túnel destinado ao Vasco estava com água cortada, sanitário entupido e o cal na parede. O time vascaino já chegou com roupa trocada, mas teve que passar por um túnel encoberto com uma tela. Os jogadores afirmaram que na tela havia pó de mico. Alguns afirmam que no vestiário do clube vascaino havia um móvel que encobria um buraco por onde pessoas do Botafogo entraram para contaminar as garrafinhas de água. A delegação do Vasco não ficou muito tempo no vestiário, mas deixou seus pertencem e um funcionário na porta. Essa a versão dos vascainos.


Quem viu o jogo atesta que foi um banho de bola. Os jogadores do Botafogo pareciam movidos por um doping positivo, enquanto que o Vasco aparentava um estado semiletárgico. O juiz Mário Viana afirmou que não viu nada de anormal. Para ele, tudo se deve a garra com que o time do Botafogo se portou, surpreendendo o adversário, que não esperava toques de bola tão rápidos.  Essas são as várias versões. Verdadeiras ou não, a conclusão é que o Vasco ficou com o jogo atravessado na garganta.



O Botafogo venceu por 3x1. Paraguaio marcou o primeiro gol logo aos dois minutos de jogo. Pouco antes de encerrar o primeiro tempo, Braguinha aumentou para dois. Otávio marcou o terceiro e minutos depois Ávila fez contra o gol solitário do Vasco. Naquelas alturas a torcida vascaina parecia sentir a incapacidade de reação do seu time. Calaram-se, angustiados, contrastando com a festa da pequena torcida do Botafogo.


                                   CAMPEONATO  BRASILEIRO DE SELEÇÕES - 1952                     
                                  ALAGOAS 3 x SERGIPE 1 – JOGO DOS 163 minutos)


                                                          1952 - Seleção Alagoana.
                 Em pé: Zequito Porto (técnico). Paulo Mendes. Cacau. Bandeira. Dengoso. 
                                            Castanha. Cabelão e Dr. Alfrtedo (médico).
                              Agachados: Milton Mongôlo. Cão. Dida. Laxinha e Claudinho.
                                                        (Foto do Roberto Plech)

É importante recordar os jogos inesquecíveis, porque é sempre bom manter o fogo deste futebol fabuloso, quer causa briga, desgosta, divide, mas também une e faz amigos.

Nunca uma torcida sofreu tanto como aquela que compareceu ao estádio do mutange no dia 23 de março de 1952. Os sergipanos haviam vencido o primeiro jogo em Aracajú. Precisavam apenas de um empate para se classificar. Alagoas tinha que lutar por duas vitórias. Uma no tempo regulamentar e outra na prorrogação. Impulsionado pela grande e entusiástica torcida os alagoanos pressionavam a meta sergipana. Entretanto, num rápido contra-ataque os visitantes abriram a contagem. Bequinho aproveitou um cochilo da defesa alagoana e abriu a contagem aos treze minutos do primeiro tempo. Atordoados, os alagoanos permitiram que o jogo ficasse equilibrado. Mas, numa jogada sensacional de Cão pela direita, veio um cruzamento e uma cabeçada de Laxinha para empatar a partida. Com 1x1 terminou o primeiro tempo.


 No segundo tempo, logo aos quinze minutos, Claudinho aplicou uma maravilhosa bicicleta. A bola bateu na trave e, no rebote, Dida aproveitou para marcou o segundo dos alagoanos. A torcida vibrou nas arquibancadas e os jogadores dentro do campo. Sentindo que poderiam ganhar o jogo, e que seria necessária uma prorrogação, os alagoanos começaram a se poupar. Com isso, os sergipanos partiram para o ataque e transformaram o goleiro Bandeira na principal figura do jogo. Ele demonstrou toda sua habilidade, arrojo, boa colocação e muita experiência. O tempo regulamentar terminou com Alagoas vencendo por 2x1.

A primeira prorrogação de trinta minutos terminou em zero a zero. A segunda prorrogação, também de trinta minutos, outro zero a zero. A terceira prorrogação seria de quinze minutos, ou quem fizesse o gol, seria o classificado. E foi o que aconteceu. Aos treze minutos, uma escapada do ponteiro Cão pela direita, repetiu o lance do primeiro gol alagoano. Cão fez o cruzamento e Laxinha mergulhou para fazer o gol de ouro. Foi a bola bater nas redes de Zé de Gemi e o arbitro Luiz Zago terminar a partida. A torcida invadiu o campo para abraçar seus jogadores que estavam extenuados. Correram 163 minutos e quase não tinham forças para  comemorar. Foi um carnaval festejado pela torcida. Depois de uma partida cheia de emoções, sofrida em todo seu transcorrer, não poderia ser diferente o desabafo dos torcedores. Cabe aqui, também, aplausos aos sergipanos que souberam perder sem usar a violência. Além do goleiro Bandeira, se destacaram na equipe alagoana Dida e Claudinho.


Detalhes do jogo.
Dia 23 de março de 1952
Estádio do mutange
Tempo regulamentar: Alagoas 2 x Sergipe 1
Gols de Bequinho (Sergipe). Laxinha e Dida (Alagoas)
Primeira prorrogação: 0x0
Segunda prorrogação: 0x0
Terceira prorrogação: Alagoas 1x0 – gol de Laxinha
Juiz: Luiz Zago (pernanbucano)
Alagoas: Bandeira. Cacau e Paulo Mendes. Castanha. Dengoso e Cabelão. Cão. Dida. Laxinha. Claudinho e Milton Mongôlo.
Sergipe: Zé de Gemi. Everaldo e ABC. Jaime. Quixabeira e Augusto. Nenem. Dunga. Bequinho. Walter e Essinho.


                                  DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA DE 1955
                                                                                     FLAMENGO 4 x AMÉRICA 1 
                                                                                              



                                                1955 - Flamengo tri campeão carioca.
                            Em pé: Chamorro. Servilho. Pavão. Tomires. Dequinha e Jordan.
                                        Agachados: Joel. Duca. Evaristo. Dida e Zagalo.
                                                    (Foto da Manchete Esportiva)

Para o Flamengo a vitória valia um tri campeonato. Para o América um titulo que não conquistava desde de 1935. Neste ano, o Rio de Janeiro tinha duas Ligas. O Botafogo foi campeão pela Associação Metropolitana de Futebol e o América pela Liga Carioca de Futebol. Flamengo e América terminaram o campeonato iguais e a decisão foi através de uma melhor de três partidas. No primeiro jogo, o Flamengo venceu por 1x0 com um gol de Evaristo no ultimo minuto da partida. O segundo encontro foi ganho pelo América, e de goleada: 5x1. Parecia o adeus do tri. Os americanos acharam que o titulo ficou bem mais perto.

A partir desta goleada, o treinador Fleitas Solich começou a arquitetar um novo esquema para conquistar o tão sonhado tri campeonato. Um titulo que tinha sido prometido pelos jogadores ao seu presidente Gilberto Cardoso. Ele morreu antes do termino do campeonato, depois de assistir a uma vitória do basquetebol do Flamengo na última cesta da partida. A defesa tinha tomado cinco gols e precisava de um homem mais duro, mais decidido e mais alto para não deixar Leonidas da Selva fazer gols de cabeça. Servilho que estava na reserva foi o escolhido. No ataque, ele queria mais movimentação. Para isso colocou o alagoano Dida que terminou sendo o herói do jogo assinalando os quatro gols da vitória de 4x1. Fleitas Solich escalou Chamorro. Tomires e Pavão. Servilho. Dequinha e Jordan. Joel. Evaristo. Duca. Dida e Zagalo. O América manteve o time com Pompéia. Rubens e Edson. Ivan. Osvaldinho e Helio. Canário. Romeiro. Leonidas da Selva. Alarcon e Ferreira. Romeiro fez o gol único dos rubros. O juiz foi Mário Vianna e o jogo realizado no dia 04 de março de 1956.

Durante a realização da partida tudo deu certo para o Flamengo. Ainda no primeiro tempo, uma entrada mais dura de Tomires em Alarcon, o atacante americano deixou o campo e o clube de Campos Sales ficou com dez jogadores. Dida estava endiabrado e jogou uma de suas melhores partidas com a camisa do Flamengo. Os quatro gols que marcou deixou a torcida do Mengão eufórica e fazendo um carnaval fora de época. Naquela noite, o Rio de Janeiro se vestiu de vermelho e preto. Depois da partida, jogadores do Flamengo foram ao Cemitério São João Batista e fizeram sua última homenagem ao presidente Gilberto Cardoso.


                                        DECISÃO DA PRIMEIRA TAÇA BRASIL DE 1959
                                                             BAHIA 3 X SANTOS 1

                                           1957 - Bahia campeão da Primeira Taça Brasil.
                                   Em pé: Nadinho. Leone. Henrique. Flávio. Vicente e Beto.
                                        Agachados: Marito. Alencar. Léo. Mário e Biriba. 

Contra a falsa malandragem de Atiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

A primeira Taça Brasil começou para o Bahia em agosto de 1959, quando os baianos venceram o CSA de Maceió por 5x0. No Nordeste a coisa foi fácil. O tricolor despachou CSA, Ceará e Sport de Recife. Duro mesmo foi vencer o Vasco da Gama. O Bahia ganhou o primeiro jogo, no maracanã por 1x0. Em Salvador, o Vasco venceu por 2x1. A terceira partida, foi também realizada em Salvador. Vitória do Bahia por 1x0. Agora, somente restava o famoso Santos de Pelé na decisão da primeira Taça Brasil.

O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partidas programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo. O Santos marcou logo 2x0. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3x2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. O Bahia jogava bem, e os baianos acreditavam que a festa poderia ser mesmo na Boa Terra. Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2x0. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu. A segunda partida deveria ter jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, entrou na jogada. Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.

Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lálá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz. O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper a defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu um tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra à pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove. Empatou duas e perdeu três.


DECISÃO DO CAMPEONATO PAULISTA DE 1957.
SÃO PAULO 3 x CORINTHIANS 1


(Foto da Revista Placar)

O Corinthians era o favorito, um timaço que fora campeão em 1954 e tinha tudo para ficar com o título de l957. O São Paulo, que se classificou para a fase final na última vaga, baseava-se agora em dois estrangeiros: o técnico húngaro Bela Gutman e o craque carioca Zizinho. Com catimba e classe, o São Paulo venceu o jogo, levantou o título e arrasou o Corinthians, que viu acabar naquele jogo sua geração de craques e iniciar-se a grande fase negra. O Corinthians era um time maduro, com a mesma estrutura desde 1950, acostumados a decidir e ganhar muitos títulos.

Em oito anos, praticamente com a mesma equipe, ganhamos mais de vinte títulos. Era um time com grandes valores individuais – Gilmar, Cláudio, Rafael. Olavo, Luizinho – com uma estrutura bem definida e uma garra que virou tradição. O Corinthians era favorito contra qualquer time, em qualquer decisão (Luizinho).

O São Paulo não era exatamente um fantasma do campeonato, mas era quase. A grande surpresa, sem dúvida. O campeonato de 1957 foi disputado em duas fases. Dos vinte clubes que disputaram a etapa inicial, apenas dez se classificaram para a segunda. O São Paulo entrou na última vaga para disputar a fase final. Mas com sua difícil classificação veio a transformação.

Para reestruturar este time o São Paulo já tinha um mestre experimentado e com um profundo conhecimento de futebol, o técnico húngaro Bela Gutman. Em campo já existia até mesmo um grande líder, o zagueiro Mauro. Mas faltava ainda um mestre em campo que orientasse os jogadores, que desse ritmo de jogo, que soubesse dosar suas energias. De preferência um veterano, com experiência e malícia. Esta pessoa estava no Rio. O São Paulo foi lá e trouxe Zizinho, emprestado pelo Bangu, é verdade, mas que daria nova vida ao time. Só depois do campeonato o São Paulo adquiriu seu passe em definitivo.


Zizinho estreou no São Paulo perdendo. E perdeu feio para a Portuguesa. Mas o São Paulo não se abateu, e Zizinho começou a provar que era o homem que faltava ao tricolor. Depois desta derrota na primeira rodada do campeonato, o São Paulo passou a perseguir e conquistar as vitórias necessárias para leva-lo à decisão com o Corinthians. Pior para o Corinthians. Depois de uma série de 35 partidas invicto, faltando apenas uma semana para enfrentar o São Paulo, o Corinthians foi derrotado pelo Santos por 1x0. Perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o São Paulo e perdeu muito de sua segurança e time imbatível.

(Continua)

DECISÃO DO CAMPEONATO PAULISTA DE 1957.
SÃO PAULO 3 x CORINTHIANS 1


Zizinho. A  grande figura do time do São Paulo.


(Conclusão)

Às 6 horas da manhã daquele dia 29 de dezembro já tinha gente chegando ao Pacaembu. Marmita debaixo do braço, bandeira em punho, e a grande dúvida atormentava o pensamento e o coração: São Paulo ou Corinthians. Às 3 horas o Pacaembu estremeceu com o grito das torcidas. O Corinthians só tem um problema: Benedito entra no lugar de Roberto. Em compensação sai Paulo e entre Luizinho. Osvaldo Brandão está tranquilo com Gilmar. Olavo e Oreco. Idário. Valmir e Benedito. Cláudio. Luizinho. Índio. Rafael e Zague. O problema que preocupou o São Paulo toda semana está resolvido: Amauri, suspenso pelo TJD, ganhou um recurso no CND e vai jogar. Mas à última hora surgiu um novo problema que deixa Bela Gutman intranquilo. Dino Sani está machucado. Ademar, seu reserva natural, estava escalado até a véspera quando foi acometido de uma disenteria incontrolável. Sem poder contar com Ademar, Sabará foi escalado. O São Paulo entra em campo com Poy. De Sordi e Mauro. Sabará. Vitor e Riberto. Maurinho. Amauri. Gino. Zizinho e Canhoteiro. 

Todos os detalhes foram estudados para evitar reclamações e garantir a imparcialidade da arbitragem. A solução é trazer gente de fora sem ligações em São Paulo. São contratados o juiz carioca, Alberto da Gama Malcher e os ingleses Lynch e Cross. Poucos minutos antes do início do jogo, já no gramado, é decidido por sorteio que Malcher seria o juiz principal e os ingleses seus auxiliares.

O jogo começa como Corinthians mandando em campo. O primeiro tempo termina com os dois times jogando bem abertos, tentando o gol com insistência. E o São Paulo aos poucos impondo sua técnica a garra corintiana. No segundo tempo começa o drama corintiano. Aos 17 minutos, Zizinho cobra uma falta para Gino, que de cabeça lança Amauri. Amauri avança livre e, na saída de Gilmar, toca a bola por cobertura. São Paulo por 1x0. No entusiasmo deste gol o São Paulo marca o segundo, sem nem dar tempo para o Corinthians recompor. Sabará recupera bola no meio campo e passa para Zizinho. Zizinho a Amauri que ameaça invadir a área atraindo a zaga corintiana. O passe sai na medida para Canhoteiro, livre, chutar e marcar. São Paulo 2x0. O Corinthians, porém, não estava disposto a cooperar. 22 minutos. Gilmar assiste o jogo sozinho em seu campo. Os outros 21 jogadores estão jogando no campo do adversário. Rafael, dentro da área, de costas para o gol, puxa a bola, que toma efeito e engana o goleiro Poy. 2x1.



Aquele era o tempo do Corinthians da garra, da raça. E foi todo para o ataque. Benedito acertou duas bolas na trave de Poy. O São Paulo se defendia de qualquer maneira. É chutão para todo lado. E não tem jeito. A bola volta rápido, não sai da área do São Paulo. Num desses chutões, Maurinho recuado, Olavo avançado, os dois plantados na altura do meio campo. A bola cai nas costas de ambos, Maurinho ganha de Olavo na corrida e entra livre. 34 minutos do segundo tempo. São Paulo 3x1. O gol de Maurinho foi o tiro de misericórdia nas esperanças corintiana. Em campo já não há mais nada nem ninguém que pudesse evitar o desastre. Mas é só terminar o jogo para o tempo fechar. Em vez confete e serpentinas tricolores, cai no gramado uma verdadeira chuva de garrafas, pedras e objetos não identificados, mas certamente corintianos. É uma briga só, envolvendo todo mundo de torcida que estava no estádio.

No meio de tanto barulho o São Paulo nem pensa envolta olímpica. Comemorações, só no vestiário. Os jogadores mais festejados: Zizinho, o herói do campeonato, e Sabará, o segundo reserva de Dino Sani e a grande figura do jogo.