sábado, 8 de setembro de 2018

OS CRAQUE E SUAS HISTÓRIAS

                                    O TEMPO PRESENTE É O MOMENTO DE
                              REVER O PASSADO E CONSTRUIR O PRESENTE.



                                          OS CRAQUES E SUAS HISTÓRIAS.


DANILO ALVIM
   

Na seleção tive meus momentos de glórias. Lembro, por exemplo, que em 1949, tivemos uma conquista que me gratificou particularmente, que foi a do Campeonato Sul Americano, realizado no Rio de Janeiro. Esse campeonato serviu também para preparar o time que disputaria a Copa do Mundo, realizado um ano depois. Não resta dúvida que, em termos de seleção, uma das maiores emoções que vivi foi o campeonato de 50, quando iriamos disputar, com o Uruguai, o título máximo, com a com a vantagem de um empate para os brasileiros. Até o momento do segundo gol uruguaio, aquele dia era para mim, e meus companheiros, uma mistura de orgulho, emoção, deslumbramento. Eram várias sensações ao mesmo tempo. Após o segundo gol do Uruguai, senti como se o mundo tivesse desabado. Parecia que eu tinha perdido um parente muito chegado, tal a tristeza que me dominou. Aliás, com time todo. Aquela era uma partida em que já estávamos vitoriosos por antecipação, por termos o melhor time, a melhor campanha e grandes jogadores. Portanto, naquele dia, o povo tinha ido ao Maracanã para assistir a vitória do Brasil, e não à disputa de uma disputa de futebol. Na verdade, ninguém estava preparado para a derrota, nem o público, e muito menos nós, jogadores. Então em poucas horas, passamos do êxtase ao pesar profundo.


       

 JULINHO

Julinho recebeu a maior vaia de uma torcida. Aconteceu no maracanã antes de um jogo amistoso entre o Brasil e a Inglaterra. Julinho nunca esqueceu.

“Eu e o Garrincha disputávamos a posição. Ele era ídolo, campeão do mundo em 1948, endiabrado. Mas estava muito gordo, fora de forma. Na concentração das Paineiras, onde ficamos 10 dias, o técnico Vicente Feola me disse que eu ia jogar. Responde que haveria muita vaia. Os fãs de Garrincha apareciam na concentração exibindo faixas que exigiam sua presença no time”.

“No Maracanã, do vestiário nós ouvíamos a torcida nas arquibancadas. E até o locutor do estádio provocou. Foi anunciando a escalação: Gilmar. Djalma Santos. Belini. Orlando e Nilton Santos. Dino Sani e Didi. Julinho...aí parou, deu uma pausa, para dar ênfase as vaias. E elas foram de ensurdecer. Eu disse a Djalma Santos, esta torcida vai engolir, vai engolir”.

“Mas eu tinha fé. Muita fé. E ela me ajudou. Começou o jogo, em 10 minutos eu já tinha virado o panorama. Dei um passe para Pelé entre as peras do lateral, o Pelé me devolveu entre as pernas dele de novo. O lateral fechou as pernas e caiu, eu saí com a bola. E aos 13 minutos fiz o primeiro gol, entrando na corrida para encher o pé num cruzamento de Canhoteiro. Aos 25 minutos veio o segundo gol. Outra jogada minha. Driblei o goleiro e chutei em diagonal, o Henrique completou de carrinho para fazer o gol. Aí a torcida já estava comigo. Toda vez que eu pegava na bola, eram aplausos. Nunca ou esquecer aqueles momentos. Pode não ter sido minha melhor atuação na seleção. Mas, em termos de repercussão, aquele jogo contra a Inglaterra foi o mais importante”.

                        



ADEMIR MENEZES

Ele era um pesadelo para a torcida do Flamengo, uma garantia para a Seleção Brasileira, um atacante que muitos consideraram acima de qualquer marcação.

Ademir comentou sobre seu tempo de jogador de futebol nos anos 50.
“Em 1950, depois de uma paralização de doze anos devido à guerra, eu repetia Leônidas da Silva, como detalhe de fazer um gol a mais. Foi também uma Copa de algumas contagens extravagantes. A maneira de jogar mudara um pouquinho. Era a época da diagonal, que Flavio Costa utilizou durante todo o seu reinado. Dois laterais presos, Bauer e Danilo soltou no meio-campo, Jair e Zizinho indo e vindo, de acordo com o lado da jogada, eu lá na frente, com função específica de marcar gols”.

“Eu dei sorte, sabe? Tanto na seleção como no Vasco. Na seleção, estava entre Zizinho e Jair. No Vasco, entre Maneca e Ipojucan. Mas a diagonal ainda manteve o futebol descontraído e o centro avante tinha espaço para jogar. Ficava naquela de esperar o lançamento, geralmente longo. Eu virava o corpo e, como tinha velocidade, ganhava sempre na carreira. Como a marcação era pouco móvel, cada um ficava com o seu, os zagueiros sofriam muito”.


“Mas, entre 1950 e 1952, um fato isolado marcou o começo das dificuldades para o centro avante. Dificuldades que o chamado homem-gol já sentia quando enfrentava os times armados por Zezé Moreira. O Botafogo trouxe um zagueiro argentino excepcional, o Basso, logo depois da Copa de 50. Além de muitas qualidades técnicas e com perfeita colocação em campo. Foi com Basso que comecei a perder terreno. Ele não colava em mim, como os outros, e também não me acompanhava quando eu procurava fugir da área para ser lançado. Marcava a área, a zona. O Basso sabia que, encostando, poderia perder no pique. O que ele fazia era ganhar terreno, obrigando-me a tentar o drible ou o passe para o lado”.






                                                             LUIZ BORRACHA                                  

Luiz era reserva do titular Jurandir no gol do Flamengo. Sempre que entrava, fazia defesas eletrizantes com saltos acrobáticos. Assim surgiu o apelido “Luiz Borracha” que foi dado pelo locutor esportivo Ary Barroso. O técnico Flávio Costa foi quem o lançou na equipe principal do clube rubro negro. E foi ainda com Flávio que defendeu a seleção carioca e brasileira.

E foi num jogo contra o Botafogo que aconteceu o lance fatal para o goleiro. A bola era para Luiz Borracha. Seu companheiro Biguá se chocou com ele e na sobra Braguinha fez o gol do Botafogo. Biguá  olhou para  Luiz Borracha com as mãos na cintura e o jogou contra a torcida. Ali, em General Severino, sem saber, ele estava sendo enterrado para o futebol. Dirigentes o acusaram de venal e ele terminou saindo do time. Se transferiu para o Bangú. Depois passou pelo São Cristovão, jogou no clube da Universidade de Caracas na Venezuela, correu meio mundo e, sempre que alguém desconfiava, as portas se fechavam para o goleiro. Luiz Borracha continua sendo vitima de uma injustiça de alguns dirigentes do Flamengo.

O lado exclusivamente humano reclamava a injúria. Luiz Borracha era uma vitima. Nunca ninguém conseguiu provar as acusações que lhe foram feitas. Mas, para que uma injustiça seja reparada é preciso que haja o altruísmo da confissão de quem a cometeu. Oito anos depois, Luiz Borracha voltou ao Flamengo como massagista, e dele, voltou a merecer toda confiança. Naquele jogo de 1948, depois de uma derrota inexplicável, dirigentes rubro negros resolveram antecipar o fim do seu goleiro. Foi acusado e afastado do clube. O rotulo de venal acompanhou o resto de sua carreira. E terminou como limpador de automóveis. Os dirigentes do Flamengo de 1956 acolheram uma solicitação de Jaime de Almeida, antigo companheiro de Luiz Borracha, e lhe ofereceram um cargo de auxiliar de massagista no clube. Foi retirada a calunia que morava em seu nome e ele passou a viver em paz. Luiz Borracha é um homem recuperado para a sociedade. Mas, seus anos perdidos no futebol nunca ninguém pagará. Foi um preço alto demais para um craque de um clube tradicional como o Flamengo, e das seleções carioca e brasileira.




                                                                   ALMIR                            

 Bandido e idolatrado. Foi talvez o maior marginal do futebol brasileiro. Mas dava a vida pela vitória. Por isso, foi ídolo de todas as torcidas. Fez gol metendo a cara na lama, estremeceu o maracanã, armou grandes brigas, quebrou pernas, não teve medo de nada e acabou assassinado.

Implacável, o tempo muitas vezes faz até os heróis caírem no esquecimento. Poucos, na verdade sobrevivem na memória do povo, e um deles é Almir Pernambuquinho, certamente o craque da raça mais passional da história do futebol brasileiro. Em campo ele experimentou todas as emoções: vencer era uma questão de vida ou morte e, se a violência não contribuía para uma boa imagem, pelo menos lhe  assegurava gordas gratificações. Odiado pelos adversários e temido pelos próprios companheiros, foi um antético anti-herói. Assim viveu seus 36 anos incompletos. Como num faroeste, estava sempre desafiado a um novo duelo por algum desconhecido.


O zagueiro Helio, do América, ficou inutilizado aos 32 anos de idade num choque com Almir. Dizem que o estalo da perna foi ouvido da arquibancada do maracanã. Para Almir, a cena se resumiu a uma simples explicação: - Era ele ou eu – O episódio marcaria definitivamente sua carreira. Cronistas carregavam o nome de Almir com qualificativos como “marginal”, “bandido” ou “facínora”, expressões repetidas quando ele, com a cabeça cheia de anfetaminas levou o Santos, em 1963, a ser bi campeão mundial de clubes, no maracanã, diante do Milan. Intimidou os italianos com um pontapé na cabeça do goleiro Balzarani e uma entrada violenta em Amarildo que foi jogado para fora do campo. Se a imprensa o punia como covarde, a torcida o atirava aos céus. Assim era Almir. Em constante estado de autopunição, não queria cultuar atos de bravura. Tratava-se de um passional na luta pela sobrevivência.

Jogou no Sport, Vasco, Corinthians, Boca Juniors, Fiorentina, Gênova, Santos, Flamengo e América. Entretanto, foi no Flamengo que ganhou  status de craque da raça. Em sua concepção, aquela camisa, rubro negra como a do Sport, não podia ser humilhada e nada o revoltava mais que a humilhação.  No Flamengo fez um gol com a cara na lama, contra o Bangu em 1966. A bola estava presa numa poça, mais próxima do goleiro Ubirajara, e ele, herói daquela noite chuvosa, foi arrastando milímetro por milímetro o rosto pela terra.  O gol foi registrado em página dupla 



Foi esse homem incompreendido, que trilhou, inclusive, caminhos condenáveis para se transformar em um craque da raça, que numa noite, durante uma discussão de bar com homossexuais que insistiam em perturbá-lo, levou dois tiros de uns desconhecidos. Estirado naquela calçada inunda de Copacabana, ganhou apenas uma rosa vermelha atirada por uma mulher da vida. É que ela, só ela, parecia identificar em Almir o que era o sofrimento de viver.




                                                                       
FELIX

Na Portuguesa de Desportos nunca conquistou um título de campeão. Quando contratado pelo Fluminense, em 1968, ganhou os títulos do campeonato carioca nos anos de 1971, 73, 75 e 76, a Taça Guanabara, em 1971 e a Taça de Prata, em 1970. Mas, de todas as suas glórias, só  22 jogadores tem igual, a Copa do Mundo de 1970. 

Na Seleção Brasileira, Felix teve as emoções que nenhuma outra conquista pôde lhe proporcionar em sua longa carteira. E não foi só o título, o momento final da consagração, quando o juiz apitou, encerrando o jogo contra a Itália e passando as mãos brasileira a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Foi muito mais que isso. Foram detalhes comovedores, momentos inesquecíveis, defesas brilhantes, gols sensacionais. As emoções, em Guadalajara e na cidade do México, aconteceram a casa dia, a cada jogo, a cada chute.

“Todos pensam que o meu maior momento foi na defesa que fiz contra a Inglaterra, na cabeçada de Bobby Charlton, quando os ingleses mais apertava. Porém, não foi; pelo para mim. Sei que naquela partida eu provei que sabia sair bem do gol, que tinha reflexo e tranquilidade; que a tal defesa foi importante para o time, mas, mesmo assim, não esse meu melhor momento daquela Copa do Mundo. Aliás, não há um só lance, mas, sim, dois que me gratificaram ainda mais”.

“Faltavam quatro minutos para acabar o jogo Brasil x Uruguai e vencíamos por 2x1. A bola veio alta para a área e encontrou no caminho a cabeça do atacante uruguaio Cubillas. E eu vi a bola entrando no ângulo. Seria o gol do empate dos

uruguaios, o que nos obrigaria e disputa de mais 30 minutos de prorrogação. Porém, fui lá em cima e consegui defender. A bola nem chegou a sair de campo e fomos, em seguida, ao ataque, marcando o terceiro gol através do Rivelino. Era a vitória assegurada em pouco mais de um minuto. Aquela defesa e o gol no contra-ataque nos garantiu a passagem à finalíssima contra a Itália. Esse sim, foi meu dias e foi meu momento de glória”.


                  



RUI REI

Expulso no jogo final do Campeonato Paulista, Rui Rei viu desabafar sobre ele o ódio de muita gente. Ontem, se ele dava um drible ouvia os aplausos, se marcava um gol sentia a vibração. Hoje, se fala, ninguém ouve. Se diz que não tem culpa, duvidam.

E Rui Rei, aos 24 anos de idade, vive os piores momentos de sua carreira por ter sido expulso no início da partida final contra o Corinthians, na disputa do título de campeão paulista. Por causa das críticas violentas a até ameaças, passou vários dias trancado em casa, sem disposição para sair. Dele, o mínimo que falam é que provocou propositadamente a sua expulsão.

“Se discuti com o juiz logo no início do jogo é porque não acreditava que pudesse ser expulso assim, tão rápido. Não esperava mais do que uma advertência. Mas o que posso fazer? Dulcídio Vanderlei Boschila não gosta de mim. Até cultivou o costume de me chamar de macaquinho. Reconheço que caí numa armadilha, que fui ingênuo. Ele me advertiu antes do jogo, ameaçou com uma punição se eu reclamasse.  Queria que eu ficasse caladinho, sem agitar os zagueiros como sempre faço. Mas eu lutava por um time e não podia aceitar uma intimidade dessas. Levei um chute sem bola e reclamei. Vi o cartão amarelo e gritei – Eu apanho e ainda tenho que ficar quieto? E ele puxou o cartão vermelho – Agora eu pergunto: se fosse um jogador do Corinthians, teria acontecido a mesma coisa? Nunca. Jamais!”.     

Uma ocorrência que talvez tenha prejudicado um pouco sua carreira.

“Não vejo as coisas assim. Siou um grande artilheiro, faço gols e nunca tinha sido expulso antes, com a camisa da Ponte Preta. Ou será que esses detalhes não serão levados em conta pelos meus críticos? E eu ainda jogava sem contrato, com seguro. O que houve ali, naquele dia, foi uma revolta natural a um jogador de sangue quente, como eu. Se perdi a cabeça foi batalhando pelo meu clube".

(Reportagem de Brasil de Oliveira para a Manchete Esportiva).


                                        A INCRÍVEL HISTÓRIA DE BAUER




                                                         Bauer na Seleção Brasileira.
“Vim para ser campeão e voltei para São Paulo no chão do trem”.

Bauer veio de São Paulo para o Rio para ser campeão mundial de futebol. Jamais imaginaria que iria fazer uma viagem de volta, derrotado e dormindo no chão de um trem.

Precavido, Bauer comprou uma passagem de trem para domingo à noite. Queria fazer a festa com o pai e a mãe em São Paulo – “Antigamente era assim, cada um cuidava de si. Então, comprei a minha passagem de trem para depois do jogo com o Uruguai”.     

Durante a semana, um repórter da revista O Cruzeiro o procurou para dizer que ele não poderia viajar no domingo para São Paulo. Haveria uma comemoração com os campeões, os brasileiros, é claro. A missão do repórter era acompanhar todos os passos de Bauer. Insistente, o repórter conseguiu convencer Bauer a devolver a passagem de trem – “O repórter me obrigou a devolver a passagem, para ter a certeza de que eu ficaria no Rio depois do jogo. Fui até a Central do Brasil. Eu até já conhecia o homem do guichê, Seu Paixão. Recebi o dinheiro da passagem de volta”.

E Bauer continuou – “Mas domingo, quando a tragédia calou o maracanã, a comemoração virou pesadelo. Não tinha revista, não tinha repórter, não tinha ninguém. E eu estava sem a passagem. Naquele domingo o Rio de Janeiro morreu. Então, em companhia do falecido Geraldo José de Almeida e de um amigo, voltei até a estação. A gente embarcou no trem. Aquele fiscal que marca as passagens queria parar o trem porque eu não tinha passagem. Queria que eu descesse. Conseguimos convencer o homem. A cabine era de dois. Comigo três. Pedi um cobertor. Fui dormindo no chão. A verdade é essa”.


E completou – “Quero dizer o seguinte: sou católico, mas até hoje recrimino aquela missa que foi rezada às sete horas da manhã para os jogadores, no dia da final da Copa do Mundo de 1950.  Não perdemos por causa daquela missa, celebrada como parte de um dia glorioso em que poderíamos ser campeões do mundo. Mas a inconveniência do horário foi uma das causas”. 



                                                            JAIR DA ROSA PINTO
        

Jair da Rosa Pinto tinha 28 anos e num domingo de 1949 enfrentaria sua ex-equipe, que estava mais forte do que nunca, enquanto seu atual time vinha sendo formado por veteranos como Bria, Jaime, Gringo e Esquerdinha. Dava para comparar?  E ainda tinha gente queriam que ele dissesse que ia ganhar.

Quando lhe perguntaram - Ganhamos do Vasco?   - Jair levantou os olhos e viu a figura de Ary Barroso, popularíssimo narrador de rádio e rubro negro fanático.
Ganhamos Jair? – Não sei não – respondeu seu entusiasmo – Se Deus ajudar...

Abatido por causa de certas incompreensões de que se julgava vitima e pessimista por conhecer o poderio do Vasco, Jair estava desanimado principalmente com o técnico do Flamengo, Kanela, que viera do basquete e criara para o jogo uma tática complicada. Ele queria que Jair fizesse um tipo de marcação em Danilo que lhe exigiria uma intensa mobilidade no gramado. Jair não gostava disso, discutiu com Kanela e pediu para não ser escalado. No domingo, porém, voltou atrás e todas suas previsões começaram falhando. O Flamengo fez 2x0 e partiu para uma goleada sobre o imbatível Vasco da Gama. De repente, num ataque rápido, Jair ficou frente a frente com o goleiro Moacir Barbosa, considerado o melhor do Brasil. O que se passou naquele momento ninguém mais conseguiria reconstituir com exatidão. Presença de espírito de Barbosa, que fechou o ângulo?  Nervosismo de Jair?  O fato é que a bola foi para fora. E a partir daí ocorreram duas coisas espantosas: o Flamengo inteiro se encolheu, com Jair se escondendo para trás do grande circulo, e o Vasco iniciou uma fulminante reação, marcando um, dois, três, quatro, cinco gols. Final: Vasco 5x2.

Ary Barroso, transmitindo a partida, não pôde conter sua indignação pelo que via. Aquilo era uma vergonha, algo indigno das tradições rubro negras. Ao microfone, relembrou seu diálogo com Jair na concentração. – “Um covarde” – bradava o locutor, para quem o jogador, depois de sua resposta, de seu gol perdido e de sua omissão, não tinha condições de defender o Flamengo. E incitou a torcida, pelo ar, a queimar a camisa de Jair.

Até morrer, em 1964, Ary Barroso garantiu que a camisa fora queimada. E até enquanto estava vivo, embora detestasse abordar o assunto, Jair afirmava o contrário. A camisa realmente queimada durante a revolta irada dos flamenguistas foi uma camisa qualquer, apanhadas ao acaso para simbolizar o inconformismo  da massa.

Jair ficou inconformado e não poderia continuar no Flamengo nem no Rio de Janeiro. Uma semana depois, se transferiu para o Palmeiras e recomeçou tudo outra vez.


(da Revista Placar)



PERÁCIO

A História tem o sabor das coisas pitorescas da vida de Perácio. Aconteceu num trem, durante a viagem de uma Seleção Carioca para São Paulo, onde se disputaria jogos decisivos do Campeonato Brasileiro. Como geralmente acontecia, a viagem foi noturna. De manhã, um cartola começou a acordar o pessoal: “Vamos pessoal, são 6 horas! Já é dia!

Um a um todos eram despertados, orientados para que procurassem o banheiro antes que a maioria dos passageiros o fizesse, prejudicando o café que a delegação inteira tomava em conjunto. O center-half, também do Botafogo, dividia a poltrona com Perácio. Foi um dos primeiros a correr para lavar o rosto e escovar os dentes. Perácio o secundou. De volta, Martim notou que tinha esquecido a escova de dentes sobre a pia. Correu para o bandeiro, empurrou a porta e surpreendeu Perácio escovando os dentes – justamente com sua escova.
- Perácio, essa escova é minha - gritou Martim espantado.
- Desculpe Martim, pensei que fosse do trem.

O falecido Mario Filho – dono do Jornal dos Sports e autor de várias obras sobre o futebol brasileiro - costumava dizer que era impossível escrever sobre Perácio sem se colocar o humor à frente da bola. Tinha toda razão. De fato, além da lembrança, do chute violento, o que marcou a imagem de Perácio foram suas histórias. Ou as histórias a ele atribuídas. Ele reunia tantos lances engraçados, mistura de humor, ingenuidade e desconhecimento. De poucas letras, comunicativo e alegre como uma criança, Perácio foi sobretudo um ingênou. Uma pessoa que conviveríamos cem anos sem um arranhão na amizade – diziam os amigos mais antigos.

Parte da reportagem de Fausto Neto para a Revista Placar.





HÉLVIO

Acusado de “gaveta”, foi destruído quando ostentava sua melhor forma. Tinha amigos, muitos. As vezes era carregado em triunfo. Enquanto a maré lhe foi favorável era um “Deus” daquela gente. Humildes, vaidosos, ricos e pobres, bancos e pretos tinham nele um ídolo. Pernas compridas, possuindo um físico elogiável, veio do Fluminense para o Santos. Muito cedo ganhou o posto de titular. Mais tarde, também nas seleções paulistas seu nome era obrigatório.

Com o tempo sua sorte mudou. Aqueles mesmos diretores que o carregavam em triunfo, a mesma imprensa que gastou manchetes com suas exibições, a mesma torcida que o adorava, mudaram da noite para o dia.

- “Ele é um gaveteiro. Vendeu tal jogo, Fez dois pênaltis em troca de dinheiro”.
Neste dia estava iniciada sua via crucis. Não teve mais sossego. Mesmo em sua melhor forma foi afastado da equipe. Falamos de Hélvio Peçanha, um dos jogadores mais injustiçados do futebol paulista. Ninguém conseguiu provar se o zagueiro era realmente gaveteiro. Falar, todo mundo falou. Acusar, todo mundo acusou. Provar, ninguém provou. Fizeram com Hélvio uma das maiores injustiças de todos os tempos. Sofreu calado. Deus e aqueles que realmente acreditam no Hélvio, sabem que ele não errou, não se vendeu.

Depois de abandonar o futebol e quando estava descansando em Santos, foi procurado pelo mesmo diretor que tinha lhe acusado naquela tarde exigido sua dispensa do clube da Vila Belmiro, foi procurá-lo para ser treinador para ser o treinador substituto de Filpo Nunes. Hélvio bem que gostaria, mas com aquele diretor, não aceitou.

Mesmo assim, não tenho mágoas de ninguém. Foi taxado de gaveteiro, não era. Sofreu calado essas perseguições e perdoou todos aqueles que lhe fizeram mal.

(Da Gazeta Esportiva).






                                                        RANULFO
                                               
Ranulfo foi um dos mais brilhantes jogadores do América vice-campeão carioca de 1950. Jogando pela meia esquerda, era o termômetro dos americanos.  Pelas brilhantes atuações no campeonato, Ranulfo terminou sendo convocado para a seleção carioca que disputou o campeonato brasileiro de seleções. E Ranulfo foi titular com jogando com Telê. Didi. Ademir e Nivio. Ranulfo Pereira Machado nasceu na Bahia, onde começou jogando pelo Ipiranga. Em 1949 foi contratado pelo América do Rio onde formou com Natalino. Maneco. Dimas e Jorginho, o ataque que levou o América ao vice-campeonato carioca. Na decisão, perdeu para o Vasco da Gama, base da seleção brasileira, por 2x1.

Jogando um belo futebol, começou a ser procurado pela torcida feminina. E Ranulfo conheceu uma mocinha, filha de um grandola que podia levar alguém para a cadeia. O jogador do América fez bobagem, passou dos limites, foi denunciado e preso. Foi um crime de sedução que acabou com sua carreira. Os pais da garota exigiram uma reparação. Ranulfo não tinha certeza de que o filho era seu. A garota era daquelas que saia com todo mundo. O craque resolveu se casar com outra mulher. A mulher que le gostava. E aconteceu a vingança dos pais da garota levada. Veio o processo que começou a mexer com Ranulfo. Sem ambiente no Rio de Janeiro, foi para a Portuguesa de Desportos onde passou apenas três meses. Também passou pelo São Paulo e depois se transferiu para o Noroeste de Bauru no interior paulista. Nesse período que estava ausente do Rio de Janeiro, o processo correu a revelia e Ranulfo terminou sendo condenado pela justiça carioca. Ele confiou nos dirigentes do América que prometeram acompanham o processo e defender seu ex-atleta. Os diretores não cumpriram o prometido e Ranulfo se ferrou. Foi preso e ficou no Sanatório Penal de Bangú.


Cumprindo sua pena, Ranulfo via o tempo demorar a passar. Parecia um pesadelo. Seu bom comportamento fez muitos amigos na penitenciária. Jogava bola, organizava partidas, esperava o tempo de quatro anos passar mais depressa. Um erro com uma pessoa errada fez o futebol carioca perder um grande jogador de futebol.



BARBOSA

Quase cinqüenta anos depois do desastre do maracanã, o goleiro Barbosa ainda convivia com aquele gol de Gighia. Dia 16 de julho de 1950, decisão do mundial. Maracanã lotado. O maior estádio do mundo foi construído para a vitória, estava completamente cheio e pronto para comemorar o titulo de campeão mundial de futebol. Aos trinta e seis minutos do segundo tempo com o resultado de 1x1, veio o lance fatal. Gighia recebeu de Schiafino em profundidade, bate bigode na corrida, e chuta entre Barbosa e a trave. Era o gol do titulo para os uruguaios, o gol do desespero para os brasileiros. A derrota que transformou o dia 16 de julho de 1950, no dia de finados para o nosso futebol. Um lance que marcou para sempre, um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro – Moacir Barbosa.

Para o resto de sua vida, aquela tragédia permaneceu vida na memória de Barbosa. Nunca deixaram que ele apagasse o lance fatal. Duzentos mil torcedores comprimidos no maracanã e a lembrança é todo estádio em silêncio, pessoas imóveis, caladas, tristes, recebendo com espanto e sem acreditar naquele gol que permanece até hoje.

Barbosa foi culpado? Achamos que não. Não se pode culpar um único jogador por uma derrota. Entretanto, a justiça dos torcedores foi cruel no seu veredicto – Barbosa foi condenado por um crime que não cometeu. Ele que estava a pouco menos de dez minutos para se transformar em herói, de repente, passou a ser um eterno e desacreditado vice-campeão. Moacir Barbosa faleceu e levou consigo a mágoa de ter sido crucificado pela opinião publica por um erro que não foi somente seu.





                                                                    MARINHO
                           

Problemas com bebidas também colocaram o ex-craque do Bangu, Marinho, à beira de um precipício no qual ele despencou depois de uma tragédia. Em 1988, seu filho Marlon, de um ano, morreu afogado na piscina da casa. Marinho entrou em uma roda-viva de noitadas que o afastou de tudo que um dia havia importado para ele. “Depois da tragédia morava na minha Mercedes, o porta-malas servia de guarda-roupa, e o banho era de perfume Azzaro. Futebol já não tinha mais valor, os amigos corriam de mim, a família foi embora. Fiquei só” – diz com olhos marejados.

A virada de Marinho, há 16 anos, se deve a um desconhecido. “Um dia, sentei num boteco, às sete da manhã e comecei a chorar, desabafei com o dono. E ele me disse – Meu filho, peque seu carro e vá ver a sua mãe. Conte tudo a ela – Obedeci, nem sei bem o motivo. Minha mãe ouviu tudo calada e me pediu o telefone de Emil Pinheiro (presidente do Botafogo). Eu não ia treinar há muito tempo, mas ele me recebeu de volta. Voltei para os treinos e nunca mais sai”.

Hoje (2005), tem uma vida tranqüila ao lado da segunda mulher, Liza Minelli, e dos filhos, Laís de Minelli, 12 anos e Stevie Wonder, 14 anos jogando no infantil do Botafogo. “Eles têm esses nomes, mas eu, Mario José, é quem sou o artista da família. Sou um cidadão trabalhador, respeitável, mais feliz do que quando tinha dinheiro. Trabalho bebo minha cerveja, durmo e acordo cedo. Meus quatro filhos se orgulham de mim – referindo-se também aos dois do primeiro casamento, Marinho com Priscilla.

Diz que tirou o “diploma da vida” e que orienta os meninos dos juvenis do Bangu, onde trabalha a nove anos. “Digo para eles fazerem o que eu falo, nunca o que fiz. No meu trabalho tento primeiro formar o homem, para só depois treinar o jogador”.

(Da revista placar de 2005)





JURANDIR


Jurandir estava jogador no Ferro Carril na Argentina. Ele comentou como tentaram suborná-lo.
“Certo dia estava pregando fotografias em meu álbum quando bateram à porta. Alguém me esperava lá fora. Encontrei um cavalheiro impecavelmente vestido, falando depressa e com maneiras que demonstravam tratar-se de um vigarista. Ele enrolou a língua durante um bom tempo e, no final pôs as cartas na mesa. Era um torcedor rico do San Lorenzo chamado Martinez e propôs-me o seguinte:  - Dou 7.500 pesos para você amolecer o jogo de domingo. Fiz uma aposta de 15 mil. Se eu ganhar nós repartimos o lucro. Você é brasileiro e o nosso futebol pouco lhe importa. O Ferro Carril pequeno e dois pontos a mais ou menos não fazem diferença e nem lhe trará mais glória. O San Lorenzo precisa da vitória e eu do dinheiro. Você aceita?

Era a conversa de todos os emissários.
E continuou – Além do que você se venderá para seu futuro clube, pois você já está na lista das contratações imprescindíveis do próximo ano. Compreendeu?
- Compreendi...volte as 6 horas da tarde com dois mil e quinhentos pesos. É o sinal para fazer o negócio – O vigarista respondeu: hoje mesmo você terá os dois mil.
- Mal o homem virou as costas corri para o presidente. Contei com todas as minucias a conversa que mantive com aquele vigarista. O presidente ficou possesso, começou a tremar e a mudar de cor e gritou: Esse miserável merece uma bala na cabeça. Vou convocar a diretoria imediatamente...iremos direto a delegacia!
- Na polícia, os repórteres farejaram a coisa e a bomba deveria estourar naquele dia mesmo. Foi um escândalo dos diabos. Às 6 horas chegamos à pensão. Disfarçadamente vieram os repórteres, diretores e dez “tiras”. Era uma quinta feira, três dias antes do jogo. A dona da pensão desesperada com tamanho aparato bélico começou a pedir pelo amor de Deus para que todos abandonassem, a casa, pois isso ia arruinar a reputação do estabelecimento. O homem não apareceu. Escondera-se por perto quando viu o movimento, fugiu. Dez minutos depois telefonava:
 - Você quis me trair, mas não teve sorte. Sou mais esperto do que você. Perderá o jogo, o dinheiro e não me prenderá. Trouxa! Sei onde você e vou dar uma surra. Faço parte de uma quadrilha. Vamos lhe arrebentar.

Se eu já era querido, depois destes acontecimentos a simpatia dos argentinos transformou-se numa quase idolatria. Agora, era respeitado não apenas como profissional, mas como homem também. Domingo chegou. O jogo também. Estava nervoso e assustado com as ameaças do bandido. O San Lorenzo espremeu o nosso quadro dentro da área e o jogo terminou em zero a zero. Fiz uma grande partida. Foi a minha consagração no futebol argentino.

(Memórias do Jurandir - da Gazeta Esportiva de São Paulo).



                                                                BIGUA E O TRI CARIOCA DE 1944

Quando estava vivo, o craque Biguá do Flamengo relembrou a conquista do tri campeonato de 1944. Aqui está o relato do antigo jogador do Mengo.

Foi a maior emoção que tive como jogador do Flamengo. Nosso time ficou desfalcado durante toda a campanha do tri de seu maior jogador, o Domingos da Guia. Aliás, Domingos foi o maior jogador de futebol da sua época. Ele jogou conosco em 1942 e 1943, mas no ano seguinte foi para o Corinthians. O time sentiu muito a sua falta. Afinal era a nossa peça mais importante. Em seu lugar entrou Quirino, que procurou dar tudo de si para que ninguém sentisse a falta do grande Domingos da Guia. Mas não era a mesma coisa. Nosso técnico, Flavio Costa, costuma chamar o Quirino e dizer que ele podia jogar igual ao Domingos, bastava querer. O rapaz ficava empolgado e às vezes, até surpreendia, tal a sua vontade de vencer. Naquele ano, além de Domingos, o time ficou desfalcado de Perácio, que foi para a guerra. No seu lugar entrou Tião. Mas, da mesma forma que o Quirino não substituía bem o Domingos, o Tião não era igual ao Perácio.

      A partida decisiva pelo tri campeonato foi contra o Vasco, na Gávea. Ganhamos de 1x0, no peito e na raça. Quando ninguém mais acreditava no titulo, eis que os jogadores se superaram e arrancaram o tri campeonato histórico para as cores rubros negros. Foi uma conquista memorável. O time do Vasco era superior ao nosso e estava completo. Mas nós tínhamos a vantagem de jogar em casa, onde dificilmente perdíamos. Prá falar a verdade esse era o nosso único ponto positivo e nós não podíamos deixar escapar um titulo tão importante, dentro do nosso terreno. Entramos em campo certos de que enfrentaríamos uma batalha dura, mas sabíamos também que cada um de nós daria o máximo para chegar a vitória. A vitória de 1x0, gol de Valido, foi contestado pelos vascaínos. Para o Flamengo o que interessava é que conquistamos o tri campeonato carioca em 1944 e aquele dia se tornou um dia de glória para os jogadores da Gávea. Foi um titulo muito importante e um dia muito especial na minha carreira – concluiu Biguá.

(da Manchete Esportiva)



    





quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Histórias do Futebol Brasileiro.



HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

As lembranças são depositadas no livro da saudade que guardamos
de um tempo que não volta mais.





O APARECIMENTO DO FENÔMENO FRIEDENREICH.                                                            
Fried foi um fenômeno extraordinário no futebol. Tornou-se a figura número do “association” do nosso país, como foi a de Carlos Gomes na música, de Rio Branco na diplomacia, Rui Babosa na Jurisprudência, Santos Dumont na aviação etc. Mereceu ser chamado, em 1919, um dos “maiores brasileiros vivos”. Então sua fama atingiu o auge, juntamente com a fama do futebol nacional. Seu nome imortalizou-se. Fried, sem dúvida, é imortal para o nosso esporte. Seu nome saiu da cidade, foi para o interior, para o sertão, atravessou fronteiras...Sua figura é lendária, e será recordada eternamente pelo mundo brasileiro esportivo.

Em 1919, Fried foi chamado de “El Tigre”. Depois foi o “sábio”, o “vovô” de 1935. Nos seus 26 nos de faustosa carreira futebolista, Fried descobriu todos os segredos da arte da pelota. Herói de mil batalhas, e artífice de mil vitórias. Toda a ciência do popular jogo ele conheceu. Foi completo. Tudo ele teve, nada deixou de fazer com a bola. Foi técnico e estilista, improvisador e construtor, artilheiro e fintador, compassado e astuto. A sua arte, uma maravilha...Jogou com imaginação e intuição, elegância, correção e audácia. Todo seu jogo foi um espetáculo, como raro outro avante.

Em um quarto de século, o jogo de Fried criou um verdadeiro dicionário da sua arte. Em arte, tanto foi no futebol cientifico, como bizarro, de f antasia, volúvel e positivo, alegre e efetivo. Um gênio! Um fenômeno.




A torcida daquela época.

PRIMEIROS JOGOS DOS ARGENTINOS EM 1908.
Em meados de 1908 vinha a primeira notícia nas gazetas paulistanas. Dizia ela que a Liga Paulista estava trabalhando no sentido de promover a visitas dos rapazes argentinos. Dias depois, apareciam pormenores: a equipe representativa compunha-se de elementos pertencentes aos clubes Alumni, Belgrado, Estudiantes e San Isidro, os principais que disputavam o campeonato de Buenos Ayres.

Anunciou-se logo um treino, mas não teve importância. O segundo exercício foi no dia 28 de junho. O Palmeiras vivia separado, por motivos de rivalidade. O Sr. Antônio Prado Junior, presidente da Liga Paulista interveio e solicitou da diretoria da sociedade rebelada, que prestasse o seu concurso a São Paulo. Os jornais disseram que o Sr. Antônio Prado conseguira harmonizar todos os clubes. O que é fato, porém, é que os moços do Palmeiras não compareceram aos exercícios nem tampouco participaram dos prélios.

Os argentinos chegaram a São Paulo no dia 30 de junho. Foram bem recebidos na estação, onde aguardaram os representantes da Liga Paulista, muitos jogadores e grande número de curiosos. Na cidade, enorme a expectativa. O assunto predileto de todas as conversas eram os próximos torneios internacionais. Os rapazes argentinos, durante aquele dia, foram penhorados de gentilezas. Deram vários passeios pela cidade, visitando os pontos principais. À tarde, dirigiram-se para o Velodromo, afim de assistir ao último treino dos paulistas. Os rapazes acompanharam, com certo interesse, os lances do jogo. A certa altura, não resistiram: desceram das arquibancadas, pediram licença aos diretores das Liga para entrar em campo, e, mesmo com a roupa de passeio e com delicados sapatos de vernis, deram alguns chutes...

O primeiro encontro efetuou-se a 2 de julho. Dia útil. Posto isso o Velodromo teve uma boa concorrência. Viam-se muitas senhoras e senhoritas. Em lugares reservados, estavam algumas famílias argentinas, que de proposito vieram assistir aos “matches”. Os nossos hospedes iam medir forças com um combinado de estrangeiros, tirados dos clubes filiados à Liga Paulista. Os argentinos não passaram de um empate de 2 a 2. Na segunda partida venceram os argentinos por 6 a 0. Dia de fracasso completo dos nossos jogadores. O terceiro e último encontro internacional efetuou-se a 7 de julho de 1908 e os argentinos voltaram a vencer por 4 a 0. As famílias paulistas focaram desgostosas pela nova surra, já estavam fartas.




Primeiro time do Coritiba da sua história.


FUNDAÇÃO DO CORITIBA. 1909.
O Coritiba F.C., teve a seguinte ata de fundação:
“Com o fim de instalar um futebol clube em nossa cidade, reuniram-se no dia 12 de outubro de 1909 alguns moços da nossa boa sociedade e após longa discussão passou-se a eleger a respectiva diretoria que consta dos seguintes membros: presidente, secretário, tesoureiro, primeiro capitão, segundo capitão. Como presidente foi eleito por unanimidade de votos, o senhor João Viana Seiler.

Seguiu-se então para a parte regimental.
O sr. Presidente, tomando a palavra, expôs um projeto para requerer do Joquei Clube Paranaense o centro do prado, além da raia para preparar o respectivo “Groud”, expondo também as condições do arrendamento. Com muito entusiasmo foi acolhido este projeto e aceito por unanimidade dos votos, dando-se poderes à Diretoria para tomar as providencias necessárias.


Foi estabelecido até o dia 31 de dezembro de 1910, uma joia de 5 mil reis e mensalidade de 1 mil reis, sendo todos os propostos neste tempo considerados sócios fundadores. O nome do clube é Coritiba Football Clube. O uniforme é o seguinte: boné verde e branco, camisa de flanela verde e branca, cinto verde estreito, calça branca, curta, meias compridas, sem compromisso de cor, sapatos amarelos apropriados para o campo. Não tendo sido apresentado outros projetos, o sr. Presidente encerrou esta primeira reunião às 10 horas da noite, congratulando-se com os presentes pela iniciativa da fundação do Coritiba Football Clube”.   


HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

 
A TENTATIVA DE TRAZER O NOTLIGAN FOREST DA INGLATERRA.
Em 1904 os clubes de São Paulo tentaram trazer um time inglês. De fato, certa ocasião, em fins do ano de 1904, apareceu na imprensa uma notícia que revolucionou o nosso alegre meio esportivo. Dizia mais ou menos isto a referida nota: “Sabemos que a Liga Paulista está tratando de negociara vinda, a esta cidade, de um poderoso “team” inglês, o Notligan Forest, que disputa o campeonato inglês da primeira divisão, e que, o ano transato, conseguiu o terceiro lugar. Esse “team”, que a Argentina, passará por aqui, aproveitando a oportunidade de jogar com nossos clubes”.

Simples esta notícia. Não calculam, entretanto, os companheiros, que se teceram! Trabalhou a fantasia. Diziam coisas espantosas dos jogadores britânicos. Eram invencíveis, heroicos. Lidavam com a bola magistralmente. Extraordinários passes, os “kics”! – oh! Os “kics” – eram deferidos com tal violência, que arrancavam as redes e os postes do “gol”!... Jogo de cabeça, então nem se fala: esses temíveis “esportmem” atravessavam o campo, de lado a lado, sem que nenhum adversário tocasse na bola. A petizada entusiasta, do Infantil do Paulistano, do Aglo Brasileiro, da Escola Americana e de outros colégios, que enchiam o Velodromo nos dias dos “matchs”, criava lendas e em torno do caso, verdadeiramente sensacional.

A Liga Paulista, um mês antes, fez grande alarde do Notligan, e, desejando que o nosso combinado não fizesse péssima figura, obrigou-o a treinar. Esses treinos foram memoráveis; então, poucos “match” do campeonato conseguiram uma concorrência como esses exercícios tiveram. Mas, estava escrito que não poderíamos apreciar os fantásticos “foot-ballers”; com grande pesar, os jornais noticiaram que o vapor, vindo da Argentina, em que os super “footballers”, não tocava por Santos, e por esse motivo não podiam disputar “matchs” em São Paulo.


(Do livro – História do futebol do Brasil – de Tomaz Mazzoni).

6
   
A TEMPORADA DE 1904 FOI UM DAS MAIS PROFÍCUAS NO RIO E SÃO PAULO.


O Fluminense promoveu ainda do Paulistano ao Rio e o vice-campeão paulista reforçou seu quadro com Friese. Com esse reforço o Paulistano venceu as duas partidas contra o Fluminense, por 2x0 a 14 de agosto por 3x0 no dia seguinte.

Na volta, o “Jornal do Comércio” assim noticiou a respeito.
“Os fluminenses foram incansáveis no carinho e gentileza da hospedagem que dispensaram aos nossos rapazes. Desde a sua chegada à Estação Central do Rio até o último momento da afetuosa despedida, nada lhes faltou, quer em conforto, quer em superfulo. A tudo presidia a máxima franqueza.
Os seus amigos de São Paulo quiseram também que não passasse despercebida a volta vitoriosa do Paulistano e foram ontem, recebe-lo à estação do Norte, voltando todos em bondes especiais, gentilmente oferecidos pela Light & Power, no meio de ovações em que se ouvia insistentemente o popular hino de guerra do Paulistano, que, seria dito de passagem, já se vai aclimatando no Rio com um certo sucesso.         

        1863 - A TAVERNA LOCAL ONDE SE UNIFORMIZARAM AS LEIS DO FUTEBOL.





REGRAS DO FUTEBOL.
A “Referre´s Chart”, as primeiras instruções para os juízes e os casos de impedimento, não haviam, ainda sido traduzidos para o português. Foi Charles Miller quem forneceu a Mario Cardim o exemplar dessa publicação inglesa da edição de 1902, que esse esportista traduziu pela primeira vez no Brasil, uma edição da Casa Vanorden, de 1903, do seu Guia Esportivo, desse ano, que foi também a primeira publicação desse gênero na imprensa no Brasil, ao qual Mario Cardim acrescentou o Resumo Histórico do Futebol, na Inglaterra.  “A Arte de dar o Kick” de C. B. Fry, a Descrição Técnica de uma partida de Futebol – “Instruções para os juízes e casos de impedimento”.


Mario Cardim era cronista do “Estado de São Paulo”, o primeiro a se dedicar a descrição das partidas do esporte bretão no Brasil.





O primeiro campo de futebol na Bahia.

PRIMEIRO CAMPEONATO NA BAHIA.
Fundada a Primeira Liga de Futebol na Bahia, o “Jornal de Notícias” assim registrou o fato: “Anteontem,15 às 11 horas de 1905, reunidos alguns sócios dos clubes Vitória,  Internacional, Bahiano e São Paulo, na sede deste, instalaram a Liga Bahiana de Esportes Terestres, que tem por fim dar maior desenvolvimento aos esportes terrestres da Bahia”. Procedia a eleição, a sua diretoria ficou assim composta: presidente, F. G.May; vice presidente, Artemio Valente; tesoureiro, Anibal Petresen.

A Liga Bahiana abre inscrição para o seu primeiro Campeonato e uma comissão tendo à frente Alvaro Tarquino está tratando do nivelamento e cercado do campo da Polvora. Porém, que surge o impasse. Quando a comissão chega ao campo encontra quase armando o Circo Lusitano. Vai então a Liga por meios legais impedir que o Circo continue instalado no campo desde que a Intendência tem contrato, concedendo-lhe o campo para o campeonato de futebol. Felizmente, o proprietário do Circo entrou em combinação com a Liga e transferiu o seu Circo para uma das cabeceiras do campo não empatando assim o campo propriamente dito. Conseguiu ainda a Liga, por empréstimo, do proprietário do Circo eu se tornou grande amigo dos esportes, 100 cadeiras que eram colocadas nos dias dos jogos, em volta do campo para assento das senhoras e autoridades.


A 9 de abril de 1905, no campo do Polvora, perante concorrência extraordinária tem início o primeiro campeonato baiano de futebol. O campo estava embandeirado. Uma banda tocava deliciosas músicas para os espectadores enquanto não se inicia o encontro. Finalmente, as 4,30 horas tem o começo o grande jogo que é disputado pelos clubes Vitória e Internacional. Serviu de árbitro o senhor Anibal Peterson. Após a luta titânica caiu o Vitória por 3 a 1. Outros jogos foram disputados com o mesmo entusiasmo e animação, terminando o primeiro certame oficial com a merecida vitória do Club de Cricket Internacional.




Chuteiras usadas na época.


O CAMPEONATO BRASILEIRO FOI IDEALIZADO E 1906.
O campeonato brasileiro foi idealizado em 1906., e fato, lê-se num documento naquela época.
“A Liga Metropolitana de Futebol, fundada em 21 de maio de 1905, foi o a primeira entidade a cogitar da realização do campeonato brasileiro de futebol, tento mesmo chegado a institui-lo conforme se verá do extrato que a seguir, transcrevemos: “Está definitivamente instituído o Campeonato Brasileiro de Futebol sob a direção da Liga Metropolitano fundada na capital da Republica, por iniciativa do “Football and Athletic Clube”. Presidente, Francia H. Walter; vice-presidente, R. A. Brooking; secretário, J. Rocha Gomes; tesoureiro, Antônio Pinto. O campeonato do Rio de Janeiro vai ser disputados pelos clubes da primeira divisão para conquista da Taça “Casa Colombo”. Ao campeonato dos segundos “teams” só poderão concorrer os clubes da primeira divisão. Constitui prêmio dessa prova a Taça “Caxambu”. A Liga, em Assembleia Geral, de 11 de fevereiro estabeleceu o Campeonato Brasileiro de Futebol. A esse campeonato só poderão concorrer as Ligas dos Estados da Republica reconhecidas pela Liga Metropolitana. As Ligas se farão representar por um “scratcheam”. O prêmio do Campeonato Brasileiro de Futebol é de uma riquíssima Taça denominada “Brasil”. O primeiro Campeonato Brasileiro se realizará na Capital da Republica e os demais na do Estado que for o vencedor”.






FUTEBOL NA BAHIA.
A Bahia foi o primeiro Estado do Norte a tomar conhecimento do futebol. Eis o histórico, o mais fiel possível, de autoria de Haroldo Maia, publicado no ”Almanaque Esportivo da Bahia – 1944”.

O sr. José Ferreira, tesoureiro do British Bank, tinha um filho, o garoto José – Zuza como era conhecido na família. Garoto inteligente, mas endiabrado, trazia os seus velhos pais em constante preocupação.  Raro era o dia em que não recebiam uma queixa do menino. Resolveram então manda-lo para a Europa. Naquele tempo os pais ricos mandavam seus filhos para a Europa, onde recebiam uma educação melhor. Só, na Inglaterra, o garoto entraria nos eixos. Tudo resolvido, lá seguiu numa manhã triste e chuvosa, o Zuza para a Velha Albion. Saudades dos pais, mas sempre uma consolação, uma esperança que o garoto voltaria gente, ajuizada.

E assim foi. Passaram-se quatro ou cinco anos. Em 1901, saudoso, o velho Ferreira resolve ir buscar o “filhinho do papai”. E partiu. No dia 25 de outubro, uma quinta feira, lá estavam de regresso o velho Ferreira e o Zuza, já crescido, com ares de homem, falando grosso e com sotaques estrangeirado. Nas suas malas trazia o Zuza, caladinho, uma bola de couro.

Já em terra, o garoto tratou de passar a língua aos amigos e logo no domingo, pela manhã, lá se foi o Zuza, contente, rumo ao campo da Polvora, com sua bola na mão.  Na Lapa encontra os velhos amigos irmãos Tapioca, Petersen e Drumond, e arrebanha-os para o campo da Polvora. A molecada, vendo aquele home com uma bola na mão, acompanhou-o. Formou um grupo no meio campo. Deu algumas instruções. Todos pegaram na bola. Que prazer! Corre Zuza atrás de duas pedras.  Acha-as. Coloca-as a certa distância uma da outra, 10 metros, pouco mais ou pouco menos. Estava feito o gol. Em seguida volta para o meio do campo. Divide os rapazes. Um “keeper”, dois “backs”. E cinco “forwards”. Isso feito, dá um lindo “shoot”, verdadeiro foguete. Estava introduzido o futebol na Bahia o 28 de outubro de 1901.

(Do Livro de Tomas Mazzoni - História do Futbebol do Brasil). 



AS PRIMEIRAS NOTICIAS NOS JORNAIS. A respeito desse acontecimento.

O jornal, O Comércio, do dia 17 de outubro de 1901, publicou o seguinte – “Foot Ball no sábado a tarde, 19, e no domingo pela manhã, se realizarão dois matchs nesta cidade, entre rapazes dos clubes daqui e os do Rio, que para esse fim vieram a esta capital especialmente”.
O Jornal do Brasil, no dia 21 de outubro de 1901 anunciava – “ O match de foot-ball ficou empatado novamente, sem nenhum dos lados fizessem ponto algum”.

Esta foi a primeira vez, no Brasil, que um Jornal dava noticiário de um match deste interessante sport entre o dois Estados.


Fonte do livro de Tomaz Mazzoni – História do Futebol do Brasil – 1894 a 1950.




Um dos pioneiros no futebol carioca.


O futebol no Rio teve vários pioneiros chefiados por Oscar Cox, mas careceu na primeira hora de organização. Não se constituíram em clube os rapazes que começaram a propagar o jogo na Capital Federal, mas tinha o mesmo entusiasmo dos capazes de São Paulo. Estava lá para 1899 lançada a semente do association com a realização das primeiras partidas. Paulo Varzea cita episódios e nomes que historiam bem aqueles tempos, que foram o berço do esporte bretão no Rio de Janeiro.

No Rio o futebol já se libertara daquele exclusivismo em que era mantido pelos quadros de Paissandu e Rio Cricket, para ser liberado por brasileiros, estudantes e empregados do comércio, tal qual sucedera em São Paulo em1899, particularmente pelos Etchgaray, os Brias, os Moraes, etc ... Orientava-os Oscar Cox, aquele infatigável propugnador do jogo ali. Mas os cariocas continuavam-na fase inicial de 1896, de São Paulo.

Enquanto a Paulicéia já dispunha de 5 clubes, no Rio o futebol era praticado por simples quadros, meros grupos de adeptos, que não chegavam a constituir-se em clubes. Em 1900 apenas 3 quadros cultivavam futebol na terra carioca, um em Niterói e dois no Distrito Federal. Verdadeiramente aptos à prata do jogo existiam apenas 2 quadros, um composto de elementos do Rio Cricket, sediado em Icaraí, no qual figuravam alguns Cox (parente de Oscar) e, outro sediado no Distrito Federal, constituído de elementos nacionais, que o denominavam Fluminense Team.

Quando na Paulicéia já se realizavam vários jogos interclubes, no Rio o futebol se limitava a partidas espaçadas, jogadas nos campos do Rio Cricket e do Paissandú, este transformado no primeiro campo realmente carioca, tanto que foi ali que os paulistas, em outubro de 1902, jogaram suas primeiras partidas no Rio. Em 1900 foram efetuados dois encontros entre os do Rio Cricket e os do Paissandu vencendo’ os de Niterói poe 2x0 e os do Rio por 3x1.

Do Livro de Tomas Mazzoni – História do Futebol no Brasil.


  




VIAGEM DO E.C. RIO GRANDE A PORTO ALEGRE.
De posse da incumbência que tomara em Rio Grande, o sr. Oscar Canteiro iniciou e Porto Alegre, no dia 27 de agosto, demarches para a vinda da caravana. A primeira providência foi visitar o “Correio do Povo” afim de solicitar o seu concurso, e, no dia 30, convocou uma reunião dos presidentes dos principais clubes de Porto Alegre, afim de trocar ideias. A sessão teve lugar na sede do R. C. Porto Alegre, sobre o Guaíba, defronte à Praça da Alfandega, e muitas ideias foram trocadas, pois, segundo os jornais da época, a reunião terminara muito tarde, depois das 22 horas.
Em nova reunião, realizada no dia 2 de setembro de 1903, ficou definitivamente constituída a comissão organizadora das festas a serem efetuadas em homenagens a embaixada do E.C. Rio Grande., que vinha mostrar aos porto-alegrenses uma espécie de divertimento, ainda não conhecida.

Organizado o programa das festas e da recepção foi o mesmo distribuído em boletins, onde era também solicitado ao comércio, o fechamento de suas portas, no dia 7 de setembro, feriado nacional. No dia 6 de setembro de 1903 a população amanheceu envolvida num ambiente de grande alegria e curiosidade. É que deveria chegar a Porto Alegre a caravana do Esporte clube Rio Grande, portadora de conhecimentos esportivos que vinha servindo de tema a todas as palestras.

Eis como o Correio do Povo em sua edição de 8 de setembro de 1903, descreve o acontecimento: “O povo formou um circulo em torno dos sinais, e pouco depois os grupos denominados Cores e Brancos, começaram a luta renhida de futebol. E a bola do violento jogo não teve mais um momento de descanso; com os pés ou com as cabeças dos jogadores, eras ela arremessada a uma distância, dando à luta ampla margem a episódios interessantes”.

  O público aplaudiu com entusiasmo o novo genero de esporte, geralmente desconhecido entre nós. Depois de duas horas de esforço, nenhum dos dois grupos alcançaram a vitória, pois ambos se batiam valentemente e as forças dos contendores estavam equiparadas. Os jogadores de futebol, que demostraram ter conhecimento do jogo, tornando-se dignos de aplausos.

Convém registar que o público se manteve numa compostura digna de encômios. Sem que a força pública houvesse comparecida, a ordem foi mantida em toda linha.

(Do livro Tomas Mazzoni – HISTÓRIA DO FUTEBOL NO BRASIL





Escudo do clube mais antigo do futebol brasileiro
Sporte Club Rio Grande.


O COMEÇOU NA CIDADE DO RIO GRANDE.
Quando, no dia 24 de agosto de 1903, o sr. Oscar Canteiro, regressando de uma viagem do Rio de Janeiro., acedeu na cidade do Rio Grande em ser o emissário do Esporte Clube, para em Porto Alegre conseguir a anuência dos clubes da metrópole na vinda de uma embaixada daquela grêmio rio-grandense a capital sulina, afim mostrar o que era o novo esporte do futebol, mal poderia conceber que estava iniciando um movimento que teria, num futuro muito próximo, a participação de milhares de jovens da nossa terra.

Na cidade marítima existia desde 14 de julho de 1900, um clube para a pratica do desporto bretão, o E. C. Rio Grande, que fazia esforços para tornar mais conhecido na fundação de novos grêmios não só no Rio Grande como em Pelotas, Bagé etc. Na terra de Marcilio Dias, havia já em 1903, cinco clubes que se dedicavam ao novo desportos, inclusive um formado exclusivamente de meninos de 8 a 10 anos.

Só Porto Alegre permanecia indiferente ao esporte que estava revolucionando a mocidade no início do século XX. De volta de uma longa viagem à Europa, o jovem Artur Cecil Lawson que, da Inglaterra, pátria de seus antepassados, trazia o entusiasmo pelas causas esportivas, e, especialmente, pelo futebol, favoritos dos ingleses. Foi seiva nova no clube já com 75 sócios, sendo que, destes, 2 terços eram brasileiros. Lawson concebeu a ideia de realizar uma excursão a Porto Alegre, para ser feita uma demonstração do futebol, mas logo cedo o mundo achou impossível.

 Como e por que iriam os patrões dar uma licença longa – uma semana no mínimo – aos seus empregados? O trabalho era uma coisa séria seria e, férias, um sonho inda muito longinquo. Porém, depois de uma sessão agitada no Esporte Clube foi resolvido organizar uma comissão afim de percorrer o comércio e solicitar as licenças necessárias. Manda a verdade que se diga que a comissão encontrou menos dificuldades do que se esperava. Um ou outro patrão resmungou, mas acabou cedendo.

Amanhã falaremos como foi a excursão a Porto Alegre.


(livro de Tomaz Mazzoni – História do Futebol no Brasil).





Belfort Duarte


PRIMEIRO CAMPEONATO DE FUTEBOL NO BRASIL.
Casimiro da Costa cumpriu a promessa feita a seus companheiros. Adquiriu, uma taça de prata de um ourives francês, estabelecido à rua S. Bento. Seria o troféu para primeiro campeonato paulista. A animação da rapaziada cresceu. Os cinco clubes concorrentes – São Paulo Athetic, Mackenzie, Internacional, Germânia e Paulistano começaram a se preparar. Foi marcado o dia primeiro jogo no Parque Antártica. Este campo era do Germânia, o Velodromo do Paulistano e o campo da rua da Consolação do São Paulo Atletic.

Portanto, o certame paulista de 1902, o primeiro realizado no Brasil contou com três campos. O jogo inicial foi vencido pelo Mackenzie, por 2x1. A partida contou com a presença do nosso meio esportivo e se desenrolou brilhantemente, tendo despertado grande curiosidade aos primeiros assistentes de futebol em São Paulo. O quadro do Mackenzie fez uma exibição desembaraçada de futebol, o mesmo sucedendo ao Germânia, destacando-se de ambos os seguintes elementos: Belfort Duarte, Warners, Sampaio, do Mackenzie e Nobiling, Muss, Rietcher e Cirschner do Germânica. A partida acabou assinalando a vitória dos mackenzistas por 2x1, sendo que os pontos foram conquistados por Eppinhaus e Alicio e por Kischner.


Estava inaugurado, com êxito, o primeiro torneio oficial de futebol paulista, que prosseguiu a 8 do mesmo mês, no Velodromo entre o Paulistano e São Paulo Athletic, tende este vencido por 4x0. Charler Miler foi o artilheikro do campeonato com dez gols.

Do livro de Tomaz Mazzoni - História do Futebol no Brasil.




PRIMEIRA LIGA DE FUTEBOL
Em 1901, Casimiro Costa e seus companheiros começaram a incentivar a ideia da fundação de uma Liga de Futebol. E de conversa em conversa Casimiro Costa foi preparando o espírito da rapaziada para a primeira reunião.

E com este incentivo, os clubes paulistanos se reuniram na noite de 13 de dezembro de 1901, por convocação pessoal do próprio “Costinha”, levada aos jornais, na sede do Internacional, na Rua Bonifácio, esquina de São Bento. Mas por terem comparecido somente os representantes do C.A. Paulistano, do Germânio e do Internacional, foi a reunião transferida para outro dia. Entretanto “Costinha” aproveitou o momento para expor seus planos. Então, um dos companheiros o interpelou assim – “Mas, como vamos fundar isso e como havemos de manter essa Liga, com que dinheiro?”  “Costinha” respondeu: “Com organização, passando a cobrar entradas nos campos e desse produto 50% será para os clubes e 50% para a Liga”. E reforçou seus planos, mostrando os estatutos de entidade da Europa. Sua exposição causara efeito. Foram escolhidos, para cores da novel entidade, o preto, encadernado e branco.


No outro dia foi realizado mais uma reunião ou mais uma no dia 19 do mesmo mês na qual foi realizada a eleição da primeira diretoria que ficou assim constituída: Presidente, Antônio Casimiro Costa. Vice-Presidente, H.Nobling. Secretário: Arthur Revache. Tesoureiro: Tancredo. Na mesma reunião, foram tomadas medidas relativas a realização do primeiro Campeonato Paulista de Futebol. 






HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

O PRIMEIRO ESTÁDIO.
É fora de dúvida que o primeiro estádio para a prática do futebol que o Brasil teve foi a Chácara Dulley, em São Paulo, pois lá, onde se instalara o São Paulo A.C., nos seus primeiros anos de vida, se fixaram os primeiros bate-bola e se improvisaram os primeiros treinos. A Chácara Dulley ficava onde hoje é a Rua Três Rios.

Em seu histórico o S.P.A assim se refere ao seu primeiro campo:
“Logo após sua fundação, o clube estava em condições de praticar esportes, isso devido à gentileza da família Dulley, que cedeu sua Chácara situada no Bom Retiro, nas vizinhanças do Jardim da Luz. Nessa Chácara, em 1892, hospedou-se um quadro argentinas de jogadores de cricket”.


Do livro de TOMAS MAZZONI – História do futebol no Brasil-1894 -1950.





RUI BARBOSA DE MAL COM O FUTEBOL

No mês de julho de 1916, quando a Seleção Brasileira foi disputar o primeiro Campeonato Sul Americano, em Buenos Ayres, havia escassez de navios devido a primeira Grande Guerra Mundial. O navio disponível era o Júpiter, que levaria a Capital Argentina, a delegação Plenipotenciária do Brasil que iria participar de um Congresso do Centenário de Tucuman e que foi fretado para esse fim, tendo apenas um terço dos seus camarotes ocupados.

Diante disso, o Ministro do Exterior, Lauro Miller, pensou em embarcar a nossa delegação de futebol, também no Júpiter, e telefonou para o Conselheiro Rui Barbosa, que era o chefe da comitiva diplomática.

“Olha, Sr. Conselheiro, os jogadores brasileiros que irão para o Sul Americano de Futebol também viajarão no Júpiter. Estou telefonando para avisar-lhe da minha decisão”.

No mesmo instante, veio a resposta de Rui Barbosa –

“Pois saiba o senhor, que eu, minha família e meus auxiliares não viajaremos com essa corja de malandros”.

“Mas, senhor Conselheiro, eles são jogadores da nossa seleção.”

“Futebolista é sinônimo de vagabundos, e pode escolher imediatamente, Senhor Ministro – Ou eles ou eu”.

O navio Júpiter partiu sem os jogadores da seleção que tiveram de viajar de trem até Buenos Ayres. Uma viajam de cinco dias.




HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILEIRO

CHARLES MILER, ao regressar ao Brasil, julgou que encontraria o futebol já lançado aqui. Sofreu decepção, tanto assim que trouxera seu material de jogo, entre o qual havia uma bomba, um enfiado, 2 uniformes, um do Colégio e outro do clube da cidade pois jogara também pelo Corinthians e pelo Souhampton.

Chegado a Paulicéia, não viu nada de futebol. Encontrou apenas um clube, o S.P.A, fundado em 15 de maio de 1888, pelos srs. W. Snape, P.Mlier, W.Fox Rule, P.V.Creew e T.Hobbs, que ali propagavam o cricket. De futebol, si falavam era para relatar jogo realizados na Inglaterra. “Aqui não se pode fazer sua pratica, porque faltam campos e aderentes”.

Mas aquilo não desanimou Miler, que ingressou no S.P.A., disposto a introduzir ali o futebol. Assim, Charles começou persuadindo os consócios. “Que deixasse a monotonia do cricket e tentassem a pratica do futebol. Ele forneceria as bolas, as regras”. Mas que bolas? Onde estão? – indagaram os companheiros de clube. E a resposta de Miler foi esta: “As que eu trouxe comigo, pois não sabem vocês que eu trouxe duas bolas, juntamente com meu diploma...” ”Mas então vamos ao jogo, atalhou um deles”. Charles Miler, lhes dizia: “O chute se dá assim, o corner assado, o pênalti, deste jeito etc.”

Ainda Charles Miler, dá o seguinte testemunho da partida inicial:
“Logo que sentimos mais traquejados e que o número de praticantes havia crescido, convoquei a turma para o primeiro cotejo regulamentar, denominando o quadro um, de The Team do GAZ , o que era integrado por empregados daquela Companhia, e o outro de The S.P. Railway Team, formado de funcionários desta ferrovia. Foi isso a   14 ou 15 de abril de 1895. Ao chegar no campo, a primeira tarefa que realizamos foi enxotar do mesmo os animais da C. Viação Paulista, que ali pastavam. Logo depois iniciamos nosso jogo, que transcorreu interessante, sendo que alguns companheiros jogaram mesmo de calças, por falta de uniforme adequado. Venceram os S.P. Railway, por 4x2, entre os quais eu formava, e que eram na sua maior parte, sócios do S.P. Athletic. Quando deixamos o campo já estava assumido o compromisso de promovemos um segundo jogo, sendo que a exclamação foi esta: “Que ótimo esporte, que joguinho bom”. Outras partidas realizamos, mas já na chácara Dulley, onde finalmente acabamos incorporando o futebol ao clube S.P.A, que foi o primeiro campeão brasileiro desse esporte”.

Do livro – História do Futebol no Brasil – 1894 – 1950.





TAÇA JULES RIMET.


Durante o Congresso da FIFA, em 28 de maio de 1928, época dos Jogos OIimpicos de Amsterdam, por proposta do Comité Executivo daquele órgão, ficou decidido que seria levado a efeito um campeonato mundial. Apareceram, então, seis países candidatos a organizarem o primeiro certame: Hungria, Holanda, Espanha, Suécia e Uruguai.

No Congresso de Barcelona, em 1919, a FIFA ficou o ano de 1930 para a disputa da Primeira Copa do Mundo e escolheu o Uruguai como sede do referido campeonato. A escolha fundamentou-se em três motivos: a) prestígio do futebol uruguaio com a conquista dos títulos olímpicos de 1924 e 1928. b) o Uruguai comemoraria em 1930 o centenário de sua independência. c) a Associação Uruguai de Futebol oferecia vantagens financeiras aos participantes.

Decidida a promoção do mundial, JULES RIMET, Presidente da FIFA, ainda em 1929, como uma das últimas providências para concretização do seu grande sonho, mandou confeccionar pelo artesão ABEL  LAFLEUR, em Paris, uma bela taça, que depois, por decisão do Congresso da FIFA, realizado em Luxemburgo, em, 01 de julho de 1946, levaria o seu nome.

O rico troféu representava uma Vitória alada, levando em suas mãos, levantadas sobre a cabeça, um vazo octogonal em forma de copa. Era de ouro puro (um quilo e oitocentos gramas) e seu peso total correspondia a quatro quilos, com trinta centímetros de altura, incluindo a base de mármore em que se apoiava. Ao pé da mesma, em placas especiais, passaram a figurar o nome gravado dos vencedores dos mundiais até 1970. A taça Jules Rimet ficou pronta em abril de 1930, antes da Copa do Mundo e os gastos totais atingiram 50 mil francos, uma fortuna para a época.

Com a conquista em definitivo da Taça Jules Rimet, para o mundial de 1974, foi instituído um novo troféu. O Comité Executivo da FIFA, reunido na cidade de Atenas, em janeiro de 1971, deliberou pela confecção de uma nova taça com a denominação de COPA MUNDIAL DA FIFA. Após uma comissão especial examinar projetos apresentados por 53empresas europeias de sete países, decidiu pelo projetoi da Companhia Bertoni de Milão.

O autor do projeto vitorioso foi o milanês Silvio Cazzaniga,, chefe da firma Bertoni, e com passagem pela Escola Superior de Artes de Milão.A Copa Mundial simboliza a força e a pureza das disputas esportivas mundiais, representadas por dois atletas segurando o globo terrestre. É de ouro maciço, de 18 quilates, pesando cinco quilos e medindo 49 centímetros de altura, incluindo a base. Na aludida base existe espaço


...................................................................................................


A CRÔNICA ANTES DO PRIMEIRO JOGO ENTRE CARIOAS E PAULISTAS.
O jornal “O Comércio” de São Paulo, do dia 17 de outubro de 1901 publicou: “Foot Ball no sábado à tarde, 19, e no domingo de manhã, se realizarão dois matches de foot- ball nesta cidade, entre os rapazes dos clubes daqui e os do Rio de Janeiro, que para esse fim vieram a esta capital.


É a primeira vez no Brasil que se joga um match deste interessante sport entre os dois Estados, e se acrescentarmos que são brasileiros os rapazes que, na maior parte, vem do Rio. Há um justo motivo para que regozijamos, porque, finalmente, a nossa gente começa a se dedicar com afinco esses utilíssimos exercícios, cujos benefícios, para nossa futura geração se hão de patentear na sua robustez physica, condição essencial em todos os ramos de labor humano. Aos nossos leitores que aconselhamos não perderem um minuto deste interessante encontro, prometemos todos os pormenores que se possa guiar e conduzir nesta curiosa prova de foot-ball.



Fausto dos Santos

PRIMEIRAS CONVERSAÇÕES PARA SE PROFISSIONALIZAR O FUTEBOL.
No início da década de trinta começaram as primeiras conversações para se profissionalizar o futebol. Os melhores jogadores do Brasil estavam indo para a Europa. Jaguaré e Fausto foram para o Barcelona. Assim, Vasco, Fluminense e América criaram a Liga Carioca de Futebol no dia 23 de janeiro de 1933. Era uma Liga de clubes profissionais. Flamengo, Botafogo e São Cristovão foram contra e permaneceram na Associação Metropolitana de Esportes Atléticos. Quando começaram a perder seus principais jogadores, Flamengo e São Cristovão aderiram ao profissionalismo. O Botafogo ficou sozinho.


Fonte: Livro de Tomaz Mazzoni – História do Futebol Brasileiro - 1894 a 1950.



1933 - Bangui campão carioca.

PRIMEIRO CAMPEONATO CARIOCA.
O primeiro campeonato carioca de profissionais aconteceu em 1933 om Vasco, Fluminense, Flamengo, Bonsucesso, América e Bangu. O Bangu foi o campeão em decisão contra o Fluminense nas Laranjeiras. O Bangu venceu por 4x0. O primeiro artilheiro em campeonatos de profissionais no Rio de Janeiro foi Tião do Bangu com 13 gols. O time do Bangu tinha 90% de mulatos e pretos. Nesse ano começaram a aparecer no Vasco os jogadores Domingos da Guia e Leônidas da Silva. Depois, eles foram alguns dos maiores jogadores do futebol brasileiro.

Do livro de Tomaz Mazzoni – 1894 a 1950.




Time do Vasco da Gama em 1923.

O primeiro clube a oferecer “BICHO” para seus jogadores foi o Vasco da Gama. Com as sucessivas vitórias do Vasco no ano de 1923, seus dirigentes viram a necessidade de ajudar seus atletas no seu sustento. A ajuda veio através de animais e algum apoio financeiro em forma de salário.

O primeiro clube carioca a usar em seu time pretos e mulatos foi o Vasco da Gama em 1923 e com esse time conquistou o campeonato da temporada. A partir de 1923, o futebol carioca passou a não ter apenas o rapaz de boa família, o estudante e o branco como jogadores de futebol. Eles passaram a competir com o pé rapado, o preto, o analfabeto para ver quem era melhor.

Quando o Vasco, time de pretos e mulatos, começou a surgir como o melhor time do futebol carioca e se sagrar campeão em 1923, os clubes de ricos como o Fluminense e Botafogo, criaram a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos. Segundo a Associação, os jogadores para participarem o campeonato teriam que provarem que eram empregados. Dirigentes do Vasco, ajudados pelos associados, colocaram seus atletas como funcionários de estabelecimentos de portugueses. A Associação atacou novamente o Vasco. Agora, os jogadores teriam de assinar uma SUMULA antes do início de cada jogo. Se não assinassem não jogariam. Grande parte dos jogadores do Vasco eram analfabetos. Dirigentes vascaínos contrataram professores para ensinar caligrafia a seus atletas e aprenderam a assinar seu nome. E o Vasco continuou ganhando dentro e  fora do campo.

Fonte:Livro do Tomaz Mazzoni - HistóriadoFutebol do Brasil- 1984 a 1950.




Time do Paulistano da época.

PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO POPULAR.


Em 1905, o Paulistano ganhou o campeonato paulista, acabando com a hegemonia do São Paulo Atletic e conquistando seu primeiro título. Na noite dos festejos, após o banquete, os jogadores foram convidados a irem ao Teatro Politheama. Aos chegarem ao Teatro, os atores já estavam em cena, representando o primeiro ato. Os campeões entraram silenciosamente na plateia, mas foram reconhecidos. Os aplausos foram tantos e tão demorados que as luzes acenderam, o pano do palco baixou, o espetáculo foi interrompido e os aplausos perduraram por vários minutos, dele participando todos os componentes da Cia. Teatral, que vieram ao palco, com os atores e as atrizes atirando beijos. Essa foi a primeira manifestação de caráter popular ocorrida no Brasil, saudando um time campeão. O Paulistano foi o primeiro clube a ser campeão com todos os jogadores brasileiros. O São Paulo Atletic que tinha sido tricampeão paulista, todos os jogadores eram ingleses.

Do livro - A História do Futebol do Futebol do Brasil - 1904 a 1950.



Juízes e jogadores entram em campo.

   TEMPORADA DO FLUMINENSE A SÃO PAULO EM 1904.

UM FATO HISTÓRICO aconteceu com o Fluminense quando ele realizou uma temporada por São Paulo.

O clube carioca chegou a capital bandeirante na manhã do dia de novembro de 1904. Jogou a tarde contra o Germânia e perdeu por 4x3. No dia seguinte enfrentou o Mackenzie e foi derrotado por 1x0. No dia 6, jogou contra o Paulistano e perdeu por 2x0. No dia 7 foi derrotado pelo Internacional por 1x0 e no dia seguinte encerrou a temporada perdendo para o São Paulo Atletic Club por 3x0. Foram cinco jogos em cinco dias e cinco derrotas. O Fluminense somente usou onze jogadores nos cinco jogos. Não foi nenhum reserva em sua delegação.

O Fluminense foi alvo de inúmeras homenagens, e a cada derrota recebia um banquete no Restaurante do Hotel D´Desoc, onde estavam hospedados. Esta façanha do Fluminense cinco jogos, cinco derrotas, em cinco dias faz parte do livro dos recordes “GUINNES”.

Do livro de Tomaz Mazzone – A História do Futebol Brasileiro – 1984 a 1950.

 

PRIMEIRO JOGO ENTRE CARIOCAS E PAULISTAS

  

Jogadores da Seleção Carioca antes do embarque de trem para São Paulo.

No Rio de Janeiro, por iniciativa do Oscar Cox, foi realizado a primeira partida entre brasileiros e membros da Colônia inglesa. O jogo foi realizado no dia 01 de agosto de 1901, no campo do Rio Cricket e teve a presença de apenas quinze pessoas. A partir deste jogo, Oscar Cox ficou entusiasmado e passou a se corresponder com Renê Vanorden do Internacional de São Paulo, além de Charler Miller e Cassemiro Costa para a realização do primeiro jogo entre cariocas e paulistas.

A partida aconteceu no dia 19DE OUTUBRO DE 1901, no campo do São Paulo Atletic. Na véspera do jogo, os cariocas viajaram de trem para São Paulo e cada jogador sua passagem (foto). Dois dias antes do embarque, Oscar Cox consultou os dirigentes da Estrada de Ferro Central o Brasil sob a possibilidade da delegação carioca viajar de cortesia, ou pelo menos, merecer um abatimento no preço das passagens. A resposta foi a seguinte – “A Estrada de Ferro Central do Brasil não foi feita para passeios de malandros e desocupados”.

Foram realizados dois jogos.  No primeiro, 1x1 e os times formaram assim:
Cariocas com Shubach, M.Farias e L.Nobrega. Oscar Cox, Wright e Mc.Collock. F.Walter, Horacio Santos, Julio Moraes, E. Moraes e Felix Frias.
Paulistas com Holland, Belfort Duarte, e Hans Nobilling, Vanorden, Jeffery e Muss. Ibãnez SDales, Boyes, Cassemiro, Charles Miller e Alício de Carvalho.
O juiz foi o senhor Lamont.

No dia seguinte aconteceu o segundo jogo. Novamente empate: 2x2. Com os mesmos jogadores e o mesmo juiz. Conforme estava programado, depois do jogo, os paulistas ofereceram um grande banquete a delegação cariocas, no Rotisserie Sport, com distribuição de brindes e inflamados discursos pelo grande feito, tendo como oradores OSCAR Cox e Charles Miller. Assim começou o intercâmbio entre cariocas e paulistas.


Fonte. Do Livro de Tomas Mazzoni – História do Futebol do Brasil – 1894 a 1950.




DATAS HISTÓRICAS DO FUTEBOL BRASILEIRO




Charles Miller - Ele introduziu o futebol no Brasil.

A primeira BOLA a chegar ao Brasil, foi trazida por Charles Miller que estudava na Inglaterra. Ele trouxe duas bolas em 1894.

O primeiro ESTÁDIO DE FUTEBOL, no Brasil, surgiu no Velodromo, em São Paulo. Foi inaugurado em 1875 para disputar competições de ciclismo. Em 1902, foi reformado para ser um campo de futebol, se transformando no primeiro estádio de futebol no Brasil, sendo palco de memoráveis jogos..

A primeira PARTIDA DE FUTEBOL, realizada no Brasil, aconteceu no dia 14 ou 15 de abril de 1895, em São Paulo, entre o The S.P. Raiway 4 x The Team do Gaz 2.

O primeiro clube a PRATICAR FUTEBOL no Brasil foi o São Paulo Atletic Club fundado no ano de 1888 para prática de Crickt.

O primeiro CLUBE A SER FUNDADO no Brasil foi o Sport Clube Rio Grande no dia 19 de julho de 1900, no Rio Grande do Sul. Em decorrência desta data, ficou estabelecido que o DIA DO FUTEBOL seria 19 de julho.

A primeira ENTIDADE DE FUTEBOL foi a Liga Paulista de Futebol, fundada no dia 19 de dezembro de 1901. Os clubes que fundaram a entidade foram: São Paulo Atletic, Associação Atlética Mackenzie Colege, Sport Clube Internacional, Sport Clube Germânia e Clube Atlético Paulistano.

O primeiro JOGO OFICIAL realizado no Brasil aconteceu na abertura do Campeonato Paulista de 1902. Aconteceu no Parque Antártica onde jogaram Mackezie 2 x Germânia 1. O PRIMEIRO GOL foi assinalado por Eppinggaux do Mackezie.

O primeiro CAMPEÃO OFICIAL no Brasil foi o São Paulo Aletic no campeonato paulista de 1902.

O primeiro ARTILHEIRO de um Campeonato oficial no Brasil foi o introdutor do futebol no Brasil, Charles Miller. Jogando pelo São Paulo Atletic marcou no campeonato de 1902 dez gols em novo jogos.
O primeiro LIVRO SOBRE FUTEBOL escrito no Brasil foi – Dicionário do Futebol, escrito por Guy Gay em 1905.

Fonte – Livro do Tomas Mazzoni – História do Futebol do Brasil – 1894 a 1950.