sábado, 4 de agosto de 2018


JOGOS INESQUECÍVEIS



1941 - DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA.
FLUMINENSE 2 X FLAMENGO 2

Primeira parte
 
   
Pedro Amorim
Autor do primeiro gol do Fluminense

Ao Flu bastava o empate. O Fla atacava desesperado. É bola na Lagoa!  Os tempos eram outros, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, livre ainda dos aterros e da especulação, chegava bem juntinho ao muro do estádio da Gávea. Um muro baixo, indigno da decisão. E não havia essa fartura de bolas que se vê hoje em dia. Uma só bastava, de acordo com a regra. E disso se aproveitou o Fluminense, com apenas dez homens em campo, para segurar o empate de 2x2 e garantir o título carioca de 1941. A cada ataque desesperado do Flamengo, a becança tricolor dava um bicão na bola – não para rápido contra-ataque, mas por cima do muro, para as águas da Lagoa. E a cena ficou famosa.

Estamos no dia 21 novembro de 1941, um sábado. Mas não um sábado comum. Véspera de Fla-Flu, mas não um Fla-Flu comum. Este vai decidir o Campeonato Carioca. Há uma semana é o grande assunto na cidade e os jornais aproveitam para acirrar ânimos e despertar rivalidades. Os dois clubes chegaram à final na seguinte situação: para o Flamengo só vale a vitória; O Fluminense lhe tem um ponto de vantagem, precisando apenas de um empate. O técnico do Flamengo, Flávio Costa resolveu levar seu time para concentrar na cidade de Lorena, interior de São Paulo, mais exatamente na Fazenda do Ipê, do conselheiro Dario de Melo Pinto. O Fluminense preferiu ficar no Rio. O técnico tricolor, Ondino Vieira, não poderia contar com Spinelli que se machucara no jogo contra o Botafogo. A Federação Metropolitana de Futebol desmentiu um árbitro argentino e anunciou que o juiz poderia ser Juca da Praia ou Pereira Peixoto. O Flamengo volta de Lorena nas primeiras horas do sábado. O Fluminense descansa no palacete das Laranjeiras.

Dia da decisão. Uma hora da tarde. O estádio da Gávea já não tem lugar vagos. Tudo pronto para começara decisão. No centro do gramado, o juiz Juca da Praia espera impacientemente que os remadores do Flamengo, que desfilavam, cheguem até a tribuna de honra para prestar uma homenagem ao Ministro da Guerra, Eurico de Gaspar Dutra. O Flamengo foi o primeiro a entrar em campo, tendo à frente o goleiro Iustrich. Pouco depois foi a vez do Fluminense, liderando a fila o argentino Renganeschi. As 16 horas e 15, começa o jogo. O Flamengo jogava com Iustrich. Nilton e Domingos. Biguá. Volante e Jayme. Sá. Zizinho. Pirilo. Reuben e Vevé. O Fluminense com Batatais. Machado e Renganesachi. Malazzo. Brant e Afonsinho. Pedro Amorim. Romeu. Ruço. Tim e Carreiro. O Flamengo domina e o estádio prece balançar de tanta vibração. Mas o Fluminense, aos poucos, vai se impondo.

Aos 20 minutos: Fluminense 1 a 0. Carreiro bate um escanteio. A bola vem alta, passa por Nilton e cai no pé de Pedro Amorim. O baiano emenda com força, Iustrich salta atrasado e a bola vai para o fundo das redes. Aos 25 minutos: Fluminense 2 a 0. Carreiro dribla Nilton e manda de primeira para a área. Iustrich saiu mal do gol e Ruço só tem o trabalho de chutar forte, pois a bola veio na medida. A Gávea está em silêncio. O Flamengo vai todo para o ataque, mas a impressão que se tem é que nada conseguiria neste primeiro tempo. A defesa adversária está firme. Batatais fecha o gol. Mas aos 35 minutos, Afonsinho comete uma falta na sua intermediária. Jaime resolveu lançar a bola sobre a área. Dá certo. Pirilo salta mais alto que Machado e consegue enfiar a bola no ângulo esquerdo. Batatais nada pode fazer desta vez. Aí mesmo é que  o Flamengo se inflama. Flávio Costa grita para que todos se lancem à frente; a torcida ajuda com sua empolgação. O gol não tirou a tranquilidade dos tricolores e o primeiro o primeiro tempo termina com os 2x1.

(Continua na terça feira)


                                1952 - CAMPEONATO BRASILEIRO DE SELEÇÕES - 
                               ALAGOAS 3 x SERGIPE 1 - JOGO DE 1963 MINUTOS 


                                            1952 - Seleção Alagoana que venceu Sergipe.
     Em pé: Zequito Porto (treinador). Paulo Mendes. Cacau. Bandeira. Dengoso. Castanha.
                                                  Cabelão e Dr. Alfredo Ramiro Bastos.
                           Agachados: Milton Mongôlo. Cão. Dida. Laxinha e Claudinho.


É importante recordar os jogos inesquecíveis, porque é sempre bom manter o fogo deste futebol fabuloso, que causa briga, desgosta, divide, mas também une e faz amigos.

Nunca uma torcida sofreu tanto como aquela que compareceu ao estádio do mutange no dia 23 de março de 1952. Os sergipanos haviam vencido o primeiro jogo em Aracajú. Precisavam apenas de um empate para se classificar. Alagoas tinha que lutar por duas vitórias. Uma no tempo regulamentar e outra na prorrogação. Impulsionado pela grande e entusiástica torcida, os alagoanos pressionavam a meta sergipana. Entretanto, num rápido contra-ataque os visitantes abriram a contagem. Bequinho aproveitou um cochilo da defesa alagoana e abriu a contagem aos treze minutos do primeiro tempo. Atordoados, os alagoanos permitiram que o jogo ficasse equilibrado. Mas, em uma jogada sensacional de Cão pela direita, veio um cruzamento e uma cabeçada de Laxinha para empatar a partida. Com 1x1 terminou o primeiro tempo.

No segundo tempo, logo aos quinze minutos, Claudinho aplicou uma maravilhosa bicicleta. A bola bateu na trave e, no rebote, Dida aproveitou para marcar o segundo dos alagoanos. A torcida vibrou nas arquibancadas e os jogadores dentro do campo. Sentindo que poderiam ganhar o jogo, e que seria necessária uma prorrogação, os alagoanos começaram a se poupar. Com isso, os sergipanos partiram para o ataque e transformaram o goleiro Bandeira na principal figura do jogo. Ele demonstrou toda sua habilidade, arrojo, boa colocação e muita experiência. O tempo regulamentar terminou com Alagoas vencendo por 2x1.

A primeira prorrogação de trinta minutos terminou em zero a zero. A segunda prorrogação, também de trinta minutos, outro zero a zero. A terceira prorrogação seria de quinze minutos, ou quem fizesse o gol, seria o classificado. E foi o que aconteceu. Aos treze minutos, uma escapada do ponteiro Cão pela direita, repetiu o lance do primeiro gol alagoano. Cão fez o cruzamento e Laxinha mergulhou para fazer o gol de ouro. Foi a bola bater nas redes de Zé de Gemi e o arbitro Luiz Zago terminar a partida. A torcida invadiu o campo para abraçar seus jogadores que estavam extenuados. Correram 163 minutos e, quase não tinham forças para  comemorar. Foi um carnaval festejado pela torcida. Depois de uma partida cheia de emoções, sofrida em todo seu transcorrer, não poderia ser diferente o desabafo dos torcedores. Cabe aqui, também, aplausos aos sergipanos que souberam perder sem usar a violência. Além do goleiro Bandeira, se destacaram na equipe alagoana Dida e Claudinho.

Detalhes do jogo.
Dia 23 de março de 1952
Estádio do mutange
Tempo regulamentar: Alagoas 2 x Sergipe 1
Gols de Bequinho (Sergipe). Laxinha e Dida (Alagoas)
Primeira prorrogação: 0x0
Segunda prorrogação: 0x0
Terceira prorrogação: Alagoas 1x0 – gol de Laxinha
Juiz: Luiz Zago (pernanbucano)
Alagoas: Bandeira. Cacau e Paulo Mendes. Castanha. Dengoso e Cabelão. Cão. Dida. Laxinha. Claudinho e Milton Mongôlo.
Sergipe: Zé de Gemi. Everaldo e ABC. Jaime. Quixabeira e Augusto. Nenem. Dunga. Bequinho. Walter e Essinho.


DECISÃO DO CAMPEONATO ALAGOANO DE 1963
CENTRO SPORTIVO ALAGOANO 4 x CLUBE DE REGATAS BRASIL 2




Vamos continuar registrando os acontecimentos da longa história do futebol alagoano. Jornadas sensacionais e inesquecíveis foram vividas anos atrás.  E através de um resumido relato procuramos transportá-los para os dias de hoje.

No campeonato de 1963, o CRB ganhou o primeiro turno e o CSA conquistou o segundo. Houve necessidade de uma melhor de três para decidir o titulo de campeão. No primeiro jogo, o CSA venceu por 3x2. Na segunda partida, houve um empate de 0x0. A grande decisão ficou para o terceiro encontro que se tornou inesquecível para a grande torcida azulina.

A partida foi realizada no Mutange em abril de 1964. Ao CRB somente interessava a vitória. Por isso mesmo, sempre procurou jogar no ataque. No primeiro tempo onde o clube da pajuçara chegou a dominar as ações e marcador em 2x1, o CRB estava sempre mais perto da vitória. Sentindo que jogando recuado poderia perder o jogo, os jogadores do CSA partiram para uma estupenda reação. Ajudados por sua grande torcida que gritava e incentivava seus atletas, os azulinos chegaram ao empate no final dos quarenta e cinco minutos iniciais.

No segundo tempo, com a experiência do treinador Pinguela, os jogadores do CSA se mantiveram no ataque e conquistaram uma vitoria consagradora por 4x2. É bem verdade que o CRB lutou bastante e valorizou a vitória dos azulinos. Quando o juiz apitou o final da partida, a torcida invadiu o campo para festejar com os jogadores mais um campeonato conquistado. Muitos motivos davam fortes razões para que os torcedores, atletas e dirigentes não contivessem às lágrimas de felicidade. É que todos venceram também as crises, as adversidades e o descredito. Era um desabafo justo e compreensível. Afinal, todos os obstáculos foram ultrapassados. Todos se lembravam que no primeiro turno, o CSA havia ficado em quarto lugar, atrás de CRB, Capelense e Estivadores. Ninguém se esquecera de que o inicio do segundo turno foi cheio de incertezas. Por tudo isso, foi preciso muita união. Muita força de vontade. Muita raça para superar a tudo e a todos. E um pequeno grupo que sempre acreditou nas tradições azulinas, viram a virada sensacional. Gigantesca. Heróica. Reabilitadora. E aquela tarde de 12 de abril de 1964 se tornou inesquecível para a história do Centro Sportivo Alagoano.

Outros detalhes da decisão.

Data: 12 de abril de 1964
Local: Mutange
CSA 4 x CRB 2
Gols de Jair dois. Pinga e Charuto para o CSA. Canhoto dois para o CRB
Juiz: Louraber Monteiro (pernanbucano)
Expulso: Márcio do CRB
CSA: Batista. Flávio. Sinval. Zé Cláudio e Marinho. Charuto e Bá. Roberto Mendes. Pinga. Jair e Deda

CRB: Moacir (João Carlos). Aguiar. Márcio. Bernardo e Paulo Brandão. Paulo Nylon e Cahú. Miro. Edinho. Canhoto e Canário.




                  1952 – UM JOGO DE 141 MINUTOS – AMÉRICA 1 X FLAMENGO 0  



Time do América no jogos dos 41 minutos.
Em pé: Edson. Osni. Didi. Miguel. Helio e Godfredo.
Agachados: Guilerme. Valeriano. Dimas. Ary e Romeiro.

               1952 – UM JOGO DE 141 MINUTOSAMÉRICA 1 X FLAMENGO 0  

Foi um dos jogos mais longos da história do futebol carioca. América e Flamengo decidiram o Torneio Municipal de 1952. Na falta de um regulamento esclarecedor, coube ao juiz Mário Vianna decidir como seria conhecido o campeão. Nos primeiros noventa minutos o marcador não saiu do zero a zero, mesmo com dois penaltis perdidos. Aluizio do Flamengo chutou para fora. Godofredo do América chutou e Antoninho defendeu. Na primeira prorrogação de trinta minutos também zero a zero. Na segunda prorrogação de quinze minutos o placar continuou mudo. Foi então que o juiz Mário Vianna decidiu: outra prorrogação com o “gol da lua”. Quem fizesse um gol ganharia o torneio. Aos seis minutos da terceira prorrogação, Ari do América fez o gol do titulo. Foi o maior alivio para todos os jogadores, do América e do Flamengo. Ninguém teve animo e condições físicas para comemorar a vitória ou chorar a derrota. Os jogadores se arrastavam em campo.

Uma partida em pleno maracanã onde apenas um pequeno publico prestigiou a maratona corrida e disputada por heróicos jogadores que jogaram até a exaustão por um êxito tão duvidoso e, acima de tudo, tão desumano. O América com sua melhor equipe. Osni. Miguel Cicarino, Edson e Godofredo. Didi e Helio. Guilerme. Valeriano. Dimas e Romeiro. O Flamengo com um time mesclado, sem sua força total. Antoninho. Japonês. Cido. Jadir e Beto. Valter Miraglia e Zagalo. Aloisio. Neca. Mauricio e Itamar.


PRIMEIRA VEZ O FLAMENGO EM MACEIÓ
 1950 - ALAGOAS 3 x FLAMENGO 3



1950 - Seleção Alagoana.
Em pé: Tenente Elisio. Benício Monte. General Mário Lima. Cão. Arédio. Zé Maria. Dario. Santa Rita. Não Identificado e Doquinha Santa Rita.
Ajoelhados: Euclides. Tomires e Severino.
Sentados: Jader. Epaminondas e Miguel Rosas.

Antes da copa do mundo de 1950, o Flamengo do Rio de Janeiro acertou um jogo para Maceió. Era a primeira vez que o clube da Gávea jogava em gramados alagoanos. A eufórica torcida alagoana se fez presente ao estádio do mutange para assistir um dos mais queridos clubes do futebol carioca enfrentar um combinado alagoano.

Um combinado alagoano que foi armado as pressas não poderia fazer frente ao poderoso Flamengo que vinha com grandes craques, mas três desfalques: Zizinho. Juvenal e Bigode estavam na seleção brasileira. Entretanto, naquele 05 de junho de 1950,  jogando na base da raça, do entusiasmo e muita vontade, o combinado alagoano se superou e somente permitiu o empate através de um gol irregular confirmado pelo juiz carioca Aristocílio Rocha. Com o estádio cheio e um publico vibrante, o jogo não teve um bom começo. O Flamengo, apesar de tudo, era melhor e chegou a envolver o combinado alagoano. Mesmo assim, os alagoanos se firmavam na defesa e atrapalhavam as ofensivas dos cariocas.  Com o passar dos minutos, equilibramos o meio campo e o ataque passou a produzir melhor.

Foi Zé Maria quem abriu a contagem. Um gol que nos deu a sensação que poderíamos vencer o Flamengo. Ainda no primeiro tempo, Arlindo empatou para o Flamengo. A etapa complementar foi igual em todos os sentidos. No campo e no marcador. Durval fez o segundo gol do Flamengo. Novamente Zé Maria empatou o jogo e Cão fez 3x2 para os alagoanos. O terceiro gol fez com que muitos torcedores invadissem o gramado para comemorar junto aos jogadores. O Flamengo partiu para tentar o empate de qualquer maneira. O combinado recuou para manter o resultado. O jogo ficou violento e perigoso. Quase no final da partida, Esquerdinha fez um passe para Eliezer que, se apoiando em Jader, cabeceou para Durval fazer o gol de empate. Houve protesto dos jogadores e da torcida. Mas o arbitro manteve o gol. É bom lembrar que o juiz veio com a delegação do Flamengo. No final, o resultado foi justo. A torcida ficou feliz com o espetáculo, mas decepcionado com a atuação do juiz carioca.

Detalhes do jogo.
Dia: 05 de junho de 1950
Amistoso: Combinado Alagoana 3 x Flamengo do Rio 3
Gols de Zé Maria dois e Cão (Alagoas). Durval dois e Arlindo (Flamengo)
Estádio: Mutange
Juiz: Aristocilio Rocha
Combinado: Epaminondas (Bandeira). Jader e Miguel Rosas. Severino. Tomires e Euclides (Dirson). Cão. Arédio. Zé Maria (Laxinha). Dario e Santa Rita (Hilton).
Flamengo: Claudio. Job e Newton. Biguá. Bria e Walter (Dequinha). Aluizio (Eliezer). Arlindo. Durval. Lero e Esquerdinha.



   A MAIOR VIRADA DA HISTORIA DO BOTAFOGO    
1948 - BOTAFOGO 5 X FLAMENGO 3




                                      1948 - O ataque do Botafogo naquela tarde memorável.

                                             Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e Braguinha.


Somente quem esteve em General Severiano pode dizer o que realmente aconteceu naquele dia de novembro de 1948. Somente eles poderão dar um testemunho sincero do espetáculo em sua grandiosidade dramática. Botafogo e Flamengo jogavam pelo campeonato carioca.

O Flamengo de Luiz Borracha. Newton e Norival. Biguá. Bria e Jaime. Luizinho. Zizinho. Gringo. Jair da Rosa Pinto e Durval. O Botafogo de Osvaldo. Gerson e Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otávio e Braguinha. O arbitro foi o inglês Mr. Devis. Nos primeiros quarenta e cinco minutos, os rubros negros foram melhores. O Botafogo parecia apático, frio, sem vontade. Uma jogada de Zizinho para Jair e Jair para Zizinho, um drible prá lá, outro prá cá, um passe para Gringo que deixou Durval livre na frente da meta de Osvaldo. Era o primeiro gol do Flamengo. Nova saída e outra jogada da dupla Jair e Zizinho e o segundo gol do Flamengo através de Gringo. A torcida rubro negra começou a balançar lenços brancos. Certo locutor da época dizia ao microfone de sua emissora: “Esse é o Flamengo do tri campeonato”. O clube da Gávea continuava jogando bem e sua torcida antecipava uma vitória sensacional.

De repente, tudo mudou. O Botafogo surgiu do nada e saiu em busca de uma reação. O Flamengo que não esperava aquele reação estremeceu. Recuou aguardando o adversário na defensiva. O placar do primeiro tempo terminou com 2x0 para o Flamengo. Logo no inicio da segunda etapa, Paraguaio recebeu uma bola em profundidade, driblou o goleiro Luiz Borracha e marcou o primeiro gol do Botafogo. Um gol no peito e na raça e que deu mais forças ao clube alvi negro. Sua torcida começou a acreditar no time. Mas, veio um lance que poderia ter enterrado a reação do Botafogo. O goleiro Osvaldo chutou a bola para frente que caiu nos pés de Gringo quase no meio do campo. O atacante do Flamengo devolveu com um chutão enquanto o goleiro voltava para sua meta e estava de costa para o campo. A torcida do Botafogo e seus companheiros,  começaram a gritar advertindo o goleiro. No desespero, Osvaldo correu, saltou, se abraçou com a bola e caiu dentro de sua meta. 3x1 para o Flamengo. Mas o Botafogo era bom, estava em ótima forma e não foi atoa que terminou campeão carioca naquele ano de 1948.

Mesmo assim, com 3x1 no marcador, ninguém duvidava da vitória do Flamengo. O Botafogo voltou a engrenar depois da anulação de um gol de Gringo quando bandeirinha assinalou impedimento confirmado pelo juiz. E veio o gol de Otávio: Flamengo 3x2. Logo depois, o gol de Braguinha: 3x3. Pirilo fez Botafogo 4x3 e Paraguaio sacramentou o placar fazendo Botafogo 5x3.  Pelas circunstân
cias que foi obtida era uma vitória inesperada e dramática. Porém, justa, honrosa e com formas de heroísmo.


Foi uma vitória que se encontra em lugar de destaque na história do Botafogo. 




Paulo Borges abriu o caminho para a vitória do Corinthians.

                     
A QUEBRA DE UM TABU - CORINTHIANS 2 x SANTOS 0 - 1968

Emoldurado por um tabu que durou onze anos, a rivalidade entre Santos e Corinthians não pode ser contada sem o testemunho do jogo que quebrou esse tabu.

Paulo Borges foi contratado em 1968 pelo Corinthians e chegou especialmente para quebrar o tabu de onze anos sem ganhar do Santos. E é o mesmo Paulo Borges quem conta esta história.

“Conversando com companheiros que tinham mais tempo do que eu no clube, dava para assustar. Eles diziam que contra o Santos não tinha jeito de vencer.  Se o Corinthians estava vencendo, no fim do jogo sempre acontecia alguma coisa, um penalti, uma falha lamentável  e o Santos virava o marcador. Contaram de um jogo que aos 43 minutos do segundo tempo Nair perdeu um pênalti . O Santos saiu jogando, foi lá e marcou o gol da vitória. O Santos daquele tempo não era mole. Sofria três e marcava quatro gols”.

Paulo Borges estava empolgado com o Corinthians. Tinha vindo do Bangu onde tinha sido campeão carioca em 1966, depois de 33 anos de espera. Mas repetia sempre que um jogador só podia se realizar se jogar no Corinthians.

Houve muita intriga nos dias que antecederam ao jogo. Vadi Helu queria que o jogo fosse realizado no Parque São Jorge, porque o Corinthians era o mandante do jogo. Depoisa de muita conversa, aceitou jogar no Pacaembu que ainda não tinha o tobogã, e mal podia acomodar 50 mil torcedores. Nas filas das bilheterias, não faltaram brigas e violências. Os cambistas fizeram a festa e venderam os ingressos por até três vezes mais caros. Edson foi julgado pelo TJD, mas foi condenado a pagar uma multa e podia jogar. Maciel recuperado de uma contusão também podia ser escalado. Buião teve sua documentação registrada a toque de caixa e ganhou condições de jogo. O Corinthians entraria completo: Diogo. Osvaldo Cunha. Ditão. Luis Carlos. Maciel. Edson. Rivelino. Buião. Paulo Borges. Flávio e Eduardo. No Santos o desfalque era Clodoaldo que era substituído por Negreiros. Cláudio. Carlos Alberto Torres. Ramos Delgado. Joel. Rildo. Lima. Negreiros. Kaneko. Toninho. Pelé e Edu. O juiz seria o argentino Roberto Goicochea, a quem ninguém fazia restrições. A festa seria da massa corinthiana que lotou o estádio do Pacaembu, apesar da transmissão direta da TV.

Paulo Borges começou a falar sobre o jogo. “No primeiro tempo, Toninho recebeu um passe de calcanhar de Pelé, a defesa ficou aberta, o gol escancarado e chutou na trave. Rivelino cobra uma falta e também manda na trave. Aos 13 minutos do segundo tempo veio o delírio. Recebi a bola de Flávio na intermediária   e fui levando. Como não apareceu ninguém para recebe-la de volta, eu chutei de fora da área. Pegou na veia, bem no angulo, impossível de ser defendida. Virei ídolo do Corinthians por causa disso”.

Não era, ainda, o momento de festa. O Corinthians, muitas vezes antes, já havia sido o primeiro a marcar. E, nunca é demais repetir, Pelé estava em campo. O Santos pressionada. Outra bola na trave de Diogo. O grito estava atravessado na garganta do corinthiano. Aos 31 minutos, Rivelino domina a bola no meio campo, dribla dois adversários e lança Eduardo na ponta esquerda, que cruza para a área. Um zagueiro santista corta de cabeça. O rebote volta para Rivelino que mesmo cercado por dois inimigos faz a volta toca para Flávio, completamente livre. Flávio chuta forte e certeiro: 2x0. A torcida endoidece. Gritos, foguetes, bandeiras, lágrimas, sorrisos incrédulos . A festa começou no Pacaembu, estendeu-se por toda a cidade num alonga e ruidosa procissão até o Parque São Jorge, varou a madrugada nas dependências do clube e durou três dias. Uma festa maior do que a do campeonato, dizem. Era o fim do medo. Acabou o tabu.

Revista placar de 1978.     

    

                        

                                          Os cinco atacantes do Botafogo campeão
                                 Rogério. Gerson. Roberto. Jairzinho e Paulo Cesar.

Abraços, justas comemorações, amplos sorrisos e muitas lágrimas nos vestiários do Botafogo. Todos queriam cumprimentar Zagalo e os jogadores que, ainda sujos de lama, voltavam para os vestiários depois de terem vencido o Bangú e conquistado o campeonato carioca de 1967.

A tensão nervosa das duas equipes e o estado lamacento e escorregadio do gramado, foram os fatores que impediram uma final com o brilho esperado. Na verdade, o primeiro tempo foi equilibrado e disputado com muita cautela, havendo poucos lances brilhantes. No segundo período, porém, o jogo foi muito corrido, mais movimentado e agradou ao torcedor que esteve no maracanã.

O Botafogo marcou seu primeiro gol ainda no primeiro tempo. Roberto se aproveitou de uma falha da defesa do Bangú e abriu a contagem.  Logo no inicio da segunda etapa, Mário empatou para o Bangú. Somente aos 22 minutos é que veio o gol do titulo e marcado por Gerson.  

O Bangú perdeu lutando e ficou muito bem com o vice-campeonato  carioca. Era uma equipe base do ano anterior que havia conquistado o titulo de campeão. Pena que o lamaçal, principalmente, no meio do campo do gramado do maracanã, permitisse que a bola parasse muitas vezes, de surpresa, e proporcionando tombos e escorregões desastrosos dos jogadores, não permitindo que os atletas mostrassem um futebol de primeira linha.

O jogo foi realizado no maracanã no dia 18 de dezembro de 1967.
Botafogo 2 x Bangú 1 –
Gols de Roberto e Gerson para o Botafogo e Mario para o Bangú.
Juiz: Antonio Viug
Renda: 220.902,00
Publico: 91.881 pagantes, apesar da chuva.
Botafogo campeão jogou com Manga. Paulistinha. Zé Carlos. Leonidas e Valtencir. Carlos Roberto e Gerson.  Rogério. Roberto. Jairzinho e Paulo Cesar Cajú. O treinador era Zagalo.

O Bangú vice-campeão atuou com Ubirajara. Cabrita. Mario Tito. Luis Alberto e Ari Clemente. Jaime e Ocimar. Paulo Borges. Del Vechio. Mario e Aladim.




A Seleção Brasileira do jogo da decisão.
Em pé: Eli. Augusto. Mauro. Danilo. Barbosa.Noronha e Jonhson (massagista).
Agachados: Mário Américo (massagista). Tesourinha. Zizinho. Ademir Jair e Simão..


DECISÃO DO CAMPEONATO SUL AMERICANO DE 1959
BRASIL 7 x PARAGUAI 0
         
O Brasil voltou ao gramado de São Januário numa quarta feira, 11 de maio, para decidir com o Paraguai o titulo de campeão sul-americano de 1949. No domingo anterior, os paraguaios venceram os brasileiros por 2x1. O Brasil tinha uma seleção de peso com verdadeiros craques na reserva. A torcida acreditava e superlotou o campo do Vasco da Gama, principalmente quando o técnico Flávio Costa colocou Ademir no lugar do Otávio. Imprensa e torcida achavam que o time tinha sido vitima de imperdoáveis erros técnicos e a atuação maravilhosa do goleiro Garcia. Seja como for, sobrava ainda a chance de uma revanche providencial com o mesmo Paraguai, onde iria valer o titulo de campeão. No novo jogo, o Brasil venceu por 7x0. São capítulos do futebol que muitos jornalistas esbarram em um grande problema para justificar, primeiro, a derrota, depois, a goleada.

A vitória do Paraguai, quatro dias antes, tinha sido cantada em prosa e verso como uma das mais belas páginas da história do futebol paraguaio. Afinal, ficava-se sem saber direito do que os paraguaios deviam orgulhar-se mais. Se daquela vitória de 2x1 ou da derrota de 7x0. Uma coisa era transparente, eles lutaram da mesma maneira e mostraram muita bravura. De todas as formas, os paraguaios realizaram os mesmos milagres de entusiasmo, tornando mais bela a vitória do Brasil.

No primeiro jogo os paraguaios foram cuidadosos e sentiram a superioridade técnica dos brasileiros. Mas, conseguiram a vitória na base da coragem e do coração. O que sobrou no Paraguai faltou no Brasil. Se tivéssemos um pouco mais garra, de coração, a derrota poderia ter sido evitada, apesar dos erros. O centro avante Otávio não estava bem. Com isso, o poder ofensivo brasileiro quase não existiu. Daí o porque da escalação de Ademir para o segundo jogo. Embora alguns poucos jornalistas acreditassem que Ademir não fosse o centro avante ideal, a torcida não queria saber disso. Ademir era o reserva de Zizinho na meia direita, mas ele jogava no Vasco em qualquer posição do ataque. Chegou a jogar na ponta esquerda e fazer com Jair a melhor ala do sul-americano de 1945.

Naquela noite de 1949, com a presença de Ademir, o ataque brasileiro se tornou irresistível, mesmo com a fraca atuação de Simão pela ponta esquerda e, Zizinho não ter realizado uma grande atuação. Contudo com o oportunismo de Ademir, a técnica primorosa de Jair e a malícia de Tesourinha, deram ao Brasil uma grande vitória. Uma exibição de gala do onze brasileiro. Um espetáculo para não se esquecer. A explicação dos 7x0 está ai: a seleção brasileira acertou em tudo e ainda teve coração para esbanjar.

Detalhes técnicos dos dois jogos:
8 de maio de 1949 – Brasil 1 x Paraguai 2.
Gols de Avalos e Benitez (Paraguai)  e Tesourinha (Brasil).
Juiz: Mr. Barrick (inglês).
Brasil: Barbosa. Augusto e Wilson (Mauro). Eli. Danilo e Bigode.
Tesourinha. Zizinho. Otávio. Jair e Simão.
Paraguai: Garcia. Gonzalito e Cespedes. Gavillan. Nardelli e Canteros. Fernandez. Lopes. Arce. Benitez e Avalos.

Com este resultado, Brasil e Paraguai terminaram o sul-americano empatados. Houve necessidade de um jogo extra para decidir a competição.

11 de maio de 1949 – Brasil 7 x Paraguai 0
Gols de Ademir 3. Jair 2 e Tesourinha 2.
Juiz: Mr. Barrick (inglês).
Brasil: Barbosa. Augusto e Mauro. Eli. Danilo e Noronha. Tesourinha. Zizinho. Ademir. Jair e Simão.
Paraguai: Garcia. Gonzalito e Cespedes. Gavillan. Nardelli e Canteros. Fernandez. Lopes. Arce. Benitez e Avalos.



                                    DECISÃO DO CAMPEONATO GAÚCHO DE 1962
GRÊMIO 4 x INTERNACIONAL 2


Sergio Moacir que foi goleiro do Grêmio
e virou trinador.

Durante anos, o Inter lutou para esquecer esse vexame. Correndo seis pontos à frente do Grêmio, acabou, em duas rodadas, entregando o ouro. Um Gre-Nal que ficou, para Joãozinho, Ivo Diogo e Vieira – todos gremistas – como a maior emoção de suas vidas.

Uma coisa nunca vista. Por mais de trinta minutos - enquanto aguentou o empate – as torcidas de Grêmio e do Internacional só rompiam o silêncio para raros gritos de raiva e impotência. Uma coisa para não esquecer. Era o orgulho ferido de Ivo Diogo, um grande atacante que o Inter vendeu ao Newell’s Old Boys da Argentina em 196. E que, de volta, se encaixou no Grêmio com uma quase irracional sede de vingança.

- Vamos lutar sem parar. Vamos acabar com a banca deles, pelo amor de Deus. Nem que eu me arrebente, mas vou ganhar esse jogo.

Outros desejos de vinganças, algumas loucuras e alguns fiascos amadureceram o clima de guerra que explodiria em euforia tricolor, nessa noite de 8 de fevereiro de 1963. Uma tensão amadurecida longamente, pois houve quase dois meses de espera para o pega de decidiria o campeonato Gaúcho de 1963.

Agora, são 32 minutos do segundo tempo. O pequeno e veloz ponta de lança, Joãozinho corre pela meia direita. Ao lado da área, para. Ezequiel hesita na marcação. Joãozinho olha para o gol, vê Gainete adiantado cobrindo o ângulo esquerdo. E chuta, defeito, de leve. Gainete pula para trás desesperado. Inútil. A bola faz uma curva, entra no ângulo direito.

É o Grêmio virada para 2x1, é sua torcida, finalmente explodindo. Nos quinze minutos restantes, ainda haveria três gols, dois para o Grêmio e um para o Internacional. As o povão tricolor não parou de gritar. Nem a galera colorada não parou de sofrer. Afinal, depois daquele chute de Joãozinho, quem seria capaz de tirar do Grêmo esse título sofrido, meses antas dado como perdido? Depois e virar o placar da super decisão, como o Grêmio seroa capaz de entregar o ouro? Tinha razão os gremistas. Só não podiam prever as 50.000 pessoas que superlotavam o Olímpico que começava ali um longo reinado, os sete anos do domínio tricolor, a prolongada noite de sofrimento colorado. Estranhas coisas deviam acontecer, e de fato, ocorreram.

Com o crescimento da fama de bruxo que já o acompanhava Sérgio Moacir Torres. Esse baixinho que foi goleiro do time tricolor viera, em 1961, do obscuro Flamengo de Caxias do Sul para comandar o Internacional e leva-lo ao campeonato interrompendo a série de cinco títulos tricolores. Em 1962, desentendido com os cartolas colorados, Sérgio está novamente por baixo. Treina o Cruzeiro, ganha pouco, não tem a menor esperança de ser campeão. Perdido, o Grêmio recorre ao feiticeiro.

Ele chegou ao clube em 15 de agosto de 1962. O Grêmio corre seis pontos atrás do Inter. O técnico Ênio Rodrigues, ídolo como jogador, pela classe, pelo folego e pela fidelidade de ser tricolor, perde a paciência. Junta as coisas e foi embora. Sérgio chegou com aquele seu jeito: manhoso, muito prudente, falou – Não tenho compromisso de ganhar o título. Só espero não perder mais nenhum jogo. E houve coisas terríveis. O Internacional não conseguiu daí por diante ganhar uma partida do campeonato. O Grêmio vencia todas, menos um, empatou com o Cruzeiro. E a esperança tricolor era esta: que o time colorado perdesse mais um jogo, que o acerto de contas ficasse paras o Gre-Nal.

As coisas foram esquentando. Animado o Grêmio. Angustiando o Internacional. Até hoje, os colorados lamentam, em tom de suspeita, a repentina decisão de Sérgio Lopes de rescindir seu contrato. O treinador Pedro Figueiró chiou – Sérgio Lopes não pode sair. É uma das peças básicas do meu time – Mas o centromédio estava irredutível. Não queria saber da decisão. Dito e repetido isso, rescindiu o contrato, despertando grilos mil nas cabeças dos colorados. Pois é: um dia, essas suspeitas iriam crescer. Ano seguinte, Sérgio Lopes voltou ao Rio Grande do Sul. Para o Grêmio. Em que encruzilhada Sérgio Moacir lançou o seu feitiço, não se sabe. Sabe-se apenas que o Internacional entrou em crise.
(parte da reportagem de Divino Fonseca para a Revista Placar.






Artur Friendereich, o herói da decisão


                               PRIMEIRO TITULO SUL-AMERICANO PARA O BRASIL
                                                       BRASIL  1 z URUGUAI O 


No terceiro campeonato sul-americano, realizado no Brasil, conquistamos nosso primeiro titulo. A final foi contra o Uruguai em memorável partida realizada no dia 29 de maio de 1919, no estádio das Laranjeiras no Rio de Janeiro. Naquela tarde, o publico lotou o estádio do Fluminense. O juiz, Juan Barbera, argentino, entrou em campo com um garboso uniforme: calção, paletó e gravata. A seleta platéia estava bem à vontade. Os cavalheiros usavam chapéus e as damas, muito elegantes, exibiam seus longos vestidos de seda. As autoridades, na tribuna de honra, apresentavam-se de fraque e cartola. No gramado os craques estavam impecáveis. Cabelos curtos repartidos no meio, alguns de bigode bem cuidado, sérios e compenetrados, eles arrancavam suspiros do publico feminino. O estádio do Fluminense foi construído especialmente para o sul-americano de 1919. E foi a partir desta final que o futebol se tornou o mais popular esporte do Brasil. Nem todos tinham dinheiro suficiente para comprar os caros ingressos da grande final. Quem não entrava, porém, dava um jeito de se acomodar num morro existente nas Laranjeiras, com vistas para o estádio do Fluminense. Ou se aglomerava na frente do Jornal do Brasil, na Avenida Rio Branco, à espera do resultado da partida.

Para os cariocas, maio de 1919 foi mês de festa e futebol. As festas começaram com a chegada das delegações no cais da Praça Mauá. Houve recepções no Palácio do Itamarati, bailes no Clube São Cristovão, banquetes no Restaurante Assyrio e chás na Confeitaria Colombo.  A celebração não foi maior porque, em pleno torneio, o goleiro reserva uruguaio Robert Chery morreu em seu quarto, no Hotel dos Estrangeiros, vitima de uma crise de apendicite.

A decisão foi entre o Brasil, anfitrião, e o Uruguai, na qualidade de bi campeão. O Brasil venceu o Chile por 6x1 e a Argentina por 3x1. O Uruguai ganhou dos chilenos por 2x0 e os argentinos por 3x2. No jogo final, o tempo regulamentar terminou com 2x2, numa partida cheia de alternativas. O regulamento previa a realização de uma nova partida e, em caso de outro empate, haveria tantas prorrogações  quantas fossem necessárias. Mais uma vez, tudo indicava que o segundo e último jogo também seria equilibrado porque as equipes se nivelavam. Às onze horas da manhã o estádio das Laranjeiras já estava lotado. Vinte mil torcedores bem trajados estavam dentro do campo do Fluminense. Emoções é que não faltaram. No começo as duas seleções buscaram o gol que valeria o titulo.  Houve bolas na traves e chances perdidas de ambos os lados. Os noventa minutos terminou em zero a zero. Primeira prorrogação também zero a zero. Mais trinta minutos. Começou a escurecendo e se não fizessem um gol, a partida não terminaria. A torcida inquieta antevê o gol a cada instante. E o gol não sai. A agonia termina aos 13 minutos do primeiro tempo da segunda prorrogação. Numa bola cruzada, Neco cabeceia, vários uruguaios pulam e Saporiti rebate de punhos. Friedenreich, que vinha correndo, chutou forte à meia altura, bem no meio do gol.

Leques, luvas, cartolas e chapéus voaram nas arquibancadas, de onde os torcedores gritavam o nome de artilheiro Friedenreich. Depois de duas horas e meia de jogo, o Brasil ganhava o sul-americano e conquistava seu primeiro titulo importante. As ruas se encheram de gente e carros foram em corso para a Avenida Rio Branco. Pela primeira vez, jogar bola deixava de ser um passatempo exclusivo de ricos e virava a alegria do povo.

Detalhes técnicos do jogo –
Dia: 20. maio. 1919
Brasil 1 x Uruguai 0
Gol de Friedenreich
Juiz: Juan Barbera (Argentino)
Publico: 20.000 torcedores
Brasil: Marcos de Mendonça. Pindaro e Biano. Sérgio. Amilcar e Fortes. Milton. Neco. Friedenreich. Heitor e Arnaldo.
Uruguai: Saporiti. Varela e Foglino. Naguil. Zibechi e Vanzine. Peres. Scarone. Romano. Gradin e Marán.



                                                     COPA DO MUNDO DE 1958                                                                    BRASIL 2 x RUSSIA 0                

     

                            Lance  de Garrincha chutando na trave no primeiro minuto do jogo.

O Brasil havia ganho da Austria e empatado com a Inglaterra. O jogo mais difícil seria contra a União Soviética. Pressionado pelos jogadores Nilton Santos, Didi e Belini, o técnico Vicente Feola, resolveu fazer três modificações no time brasileiro. Entrariam Garrincha, Zito e Pelé.

Antes da entrada das duas equipes, o supervisor Carlos Nascimento foi até o vestiário dos russos, numa vista de cordialidade, e sentiu que seus jogadores estavam nervosos. Nascimento passou a noticia a Feola que às pressas, reuniu os jogadores.

-          “Vamos surpreendê-los com a velocidade. Todas as bolas para Garrincha. Temos que marcar um gol logo nos primeiros minutos – determinou o técnico”.

De ouvidos colados aos aparelhos de rádio, 60 milhões de brasileiros acompanhavam o início da partida. E o que se ouvia era espantoso. Pela voz de Edson Leite, da Rádio Bandeirante de São Paulo, vinha a descrição de uma epopeia.

-          “Atenção Brasil! Saída russa. Centro alto para Pelé, passa por três
Adversários, dá a Vavá, Vavá para Zagalo, rola para Garrincha, chuta na trave. Zito para Garrincha, passa pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro, solta para Pelé, chuta, na trave outra vez. Nova bola na trave, quando meu cronometro marca dois minutos de jogo. E lá vai Didi para Vavá, que entra na área, vai atirar, atira e goooooool! Vavá! Gooool do Brasil! Um início irresistível do Brasil. Placar na Suécia:1x0, o Brasil vence, com um gol sensacional de Vavá e duas bolas na trave, uma de Garrincha e outra de Pelé”.

Não foi só o início. Durante o jogo todo, o Brasil esteve deslumbrante. Embora empregasse uma severíssima marcação homem-a-homem, com Igor Neto na sobra, a União Soviética não conseguia segurar Didi, Pelé, Vavá e, sobretudo, Garrincha, que a cada arrancada deixava o lateral Kuznetsov caído no chão. Aos 20 minutos do segundo tempo, mesmo perdendo, os soviéticos começaram a tocar a bola. Haviam desistido de procurar o empate, conformados com a derrota por contagem apertada. Mas, aos 30 minutos, Vavá entrou na área com uma fúria empolgante, dividiu com dois zagueiros, cortou o pé e marcou o segundo gol. Um massacre, simplesmente. O Brasil chutou 36 vezes ao gol e Gilmar praticou apenas uma defesa difícil.

“Foi a maior exibição de futebol que vi até hoje”, escreveu o mais famoso jornalista esportiva da Europa, o francês Gabriel Hanot”.

“Depois de hoje não preciso mais ver futebol”, garantia o português Cândido de Oliveira”.

“Jamais pensei que algum time do mundo pudesse jogar um futebol tão lindo como esse”, afirmava Alan Hoby, do Sunday Express de Londres”.

No eufórico vestiário brasileiro, Garrincha era o centro das atenções.
-          Azar deles – explicava o Mané – é que eu estava com fome de bola. Deram sopa...
-    E o marcador? – perguntaram.
-    Que marcador? – respondeu.
-          O Kuznetsov.
-          Ah, era esse é?
Naquele dia, a seleção brasileira redescobriu a magia do futebol. E começou a ser pentacampeão do mundo.

Dia 1`5 de junho de 1958 – Brasil 2 x URSS 0.
Gols de Vavá aos 3 do primeiro tempo e aos 30 do segundo.
Local: Estádio Nya Ullevi em Gotemburgo.
Juiz: Maurice Guigue (francês).
Brasil: Gilmar. Desordi. Belini. Orlando e Nilton Santos. Zito e Didi. Garrincha. Vavá. Pelé e Zagalo.
URSS: Yashin. Kessarev. Krijevski. Kuznmetsov. Voinov. Tsarev. A Ivanov. V Ivanov. Simonian. Igor Neto e llyin.


                                        DECISÃO DO CAMPEONATO CARIOCA FE 1951
                                                      FLUMINENSE 2 x BANGU 0



                                                                        Telê Santana.
                                     O herói da decisão. Assinalou os dois gols do Fluminense.

O Bangú já vinha sendo a grande sensação do campeonato carioca de 1949. As contratações de jogadores veteranos como Rafaneli, Djalma, Rui, Zizinho e Nivio, deram ao clube de Moça Bonita, uma maneira de jogar que agradava a todos aqueles que viam o Bangú atuar.

No campeonato de 1951,  o Fluminense foi a grande equipe da temporada. Começou em primeiro e em primeiro chegou. Entretanto, o Bangú chegou, em determinadas situações, a dividir a liderança com o Fluminense. Quando chegou a última rodada, os dois estavam em igualdade de condições. Foi necessária, então, uma série de melhor de três para se conhecer o campeão. O Fluminense ganhou os dois jogos e ficou com o titulo.

O primeiro jogo foi tumultuado e violento. O atacante Didi, do Fluminense, quebrou a perna do zagueiro Mendonça do Bangú. Os tricolores venceram por 1x0, em uma partida feia e sem muitos atrativos. O segundo encontro foi disputado em um clima disciplinar bem melhor que a partida anterior. O Bangú começou  dominando o jogo e  mantendo o Fluminense em seu próprio campo. Os tricolores se defendiam  muito bem e os banguenses chutavam muito mal. Pouco a pouco o Fluminense equilibrou as ações e conseguiu seu primeiro gol. Uma falta próxima à área, um lançamento e uma cabeçada de Telê Santana para as redes do goleiro Osvaldo. Telê jogou todo o campeonato como ponta direita. Na decisão entrou como centro avante no lugar de Carlayle. O treinador Zézé Moreira acreditou em Telê que se tornou o herói da decisão.

No segundo tempo, o Fluminense procurou explorar as falhas da defesa do Bangú que sentia a falta do seu zagueiro Mendonça. Djalma, que jogava na ponta direita, foi deslocado para substituir o companheiro que havia quebrado a perna. Apesar de tudo, muitas oportunidades foram perdidas pelas duas equipes. Era um jogo igual. Mas, a sorte estava do lado do clube das Laranjeiras que, na realidade, tinha feito a melhor campanha da temporada. Uma bela jogada de Robson, o aspirante que entrou no lugar do titular Joel, encontrou Telê Santana bem colocado, e o Fio de Esperança decidiu a partida marcando seu segundo gol. Estava selada a sorte do campeonato. O Fluminense era o novo campeão carioca. Era também, a vitória da marcação por zona de Zézé Moreira sobre a diagonal de Ondino Vieira.  Vitoria da juventude do Fluminense sobre os veteranos do Bangú.

Jogo foi realizado no dia 20 de janeiro de 1952 no maracanã.
O juiz foi Mário Vianna.
O Fluminense foi campeão jogando com Castilho. Pindaro e Pinheiro. Vitor. Edson e Lafaiete. Lino. Didi. Telê Santana. Orlando e Robson.

O Bangú foi vice-campeão atuando com Osvaldo. Djalma e Salvador. Irani. Rui e Alaine. Moacir Bueno. Zizinho. Joel. Décio Esteves e Nivio.


                                                CAMPEONATO CARIOCA DE 1966
                                                 FLAMENGO 6 x FLUMINENSE 1

   
             
                                                           

Segundo gol do Flamengo marcado pelo Dida depois de desviar do goleiro Veludo.

Naquela tarde de 18 de dezembro de 1956, a torcida do Fluminense sofreu um dos maiores vexames de sua história. É preciso que se diga que, em nenhum momento dos noventa minutos, o Fluminense foi um time, um conjunto, um adversário. Nem mesmo quando, por um instante, vencia por 1x0, graças a um lindo gol de Didi. O Fluminense já entrou em campo com a alma derrotada. Enquanto isso, o Flamengo realizou sua melhor apresentação no campeonato.

O primeiro tempo terminou com 3x1. Aos 24 minutos Telê bateu uma falta para Didi que matou a bola no peito e fez um gol de alta categoria. Um minuto depois, Joel escapou pela direita e chutou sem angulo. A bola entrou entre a trave e o goleiro Veludo. Mais três minutos e Dida recebendo de Paulinho desvia de Veludo e marca o segundo gol. Dominando a partida com certa tranqüilidade, o Flamengo somente chegou aos 3x1 no ultimo minuto do primeiro tempo. Paulinho chutou, aparentemente a bola ia para fora, quando o goleiro Veludo saltou espetacularmente defendeu mas largou a bola nos pés do próprio Paulinho que mandou para as redes. Na etapa complementar a goleada começou a se desenhar aos 24 minutos através de um golaço do artilheiro Dida. Aos 38 Paulinho recebe de Zagalo e faz 5x1. Aos 44 novamente Paulinho completa o marcador de 6x1.

Como explicar a goleada de um time candidato ao título de campeão? Podemos dizer que o Fluminense sofreu um colapso não só técnico como também psicológico. Não teve o mesmo élan, o menor espirito de luta e não acusou nem mesmo o desespero das grandes derrotas. O Flamengo apresentou um grande futebol. Com entrosamento em todos os setores o rubro negro não deu nenhuma chance ao adversário. Ao longo dos noventa minutos o Flamengo foi sempre fiel a sua legenda de sangue, de paixão, de garra. Mesmo quando Didi abriu a contagem no maracanã, era ainda o Flamengo que tinha autoridade de ganhador. Não se pode destacar nomes no clube rubro negro porque todos jogaram muito bem. O time foi um bloco solidário, harmonioso, irresistível. A defesa liquidou os ataques do adversário, não permitindo que, jamais, a ofensiva tricolor ameaçasse a meta de Anibal. Quanto ao ataque do clube da Gávea, justiça se faça, foi uma máquina admirável. Soube criar o espetáculo. Dida e Paulinho foram os grandes nomes da tarde.

Este foi o jogo que acabou com a carreira do goleiro Veludo acusado de venal por dirigentes do Fluminense. Sobre este caso, falaremos em “Dramas do Futebol Brasileiro” quando contaremos a história de Veludo.

O Flamengo goleou com Anibal. Servilho e Pavão. Jadir. Dequinha e Jordan. Joel. Paulinho. Indio. Dida e Zagalo.

O Fluminense perdeu com Veludo. Benê e Pinheiro. Vitor. Clóvis e Bassú. Telê Santana. Didi. Valdo. Robson e Escurinho.



       
                                    DECISÃO DO CAMPEONATO PAULISTA DE 1954
                                                   CORINTHIANS 1 x PALMEIRAS 1
                                                        CORINTHIANS CAMPEÃO



O Corinthians ganhou o campeonato paulista do quarto centenário ao empatar com o Palmeiras em 1x1. No dia 6 de fevereiro, São Paulo parou para festejar um dos mais importantes títulos da história do Corinthians.

Na semana que antecedeu a decisão, o Corinthians perdeu para o Santos por 4x1. Se tivesse ganho, teria conquistado o titulo com antecedência. Por isso, já na terça feira os jogadores corintianos, solteiros e casados, foram se concentrar no Horto Florestal. Alguns reclamaram. Depois entenderam que o objetivo de todos era conquistar o campeonato. Por isso, valia a pena qualquer sacrifício. Nessa concentração, junto a um bosque de árvores frondosas, os atletas teriam a calma necessária para enfrentar uma decisão, longe da pressão dos torcedores. Para não tumultuar o ambiente, o técnico Osvaldo Brandão, proibiu que os jogadores lessem jornais ou ouvissem rádio. Em compensação, todos poderiam jogar baralho. Alguns filmes de faroeste seriam exibidos para os jogadores. Duas dúvidas tinham para a escalação do Corinthians. Idário e Goiano estavam contundidos.

Aymoré Moreira, técnico do Palmeiras, começou a semana com um problema. Valdemar Fiume, o experiente volante estava machucado e não tinha presença certa no clássico. Gérsio ou Tocafundo poderiam ser seu substituto. Aymoré preferiu aguardar até momentos antes da partida. O arbitro foi indicado de comum acordo. Estebam Marino, um uruguaio de maneiras delicadas, foi o escolhido.

O domingo amanheceu com um clima agradável. As 13 horas, os jogadores do Corinthians deixaram a concentração e foram para o Pacaembú em carros do diretor Albino Lotito, do presidente Trindade e no Ford 53 do ponta direita Cláudio. O time estaca escalado com Gilmar. Homero e Alan. Idário. Goiano e Roberto. Cláudio. Luizinho. Baltazar. Rafael e Simão. Um time individualmente tão bom quanto o Palmeiras, mas com muito mais raça. Nessas alturas, o estádio já estava lotado. Em menor numero, a torcida do Palmeiras, ocupava um terço da lotação do Pacaembú e vibrava vendo seu time vencer o Corinthians por 3x1 no jogo de aspirantes. Os altos falantes anunciavam o time do Palmeiras. Laércio. Manuelito e Cacão. Nilo. Valdemar Fiume e Dema. Liminha. Humberto. Nei. Jair e Rodrigues. Para a maioria da imprensa paulista, um time que jogava certinho por seu estilo técnico.

O estádio inteiro, a princípio com espanto e incredulidade, depois com vaias e aplausos, xingamentos e foguetes, viu entrar pelo túnel da esquerda a equipe do Palmeiras com estranhas e inexplicáveis camisas azuis. Para o presidente do Palmeiras, nem estranha nem inexplicáveis. O clube tinha inscrito na Federação Paulista duas camisas. A tradicional verde e o segundo padrão, azul. Para aquele jogo, a diretoria resolveu usar o azul. Nos primeiros minutos do jogo mais de cinqüenta mil corintianos estavam em silêncio. Gilmar fez duas grandes defesas. Jair e Humberto perderam dois gols considerados feitos. Ventava muito no estádio e a vantagem era do Corinthians que tinha o vento a seu favor. Com isso, melhorou seu futebol e passou a empurrar o Palmeiras para seu campo. E foi ainda no primeiro tempo que surgiu o gol do Corinthians. Cláudio cruzou a meia altura para a área do Palmeiras entre Waldemar Fiume e o goleiro Laercio. Rápido, o pequeno Luizinho entrou no meio dos dois e cabeceou para abrir a contagem. Antes de entrar, a bola ainda bateu na trave. O grito de gol de Luizinho foi afogado pelos corpos dos companheiros que começaram a pular em cima do artilheiro. Corinthians, Corinthians, berrava em êxtase a torcida enlouquecida. Com aquela gana de vitória os corinthianos não iriam permitir que os palmeirenses virassem o jogo. Bastava segurar Jair da Rosa Pinto, de quem nasciam todas as jogadas do Palmeiras. Goiano, com seu estilo característico, se encarregou disso. O Corinthians cuidou mais da defesa. Luizinho e Rafael recuaram um pouco. Cláudio ajudava a defesa e apenas Baltazar e Simão ficaram na frente. O primeiro tempo terminou com 1x0 para o Corinthians.

No segundo tempo, logo aos cinco minutos, Homero cometeu uma falta em Liminha perto da linha de fundo. Jair chutou com violência. A bola desviou em Idario, tirou Gilmar da jogada, e Nei se aproveitou para empatar a partida. Apesar da pressão, o Corinthians se defendia com garra e muita raça. Gilmar pontificava como o grande nome do jogo. Nei, Jair e Humberto bem que tentou, mas Idario. Roberto e Goiano se defendiam como podiam. No final do jogo, Roberto lançou Rafael que ficou diante do goleiro do Palmeiras, Laércio, e perdeu a oportunidade. Foi o último lance da partida. O Corinthians era campeão paulista de 1954. Campeão do quarto centenário de São Paulo.

Como eles conseguiram entrar, não se sabe. Mas, em poucos instantes, dezenas, centenas, milhares de torcedores invadiram o gramado para comemorar o campeonato conquistado. As camisas dos jogadores eram arrancadas a força, que seminus, entraram nos vestiários. O técnico Osvaldo Brandão, de terno e gravata, era carregado pela torcida. Empolgado, o presidente Alfredo Inácio Trindade, que chegou a passar mal, anunciava o prêmio pela conquista do campeonato: CR$ 150,00. Era muito dinheiro. Os “cobras” da equipe, Gilmar, Baltazar, Luizinho e Cláudio, ganhavam CR$ 23,00 por mês, enquanto o jovem Alan recebia apenas CR$ 9,00, e pagava de aluguel CR$ 4,00. São Paulo viveu uma noite de loucura com a torcida corintiana comemorando o titulo. Era gente enchendo a cara e os donos de bares enchendo os cofres. Naquele domingo São Paulo se embriagou.


(revista placar)




DECISÃO DO CAMPEONATO PAULISTA 
1957 - SÃO PAULO 3 x CORINTHIANS 1


 Corinthians era o favorito, um timaço que fora campeão em 1854 e tinha tudo para ficar com o título de l957. O São Paulo, que se classificou para a fase final na última vaga, baseava-se agora em dois estrangeiros: o técnico húngaro Bela Gutman e o craque carioca Zizinho. Com catimba e classe, o São Paulo venceu o jogo, levantou o título e arrasou o Corinthians, que viu acabar naquele jogo sua geração de craques e iniciar-se a grande fase negra. O Corinthians era um time maduro, com a mesma estrutura desde 1950, acostumados a decidir e ganhar muitos títulos.

Em oito anos, praticamente com a mesma equipe, ganhamos mais de vinte títulos. Era um time com grandes valores individuais – Gilmar, Cláudio, Rafael. Olavo, Luizinho – com uma estrutura bem definida e uma garra que virou tradição. O Corinthians era favorito contra qualquer time, em qualquer decisão (Luizinho).

O São Paulo não era exatamente um fantasma do campeonato, mas era quase. A grande surpresa, sem dúvida. O campeonato de 1957 foi disputado em duas fases. Dos vinte clubes que disputaram a etapa inicial, apenas dez se classificaram para a segunda. O São Paulo entrou na última vaga para disputar a fase final. Mas com sua difícil classificação veio a transformação.

Para reestruturar este time o São Paulo já tinha um mestre experimentado e com um profundo conhecimento de futebol, o técnico húngaro Bela Gutman. Em campo já existia até mesmo um grande líder, o zagueiro Mauro. Mas faltava ainda um mestre em campo que orientasse os jogadores, que desse ritmo de jogo, que soubesse dosar suas energias. De preferência um veterano, com experiência e malícia. Esta pessoa estava no Rio. O São Paulo foi lá e trouxe Zizinho, emprestado pelo Bangu, é verdade, mas que daria nova vida ao time. Só depois do campeonato o São Paulo adquiriu seu passe em definitivo.

Zizinho estreou no São Paulo perdendo. E perdeu feio para a Portuguesa. Mas o São Paulo não se abateu, e Zizinho começou a provar que era o homem que faltava ao tricolor. Depois desta derrota na primeira rodada do campeonato, o São Paulo passou a perseguir e conquistar as vitórias necessárias para leva-lo à decisão com o Corinthians. Pior para o Corinthians. Depois de uma série de 35 partidas invicto, faltando apenas uma semana para enfrentar o São Paulo, o Corinthians foi derrotado pelo Santos por 1x0. Perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o São Paulo e perdeu muito de sua segurança e time imbatível.

 Às 6 horas da manhã daquele dia 29 de dezembro já tinha gente chegando ao Pacaembu. Marmita debaixo do braço, bandeira em punho, e a grande dúvida atormentava o pensamento e o coração: São Paulo ou Corinthians. Às 3 horas o Pacaembu estremeceu com o grito das torcidas. O Corinthians só tem um problema: Benedito entra no lugar de Roberto. Em compensação sai Paulo e entre Luizinho. Osvaldo Brandão está tranquilo com Gilmar. Olavo e Oreco. Idário. Valmir e Benedito. Cláudio. Luizinho. Índio. Rafael e Zague. O problema que preocupou o São Paulo toda semana está resolvido: Amauri, suspenso pelo TJD, ganhou um recurso no CND e vai jogar. Mas à última hora surgiu um novo problema que deixa Bela Gutman intranquilo. Dino Sani está machucado. Ademar, seu reserva natural, estava escalado até a véspera quando foi acometido de uma disenteria incontrolável. Sem poder contar com Ademar, Sabará foi escalado. O São Paulo entra em campo com Poy. De Sordi e Mauro. Sabará. Vitor e Riberto. Maurinho. Amauri. Gino. Zizinho e Canhoteiro. 

Todos os detalhes foram estudados para evitar reclamações e garantir a imparcialidade da arbitragem. A solução é trazer gente de fora sem ligações em São Paulo. São contratados o juiz carioca, Alberto da Gama Malcher e os ingleses Lynch e Cross. Poucos minutos antes do início do jogo, já no gramado, é decidido por sorteio que Malcher seria o juiz principal e os ingleses seus auxiliares.

O jogo começa como Corinthians mandando em campo. O primeiro tempo termina com os dois times jogando bem abertos, tentando o gol com insistência. E o São Paulo aos poucos impondo sua técnica a garra corintiana. No segundo tempo começa o drama corintiano. Aos 17 minutos, Zizinho cobra uma falta para Gino, que de cabeça lança Amauri. Amauri avança livre e, na saída de Gilmar, toca a bola por cobertura. São Paulo por 1x0. No entusiasmo deste gol o São Paulo marca o segundo, sem nem dar tempo para o Corinthians recompor. Sabará recupera bola no meio campo e passa para Zizinho. Zizinho a Amauri que ameaça invadir a área atraindo a zaga corintiana. O passe sai na medida para Canhoteiro, livre, chutar e marcar. São Paulo 2x0. O Corinthians, porém, não estava disposto a cooperar. 22 minutos. Gilmar assiste o jogo sozinho em seu campo. Os outros 21 jogadores estão jogando no campo do adversário. Rafael, dentro da área, de costas para o gol, puxa a bola, que toma efeito e engana o goleiro Poy. 2x1.

  
Aquele era o tempo do Corinthians da garra, da raça. E foi todo para o ataque. Benedito acertou duas bolas na trave de Poy. O São Paulo se defendia de qualquer maneira. É chutão para todo lado. E não tem jeito. A bola volta rápido, não sai da área do São Paulo. Num desses chutões, Maurinho recuado, Olavo avançado, os dois plantados na altura do meio campo. A bola cai nas costas de ambos, Maurinho ganha de Olavo na corrida e entra livre. 34 minutos do segundo tempo. São Paulo 3x1. O gol de Maurinho foi o tiro de misericórdia nas esperanças corintiana. Em campo já não há mais nada nem ninguém que pudesse evitar o desastre. Mas é só terminar o jogo para o tempo fechar. Em vez confete e serpentinas tricolores, cai no gramado uma verdadeira chuva de garrafas, pedras e objetos não identificados, mas certamente corintianos. É uma briga só, envolvendo todo mundo de torcida que estava no estádio.


No meio de tanto barulho o São Paulo nem pensa envolta olímpica. Comemorações, só no vestiário. Os jogadores mais festejados: Zizinho, o herói do campeonato, e Sabará, o segundo reserva de Dino Sani e a grande figura do jogo. 


                                                               CAMPEONATO CARIOCA
                                                        1966 - BANGU 3 x FLAMENGO O                      


                   Em pé: Mario Tito. Ubirajara. Luis Alberto. Ari Clemente. Fidelis e Jaime.
                    Agachados: Paulo Borges. Cabralzinho. Parada. Ocimar e Aladim.


Na tarde de 18 de dezembro de 1966, o maracanã recebia cento e quarenta mil torcedores para assistirem a decisão do campeonato carioca daquele ano. Mais de cem mil eram torcedores do Flamengo. Eles tiveram que assistir em silêncio o barulho que a pequena torcida do Bangú fazia para comemorar um titulo que perseguia a trinta e três anos. A torcida do Flamengo estava de bandeiras arriadas, enroladas, sem ânimo sequer para perceber que a noite caia e já era hora de ir embora. A festa pertencia ao Bangú. Não importa que não tenha sido uma festa como a torcida queria, sem manchas, limpa, bonita, resultado normal de noventa minutos de excelente futebol. Futebol que poucos times sabiam praticar como o Bangú daquele ano.


Entretanto, a história foi bem diferente. A partida não terminou. Os jogadores brigaram. A torcida brigou. Cenas de violência e ódio que acabaram por inscrever na história do futebol, não apenas o jogo decisivo, mas a imagem definitiva de um homem que fez dos gramados sua praça de guerra, num misto de herói e vilão: Almir, cujo destino fez com que ele morresse, moço ainda, na porta de um bar, sete anos depois. Almir foi assassinado a tiros em Copacabana.


Na decisão o jogo foi do Bangú que chegou a última batalha depois de dezoito jogos, vencendo quinze, empatando dois e perdendo apenas um. Ubirajara. Fidelis. Mario Tito. Luis Alberto e Ari Clemente. Jaime e Ocimar. Paulo Borges. Ladeira. Cabralzinho e Aladim foi o grande time do campeonato carioca de 1966 e muito bem dirigido pelo treinador Alfredo Gonzalez. O Flamengo na decisão era um time cheio de problemas técnicos e psicológicos. Valdomiro. Murilo.  Jaime. Itamar e Paulo Henrique. Carlinhos e Nelsinho. Carlos Alberto. Almir. Silva e Osvaldo.


Aos três minutos do segundo tempo, a maioria dos torcedores rubros negros estavam calados. O placar de 3x0 para o Bangú era um sinal evidente da derrota, pois, além da diferença nos números, o adversário dominava o jogo. Os caminhos da reação pareciam fechados. Vinte e seis minutos e tudo estava na mesma. De repente, o futebol acaba, cedendo lugar a uma das maiores confusões já registradas no maracanã.


O lateral Paulo Henrique se preparava para cobrar um lateral quando Ladeira tentou impedir e provocou o jogador do Flamengo. Paulo respondeu com palavrões e recebeu uma bofetada do atacante do Bangú. Almir estava ligado na partida e disposto a tudo para não aumentar a humilhação. Era demais para uma tarde só. Primeiro, os frangos de Valdomiro, que mais tarde foi acusado pelo próprio Almir de ter se vendido. Depois, as contusões de Carlos Alves e Nelsinho. Agora, o tapa de Ladeira. Almir perde inteiramente o controle. Partiu, desesperadamente, na direção a Ladeira, que prefere correr, mas em direção a zaga do Flamengo. Itamar, um negro forte de 1,85 e chuteira 43,
pula com os dois pés no peito do atacante, que cai. Almir que vinha correndo chutou sua cabeça. A esta altura, o gramado do maracanã já era palco de uma verdadeira loucura coletiva. Ari Clemente do Bangú, vem por trás de Almir e agride o pernambuquinho. Imediatamente é cercado por Silva. Itamar e o próprio Almir. A torcida do Flamengo, até então calada com a derrota, resolve agitar suas bandeiras, como se cada soco, cada pontapé, valessem como um gol que o time não conseguiu fazer. E num desabafo começa a gritar – Almir, Almir, Almir.


Ladeira deixa o campo de maca. O juiz Airton Vieira de Moraes, conversa com o treinador Reganeschi, que consegue tirar Almir do campo. Mas, quando Almir vai descendo o túnel ouve alguém gritar – “Volta Almir. Acabe de vez com festa deles”. Foi o suficiente. Ele dá meia volta e parte novamente para o gramado. É ameaçado pelo goleiro Ubirajara e lhe dá um soco. É cercado por Ari Clemente, Mario Tito, Luis Alberto e Fideles. Almir começa a distribuir socos prá todo lado. Bate e apanha. Silva e Itamar correm em seu socorro. A muito custo, os policiais conseguem dominar Almir e levá-lo definitivamente para fora do campo. Sua saída lembra um lutador de box deixando ringue após um combate. Os espectadores se dividem em vaias e aplausos.

No meio do campo, o juiz Airton Vieira de Moraes resolve expulsar cinco jogadores do Flamengo: Valdomiro. Itamar. Paulo Henrique. Almir e Silva. E mais quatro do Bangú: Ubirajara. Luis Alberto. Ari Clemente e Ladeira. Futebol não teve mais. Os banguenses deram a volta olímpica com poucos aplausos. A torcidas do Flamengo vaiava e grita o nome de Almir.

O Bangú construiu sua vitória a partir dos 24 minutos do primeiro tempo. Ocimar cobrou uma falta de fora da area e marcou 1x0. Três minutos depois o Bangú aumenta para 2x0 através de Aladim. No intervalo, Almir avisou a todos que estavam nos vestiários do Flamengo. “Eles não vão ter volta olímpica”. Foi com esta disposição que o Flamengo voltou para o segundo tempo. E logo aos três minutos Paulo Borges marcou o terceiro gol. A partir deste gol, o Bangú partiria para uma goleada histórica. O time estava bem, contrastando com o um Flamengo que mais lembrava um moribundo. A briga, enfim, somente aquele tumulto poderia transformar o panorama da partida. E mudou...
(Revista Placar)



CAMPEONATO BRASILEIRO DE SELEÇÕES
1954 – Alagoas 4 x Paraíba 3

                                                     
   1954 – Alagoas 4 x Paraíba 3
Almir. Orizon. Dirson. Piolho. Zanélio. Mourão. Helio Miranda. Dida. Bequinho. Tonheiro e Géo.
Foto de Roberto Plech.

O torcedor gosta de emoções. Ver seu time ganhar. Quando a vitória é de virada essas emoções ultrapassam os limites. Um desses jogos aconteceu no mutange em 1954. Alagoas e Paraiba jogavam pelo campeonato brasileiro de seleções.

Durante toda a semana que antecedeu ao jogo, o plantel da seleção foi sacudido com um caso disciplinar. O zagueiro Dirson não aprovava a escalação do goleiro Almir que pertencia ao CSA. Ele afirmava que Alagoas precisava vencer um jogo difícil, e Almir não tinha a experiência necessária para enfrentar os paraibanos. O goleiro ideal seria Epaminondas. Os outros jogadores se dividiam e o clima não era bom.  O treinador Aurélio Munt manteve a escalação com o goleiro Almir e o zagueiro Dirson que era o titular da posição.

Talvez devido aos fatores extracampo, a nossa seleção fez um péssimo primeiro tempo. A defesa alagoana estava toda atrapalhada, principalmente, o pivô dos acontecimentos, Dirson. Mesmo assim, os quarenta e cinco minutos iniciais terminaram com um a um no marcador. Bequinho fez o gol alagoano e Ruivo para os paraibanos. No intervalo, a torcida tentou agredir o zagueiro Dirson que era apontado como culpado pela má atuação da seleção. Foi preciso a intervenção policial para proteger o jogador.


Nervosos, os jogadores voltaram para o segundo tempo com Bequinho fazendo numero na ponta direita. Estava contundido e não havia substituições. Para piorar a situação, os paraibanos marcaram mais dois gols. Zezinho e Alfredinho se aproveitaram das falhas da nossa defesa e colocaram 3x1 no marcador. A partir daí, aconteceram coisas que somente a raça, a fibra e a capacidade de reação dos nossos jogadores poderiam proporcionar. Quando Tonheiro assinalou o segundo gol de Alagoas, a torcida passou a ajudar a seleção. Os gritos de incentivo mexeram com os brios de nossos atletas que começaram a jogar em ritmo alucinante. Dida aparecia como a grande figura do jogo e comandou a reação. Fez dois gols que decidiram o marcador em 4x3. O gol da vitória foi sensacional. Depois de driblar vários paraibanos, ficou sem angulo, e, mesmo assim, chutou forte para vencer o goleiro Harry Carrey e fazer a torcida explodir de contentamento. Quando o juiz Waldomiro Breda apitou o final da partida, o campo foi invadido pela torcida, que fez um verdadeiro carnaval para comemorar um jogo que estava perdido, e se transformou numa das mais maravilhosas viradas do futebol alagoano. Todos esqueceram os problemas da semana, até o zagueiro Dirson participou da festa junto com os torcedores.

Dida, o grande nome da partida, era o mais festejado. Até o governador Arnon de Melo esteve nos vestiários para cumprimentar o artilheiro. Logo depois, Dida viajava para o Rio de Janeiro afim de defender o Flamengo. Os heróis daquele jogo foram Almir. Dirson e Orizon. Piolho. Zanélio e Mourão. Helio Miranda. Dida. Bequinho. Tonheiro e Géo.




                  1944 - Lance final do gol que garantiu o tri campeonato pra o Flamengo.
                                                 Foto da Revista Esporte Ilustrado


                          Campeonato carioca de 1944 – Flamengo 1 x Vasco da Gama 0
 
De um lado, o Flamengo com a maior torcida. Do outro lado, o Vasco da Gama que tinha o melhor time do campeonato, mas com alguns jovens valores que despontavam como craques. O Flamengo com um time que tinha sido estruturado em 1939 e tinha a experiência que faltava ao Vasco.  Para complicar as coisas, o clube da Gávea estava sem Domingos da Guia, transferido para o Corinthians e Perácio, que lutava na Itália como pracinha da FEB, na Segunda Guerra Mundial. Mantinha apenas a sua intermediária com Biguá. Bria e Jaime de Almeida. Valido tinha parado, mas o treinador Flavio Costa pediu para que jogasse sua última partida na decisão. Pirilo, machucado, entrou no sacrifício. O Vasco com uma equipe cheia de craques. Ademir era o grande artilheiro. Lélé. Isaias e Jair, adquiridos ao Madureira, eram a sensação do campeonato. Rafanelli. Chico. Djalma eram outras feras de São Januário. No Flamengo, o técnico Flavio Costa que sempre concentrava seu time no interior de São Paulo, preferiu deixar os jogadores no Rio, livres de concentração. Ondino Vieira, treinador do Vasco, levou seus atletas para Uruçanga, uma localidade perto do Rio de Janeiro. O Flamengo tinha problemas médicos, e o Dr. Nilton Paes Barreto, lutava para colocar em campo, alguns dos contundidos. No Vasco, os jogadores passavam da monotonia ao tédio. Ler jornais, ouvir musica na vitrola, era o principal passa tempo dos vascainos.

O jogo foi realizado na Gávea, campo do Flamengo. Os remadores do clube se juntaram para evitar que a torcida do Vasco se manifestasse nas gerais e arquibancadas. Nas sociais, nenhum vascaino entraria. Luis Vinhaes, chefe do departamento de árbitros, armou um esquema para despistar a todos. Escalou Guilherme Gomes, mas pediu a Solon Ribeiro  que entrasse em campo com uma bola, um apito na boca e chamasse os dois times. Assim, Guilherme Gomes se livraria do foguetório que receberiam os dois times e apareceria se surpresa. Os portões da Gávea foram fechados duas horas antes do inicio da partida. E naquele dia 29 de outubro, o Vasco entrou em campo com Barqueta. Rubens e Rafanelli. Berachochéia. Alfredo e Argemiro. Djalma. Lélé. Isaias. Ademir e Chico. O Flamengo também estava em campo com sua formação que tinha de melhor. Jurandir. Nilton e Quirino. Biguá. Bria e Jayme. Valido. Zizinho. Pirilo. Tião e Vévé.

A torcida do Flamengo já era inflamada. Vai na Bola, um torcedor símbolo, corria pelo campo com dois pratos de metal nas mãos, batendo sem parar. Jaime de Carvalho, chefe da Charanga do Flamengo, começou a comandar seus músicos. A torcida do Vasco gritar para incentivar seus jogadores. Seus gritos eram abafados pelos flamenguistas e atrapalhados pelos remadores do clube.

O Vasco começou melhor. Atacou mais. Jurandir fez grandes defesas. O Flamengo equilibra o jogo e o primeiro tempo termina com um zero a zero. Valido estava com 39 de febre e Pirilo mal podia caminhar. Mesmo assim, o clube rubro negro comandava o meio campo com Zizinho fazendo uma partida impecável. Falta cinco minutos. Falta quatro minutos. Vévé cobra uma falta na esquerda. Valido cabeceia e Barqueta manda para escanteio. Vévé vai cobrar. Ele manda a bola na área vascaina, Valido sobe por cima de Argemiro e cabeceia para a meta. Barqueta não consegue defende e a bola entra. É gol do Flamengo. A torcida invade o campo. Valido é abraçado e beijado. Argemiro e alguns jogadores do Vasco correram para o juiz afirmando que Valido subiu nas costas do zagueiro vascaino para cabecear o marcar o gol do titulo. Guilherme Gomes não viu nada de anormal na jogada, e sua preocupação era limpar o campo.                 

Quando o jogo recomeçou, o Vasco tinha três minutos para empatar a partida. Vai todo para o ataque. Mas time algum tiraria o titulo do Flamengo naquela tarde. A torcida, atrás do gol de Jurandir, estava pronta para entrar em campo e desarmar qualquer atacante vascaino. Todos recuaram e formaram uma barreira em preto e vermelho. Quando a bola estava com o centro avante Isaias do Vasco, o juiz apitou o fim do jogo. O Flamengo era tri campeão carioca. A Gávea foi pequena para conter a alegria de tanta gente. Em uma emissora de rádio, Flavio Costa dizia “Se o Flamengo não costuma esquecer seus campeões, para os de hoje, deve reservar uma gratidão especial”. No dia seguinte, explodiu a bronca vascaino – o gol de Valido tinha sido ilegal. Ele havia trepado nas costas de Argemiro para cabecear. Os jornalistas se dividiam. Uns levaram a reclamação a sério. Outros passaram a gozar os vascainos. O tempo se encarregou de matar a questão. Para os flamenguistas, vencer o Vasco com um gol legal é bom, mas ganhar com um gol irregular é muito melhor.

(revista placar)


                                                    Copa Roca – Brasil x Argentina – 1945


                           1945 -Seleção Brasileira do primeiro jogo contra os argentinos.
                    Em pé: Domingos da Guia. Ary. Zezé Procópio. Rui. Norival e Jayme.
                          Agachados: Lima. Zizinho. Leônidas da Silva. Ademir e Chico.

Os argentinos tiveram a melhor fase de sua história nas décadas de trinta e quarenta. Grandes equipes e famosos craques conquistaram inúmeros títulos para o futebol portenho. O Brasil chegava a ser freguês. Os argentinos eram quase imbatíveis. 

Em dezembro de 1945, os argentinos vieram ao Brasil para disputar mais uma edição Copa Roca. O primeiro jogo foi no pacaembú no dia 16 com arbitragem do brasileiro Mário Vianna. Vitória dos argentinos por 4x3. Pederneira dois. Labruna e Boyé para os portenhos e Zizinho. Ademir e Salomon contra para os brasileiros que jogaram com Barbosa (Oberdan). Domingos da Guia e Norival. Zézé Procopio. Rui e Jayme de Almeida. Tesourinha. Zizinho (Lelé). Leonidas da Silva. Ademir (Jair da Rosa Pinto) e Chico (Ademir). A Argentina com Vacca. Solomon e Sobrero. Sosa (Fonda). Perucca e Ramos. Boyé. Pedernera. Mendes (Calvine). Labrunba e Sued.

A segunda partida foi em São Januário no Rio de Janeiro no dia 20. Novamente o brasileiro Mário Vianna foi o arbitro. Os brasileiros jogaram maravilhosamente bem. Os argentinos, surpreendidos, estavam desorientados. A vitória do Brasil foi espetacular: 6x2. Jogamos com Ary. Domingos da Guia e Norival. Zézé Procópio. Rui e Jayme de Almeida. Lima. Zizinho. Leonidas da Silva (Heleno de Freitas). Ademir e Chico. Os argentinos com Vacca. Marante e Sobrero. Sosa. Perucca e Ramos (Batagliero). Boyé. Pedernera. Pontoni. Martino (Labruna) e Sued. Os gols do Brasil foram de Ademir dois.  Leonidas da Silva. Heleno. Chico e Zizinho. Martino e Pedernera fizeram os gols argentinos.



                                                     1955 - Flamengo tri campeão.
                           Em pé: Chamorro. Servilho. Pavão. Tomires. Dequinha e Jordan.
                                      Agachados: Joel. Duca. Evaristo. Dida e Zagalo.


                               Campeonato carioca de 1955 – Flamengo 4 x América 1

Para o Flamengo a vitória valia um tri campeonato. Para o América um titulo que não conquistava desde de 1935. Neste ano, o Rio de Janeiro tinha duas Ligas. O Botafogo foi campeão pela Associação Metropolitana de Futebol e o América pela Liga Carioca de Futebol. Flamengo e América terminaram o campeonato iguais e a decisão foi através de uma melhor de três partidas. No primeiro jogo, o Flamengo venceu por 1x0 com um gol de Evaristo no ultimo minuto da partida. O segundo encontro foi ganho pelo América, e de goleada: 5x1. Parecia o adeus do tri. Os americanos acharam que o titulo ficou bem mais perto.

A partir desta goleada, o treinador Fleitas Solich começou a arquitetar um novo esquema para conquistar o tão sonhado tri campeonato. Um titulo que tinha sido prometido pelos jogadores ao seu presidente Gilberto Cardoso. Ele morreu antes do termino do campeonato, depois de assistir a uma vitória do basquetebol do Flamengo na última cesta da partida. A defesa tinha tomado cinco gols e precisava de um homem mais duro, mais decidido e mais alto para não deixar Leonidas da Selva fazer gols de cabeça. Servilho que estava na reserva foi o escolhido. No ataque, ele queria mais movimentação. Para isso colocou o alagoano Dida que terminou sendo o herói do jogo assinalando os quatro gols da vitória de 4x1. Fleitas Solich escalou Chamorro. Tomires e Pavão. Servilho. Dequinha e Jordan. Joel. Evaristo. Duca. Dida e Zagalo. O América manteve o time com Pompéia. Rubens e Edson. Ivan. Osvaldinho e Helio. Canário. Romeiro. Leonidas da Selva. Alarcon e Ferreira. Romeiro fez o gol único dos rubros. O juiz foi Mário Vianna e o jogo realizado no dia 04 de março de 1956.

Durante a realização da partida tudo deu certo para o Flamengo. Ainda no primeiro tempo, uma entrada mais dura de Tomires em Alarcon, o atacante americano deixou o campo e o clube de Campos Sales ficou com dez jogadores. Dida estava endiabrado e jogou uma de suas melhores partidas com a camisa do Flamengo. Os quatro gols que marcou deixou a torcida do Mengão eufórica e fazendo um carnaval fora de época. Naquela noite, o Rio de Janeiro se vestiu de vermelho e preto. Depois da partida jogadores do Flamengo foram ao Cemitério São João Batista e fizeram sua última homenagem ao presidente Gilberto Cardoso.


 

                                     Time do América Mineira campeão mineiro em 1948.

                                                          Campeonato mineiro de 1948.

                                                                   América 3 x Atlético 1.
                                                                
Para cronistas da época, muito da mística que envolveu esta partida se deve ao fato de que exatamente em 1948 começava a nascer o verdadeiro profissionalismo em Minas. O Atlético armou uma equipe poderosa, hoje somente comparada ao Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes. O América não ficou atrás: mandou buscar jogadores no Rio, juntando-os aos bons valores que já possuía. A mocidade do presidente americano Alair Couto, levou-o a empreendimentos arrojados. Do acanhado estadinho Otacilio Negrão de Lima, construiu um palco para 15 mil torcedores. Para motivar ainda mais a disputa do titulo, havia a presença do Cruzeiro, que só abandonou o páreo uma semana antes da grande decisão, afastado pelo Atlético num 2x2 em que o gol do galo só foi obtido aos 43 minutos do segundo tempo. O resultado além de tirar as chances do Cruzeiro, elevava o América a vice-liderança, um ponto atrás do Atlético, isolado e cantando o tri campeonato.

Na semana da decisão, o presidente do América, Alair Couto, resolveu convocar a torcida mineira com palavras candentes, elevadas às manchetes em jornais como Diário da Tarde, Estado de Minas e Folha de Minas: “Torcidas do Cruzeiro, Vila Nova, Sete de Setembro, Metalusina e Siderúrgica, unam-se em torno do América. Não podemos permitir a festa do tricampeonato em nossas barbas”. Uma declaração de guerra. No dia 22 de novembro de 1948, o presidente do Atlético, Gregoriano Canedo, rompeu com o Departamento de Árbitros. Só aceitaria um juiz: Alcebíades de Magalhães Dias, o Cidinho. Acontece que Cidinho tinha a fama de atleticano. O América reclamou: “Mas logo o Cidinho, a bola é nossa!”. No mesmo dia, enquanto se preocupava em vetar o juiz indicado pelo Atlético, o América vivia uma grave crise interna. O técnico Iustrich por pouco não atira o titulo pela janela e exatamente no ano em que estreava como técnico. Brigou com o jogador argentino Valsechi, um dos ídolos da equipe, acusando-o de chegar á concentração depois da hora. A crise foi contornada pelo Conselho Deliberativo do clube. E a guerra continua. O presidente do América garantia que daria o total da renda aos jogadores. A resposta do presidente do Atlético foi imediata: “Daremos o dobro!”. No dia 26, a pedido do América, a Federação Carioca de Futebol liberou o juiz inglês, Mr. Barrick para apitar o clássico mineiro. No mesmo dia, o Atlético enviou um oficio a Federação Mineira, solicitando que um dos bandeirinhas fosse o Cidinho. América entra na jogada e diz que só aceita se o outro auxiliar fosse Willer Costa.

No dia do jogo, 28 de novembro, o tempo amanheceu chuvoso e clima tenso. Ás 13 horas o campo já estava completamente lotado. Policia e Corpo de Bombeiros chegaram juntos para evitar que a torcida, que ficou de fora, forçasse os portões. O América entra em campo primeiro com seus jogadores confiantes: Tonho. Didi e Lusitano. Jorge. Lazarotti e Negrinhão. Helio. Elgem. Petrônio. Valsechi e Murilinho. A fumaça dos fogos era sufocante quando Atlético entrou em campo: Kafunga. Murilo e Ramos. Mexicano. Zé do Monte e Afonso. Lucas. Lauro. Carlayle. Alvim e Nivio. Foi um dos espetáculos mais emocionantes já vividos pela torcida mineira e os atletas que participaram daquela decisão.

No primeiro tempo, logo aos 3 minutos, Lusitano desarma Carlayle, leva a bola até o meio campo e entrega para Elgem, que aproveita uma falha de Ramos e enfia para Murilinho: América 1x0. Carlayle vai buscar a bola. Fala com Zé do Monte e se sente que os atleticanos não se abateram com o gol. Afinal, possuíam um time superior tecnicamente. A reação era questão de tempo e tempo era o que não faltava. Mas os minutos começavam a passar e nada do empate. O América se superava com incrível espírito de luta, acabando por se premiar, aos 42 minutos com o segundo gol. Lazarotti passa a bola para Helio que chuta e vence o goleiro Kafunga: América 2x0. Enfim, a resposta do Atlético. O América ainda comemorava o seu gol quando Lucas chutou forte, Tonho não conseguiu segurar a bola que sobrou para Nivio marcar o primeiro gol atleticano. Primeiro tempo: América 2x1.

Vem o segundo tempo. Petrônio, artilheiro comprado ao Vila Nova, passa pelo zagueiro Murilo e chuta rasteiro para marcar mais um gol americano. Os jogadores do Atlético partiram para cima do Mr. Barrick. O primeiro foi Zé do Monte que tenta explicar que a bola não entrou. Batera nos pés de um policial que estava junto á trave e saíra. Mas como fazer o juiz entender? Aos 22 minutos, nova confusão. Nívio passa por Jorge e bate forte. Era o segundo gol atleticano. A torcida festeja, antevendo a reação e o empate. Mas Mr. Barrick anula o gol, dando impedimento de Nívio. Carlayle, desta vez, chega primeiro e seu inglês não é suficiente para fazer o juiz mudar de opinião. Então, resolve se reunir com o resto do time. Não dentro do campo, mas nos vestiários. O galo não voltou e Mr. Barrick apenas fez cumprir o regulamento. A paralisação aconteceu aos 23 minutos do segundo tempo. O juiz esperou mais 15 minutos pelo retorno do Atlético, resolvendo dar a partida por encerrada, enquanto a policia tratava de impedir que torcedores alvi-negro invadissem o campo. Mesmo assim, o juiz levou alguns sopapos.

O enterro do Galo foi até o Parque Municipal, no centro de Belo Horizonte. Um enterro que acabou em pancadaria. O caso foi para o Tribunal. O Atlético queria disputar o restante do jogo. O América, muito justamente, exigia que o considerasse o campeão. Os americanos somente puderam comemorar o titulo de verdade, seis meses depois.

Revista Placar.

               Campeonato Carioca de 1957 –               Botafogo 6 x Fluminense 2.



Botafogo campeão de 1957.
Em pé: Adalberto. Tomé. Servilho. Nilton Santos. Pampolini e Beto.
Agachados: Garrincha. Paulinho Valentin. Didi. Rossi e Quarentinha.


Não foi, positivamente, uma decisão de campeonato como todas as circunstâncias faziam esperar. A verdade é que não houve aquela movimentação equilibrada, aquela disputa renhida com a vitória pendendo para um lado ou para o outro. O que se viu, foi desde dos primeiros minutos, foi um Botafogo se apresentando em tarde de gala, pegando firme na defesa e com um ataque arrasador. No outro lado, um Fluminense desbotado, com uma defesa cometendo falhas desastrosas e um ataque não recebendo o apoio do meio campo.


O maracanã recebeu um publico de 87.100 pagantes. Todos aguardavam muita luta, muita movimentação, muita dificuldade na vitória de um ou de outro. Entretanto, o campeão começou a se desenhar logo nos primeiros minutos através de um gol do artilheiro Paulinho Valentim. Naquela tarde, Garrincha, Didi, Nilton Santos e Paulinho fizeram a diferença. O centro avante foi o artilheiro da partida com cinco gols. Os campeões do mundo ajudaram seu clube a jogar os noventa minutos sem falhas. Com isso, a vitória e o titulo foram absolutamente justos. Competente na defesa, eficiente no meio campo e um ataque goleador, o Botafogo não teve dificuldades para conquistar o titulo de campeão carioca de 1957.

Foi um verdadeiro show de bola. Nem mesmo o grande goleiro Carlos Castilho conseguiu evitar a goleada. O gramado do maracanã se transformou num grande palco onde o baile do Botafogo foi assistido passivamente pelos jogadores do Fluminense.


O jogo foi realizado no dia 22 de dezembro de 1957 com uma arrecadação de 3.247.639,00. Paulinho fez 1x0. Paulinho marcou 2x0. Paulinho assinalou 3x0. Escurinho diminuiu para 3x1. Novamente Paulinho fez 4x1. Garrincha 5x1. Paulinho 6x1 e Valdo marcou o segundo gol do Fluminense. O juiz foi Alberto da Gama Malcher. O Botafogo foi campeão jogando com Adalberto. Beto. Tomé. Servilho e Nilton Santos. Panpolini e Didi. Garrincha. Edson. Paulinho Valentim e Quarentinha. O Fluminense perdeu com Castilho. Cácá. Pinheiro. Clóvis e Altair. Jair Santana e Jair Francisco. Tele Santana. Valdo. Robson e Escurinho.


(Jornal O Globo)



                              CAMPEONATO PAULISTA DE 1959 – PALMEIRAS 2 x SANTOS 1

                

         Palmeiras campeão  paulista de 1959.
        Em pé: Djalma Santos. Valdir. Waldemar Carabina. Akdemar. Zequinha e Geraldo Scotto.
        Agachados: Julinho. Nardo. Américo. Chinezinho e Romero.


O Santos era campeão paulista de 1955/56 e 58, e começava a se revelar com um dos maiores times da história do futebol. Uma máquina que não se importava em tomar gols, pois sabia que era capaz de marcar muitos mais.  O Palmeiras tinha sido campeão paulista em 1950 e disputara um campeonato com a regularidade de quem não está com tudo, mas está com muita vontade. Uma defesa muito segura que dava a tranqüilidade para o ataque marcar os gols necessários para a vitória do clube. Para o Santos era a repetição de um ato que já estava virando rotina. Para o Palmeiras, a oportunidade, rara nos últimos anos, para sair da fila de espera que estava incomodando.


Quando terminou o campeonato, no dia 30 de dezembro de 1959, os paulistanos ainda não conheciam o campeão paulista. Santos e Palmeiras, depois de trinta e oito rodadas, terminaram empatados na liderança com sessenta e três pontos ganhos. A Federação Paulista de Futebol decidiu por uma melhor de três para se conhecer o campeão da temporada. Se dependesse apenas de cartaz, o Santos teria sido campeão sem nenhuma disputa extra. Entretanto, pelo que fez durante o campeonato, o Palmeiras justificava suas pretensões em lutar pelo título. Às vésperas da decisão, a situação era de equilíbrio. Os santistas tinham o melhor ataque com 151 gols e o artilheiro do campeonato, Pelé, com 44 gols. Os palmeirenses tinham a melhor defesa sofrendo 32 gols. O Santos tinha prestígio internacional e era alvo da admiração que atribuía a seus ídolos. O Palmeiras tinha uma torcida que gritava desesperadamente por um título que há nove anos vinha lhe sendo negado.

O primeiro jogo foi realizado no dia cinco de janeiro de 1960. O Santos tinha dois problemas: Jair da Rosa Pinto e Pagão, contundidos. O treinador Lula deslocou Urubatão para lugar de Jair, fazendo entrar Feijó na zaga. Para substituir Pagão, entrou um jovem de dezesseis anos de idade chamado Coutinho. O time santista jogou com Laercio. Getulio.  Dalmo. Formiga e Feijó. Zito e Urubatão. Dorval. Coutinho. Pelé e Pepe. O Palmeiras não tinha problema e jogou com Valdir. Djalma Santos. Waldemar Carabina. Aldemar e Geraldo Scotto. Zequinha e Chinezinho. Julinho. Romeiro. Americo e Géo. Aos 22 minutos do primeiro tempo Pelé abriu a contagem no pacaembú. O Palmeiras empatou aos 32 minutos através de Zequinha. O publico que bateu o recorde de renda no campeonato, saiu reclamando de marmelada. O empate decidiu que haveria mais dois jogos, independente do resultado da segunda partida.

No dia oito aconteceu mais um jogo ainda no Pacaembú. No Santos, Jair e Pagão continuavam de fora. No Palmeiras, o técnico Osvaldo Brandão colocou Nardo no lugar do ponteiro Géo. O jogo foi uma repetição melhorada do primeiro. Aos 44 minutos, cobrando um penalti, Pepe abriu a contagem. No segundo tempo, logo aos 2 minutos, Romeiro empata e aos 3 Chinezinho faz 2x1 para o Palmeiras. Aos 40 minutos, novo penalti contra o Palmeiras e novo gol de Pepe. Fim de jogo e mais um empate que deixava os dois clubes em igualdade de condições para decidir o campeonato na terceira partida.

O Santos fez voltar ao time, Jair da Rosa Pinto e Pagão que tinha se casado e estava em lua de mel na cidade de Poços de Caldas. Ele voltou correndo para jogar a decisão. E logo no inicio da partida, Pagão cabeceia a bola para Pelé que marca o primeiro gol. Eram 12 minutos do primeiro tempo. Logo depois, Pagão era atingido por Aldemar que ficou em campo fazendo numero. Jair também não fazia uma boa partida e o Santos perdia a agressividade no ataque e a harmonia do meio do campo. Enquanto isso, Chinezinho tomava conta do jogo e Aldemar de Pelé. A única coisa que faltava ao Palmeiras era sorte. Romeiro chutou bolas na trave. Aos 42 minutos o futebol de Chinezinho supera a falta de sorte. No meio campo, ele desarma Pelé, e passa rápido a Romeiro, que experimenta o gol da entrada da área. Formiga corta mal e a bola sobra para Julinho que empata o jogo.



 No segundo tempo, aos 3 minutos, o juiz Anacleto Pietrobom marca uma falta de Zito em Zequinha perto da área santista. Romeiro ajeitou a bola na meia lua. Cinco jogadores na barreira. Romeiro corre e chuta forte. A bola passa pela barreira e entra no ângulo esquerdo do goleiro Laercio. O Palmeiras dominou o jogo e ainda teve mais duas bolas na trave do Santos. Terminou a partida e o Palmeiras era o campeão paulista de 1959. A torcida comemorou nas ruas o titulo que veio nove anos depois. O Santos lamentou mas, não se abalou. Um titulo a mais ou um titulo a menos não iria ser notado em sua coleção. (revista placar)

            
                   PRIMEIRA TAÇA BRASIL - 1959 - Esporte Clube Bahia 3 x Santos 1.



                                                         Bahia campeão brasileiro

Em pé: Nadinho. Leone. Henrique. Flávio. Vicente e Beto.
Agachados: Marito. Alencar. Léo. Mário e Biriba.



Contra a falsa malandragem de Atiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

A primeira Taça Brasil começou para o Bahia em agosto de 1959, quando os baianos venceram o CSA de Maceió por 5x0. No nordeste a coisa foi fácil. O tricolor despachou CSA, Ceará e Sport de Recife. Duro mesmo foi vencer o Vasco da Gama. O Bahia ganhou o primeiro jogo, no maracanã por 1x0. Em Salvador, o Vasco venceu por 2x1. A terceira partida foi também realizada em Salvador. Vitória do Bahia por 1x0. Agora, somente restava o famoso Santos de Pelé na decisão da primeira Taça Brasil.

O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partidas, programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo. O Santos marcou logo 2x0. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3x2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. O Bahia jogava bem, e os baianos acreditavam que a festa poderia ser mesmo na Boa Terra. Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2x0. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu. A segunda partida deveria ser jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, entrou na jogada. Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.

Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lálá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz. O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper à defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu uma tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra a pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais  para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove. Empatou duas e perdeu três.
  
Contra a falsa malandragem de Atiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

A primeira Taça Brasil começou para o Bahia em agosto de 1959, quando os baianos venceram o CSA de Maceió por 5x0. No nordeste a coisa foi fácil. O tricolor despachou CSA, Ceará e Sport de Recife. Duro mesmo foi vencer o Vasco da Gama. O Bahia ganhou o primeiro jogo, no maracanã por 1x0. Em Salvador, o Vasco venceu por 2x1. A terceira partida foi também realizada em Salvador. Vitória do Bahia por 1x0. Agora, somente restava o famoso Santos de Pelé na decisão da primeira Taça Brasil.

O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partidas, programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo. O Santos marcou logo 2x0. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3x2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. O Bahia jogava bem, e os baianos acreditavam que a festa poderia ser mesmo na Boa Terra. Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2x0. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu. A segunda partida deveria ser jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, entrou na jogada. Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.

Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lálá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz. O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper à defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu uma tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra a pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais  para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove. Empatou duas e perdeu três.


                     CAMPEONATO CARIOCA DE 1960 – AMERICA 2 X FLUMINENSE 1



               
                 
Dizem os estrategistas que a guerra vai até a última batalha, e de nada valem as vitórias nas diversas escaramuças se, no final, cede-se o terreno que defendia, deixando o inimigo fixar o marco de uma conquista na fortaleza que era necessário manter incólume. E foi isso que aconteceu naquele dia 18 de dezembro de 1960 no maracanã. O Fluminense foi a prova viva de que os generais do passado tinham sua dose de razão.

O Fluminense liderou o campeonato carioca de 1960 desde de sua primeira rodada. Somente perdeu a última batalha quando deixou cair por terra todos os sonhos do bicampeonato em apenas doze minutos. De fato, quando o América assinalou o gol do titulo que perseguia há 25 anos, o relógio marcava trinta e três minutos do segundo tempo. E o Fluminense, embora lutando até o final, não encontrou mais o rumo certo para desfazer os 2x1. Com o empate, os tricolores ganhariam uma guerra que venceu tantas e tão gloriosas batalhas.

O Fluminense começou cauteloso, esperando que o América partisse para o ataque. Aos americanos somente a vitória interessava. Os tricolores tinham uma defesa bem postada e impedia as avançadas do adversário. Aos vinte e seis minutos, Telê Santana encobriu o goleiro Ari e colocou a bola no angulo direito da meta do América. O zagueiro Wilson Santos saltou e defendeu com a mão. Penalti. Pinheiro cobrou a abriu a contagem para o Fluminense. Os tricolores jogavam bem e parecia o começo do fim para os rubros.

Entretanto, duas modificações mudaram o panorama do jogo. No Fluminense, saiu Paulinho, contundido, e entrou Jair Santana. No América, Fontoura substituiu a Antoninho. Os tricolores perderam no meio campo e seu ataque ficou sem municiamento. Os americanos ganharam no ataque e passar a pressionar a defensiva do Fluminense. Aos quatro minutos do segundo tempo, Fontoura deu um passe para Ivan que cruzou para a área do Fluminense. O ponteiro Nilo entrou rápido e empatou o jogo. O empate ainda servia para o clube de Alvaro Chaves, Mas, os americanos acreditavam na vitória e jogavam melhor. O Fluminense se encolheu para manter o resultado. Aos trinta e três minutos, cobrando uma falta fora da área, Nilo chutou forte e de efeito. O goleiro Castilho pegou e largou nos pés de Jorge que marcou o gol do titulo. No final, o América fez por merecer a vitória. No segundo tempo dominou o jogo, aproveitou as oportunidades e as falhas da defesa do Fluminense. O treinador Jorge Vieira foi um estrategista que soube ganhar a guerra.

Jogo realizado no maracanã, no dia dia 18 de dezembro de 1960.
América 2 x Fluminense 1 –
Gols de Nilo e Jorge (América). Pinheiro (Fluminense)
Juiz: Wilson Lopes de Souza.
Renda: 3.973.606,00
América: Ari. Jorge. Djalma Dias. Wilson Santos e Ivan. Amaro e João Carlos. Calazans. Antoninho (Fontoura). Quarentinha e Nilo.
Fluminense: Castilho. Jair Marinho. Pinheiro. Clovis e Altair. Edmilson e
Paulinho (Jair Francisco). Maurinho. Telê Santana. Valdo e Escurinho.


(Jornal O GLOBO)


                   CAMPEONATO CARIOCA DE 1948 – BOTAFOGO x VASCO DA GAMA



                                                     Botafogo campeão carioca de 1948.

Em pé: Gerson. Osvaldo. Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal.
Agachados: Paraguaio. Geninho. Pirilo.Otávio e Braguinha.

No dia 12 de dezembro de 1948, mas de cinqüenta mil torcedores se comprimiam no desconfortável estádio de General Severiano. Botafogo e Vasco iriam decidir o campeonato carioca daquele ano. A torcida suportava o calor sem reclamar e aguardava a entrada dos times que demoravam a surgir pelo túnel que ficava em frente às sociais. O Vasco estava escalado com Barbosa. Augusto e Wilson. Eli. Danilo e Jorge. Friaça. Ademir. Dimas. Ipojucan e Chico. O treinador Zézé Moreira do Botafogo mandou a campo Osvaldo. Gerson e Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otavio e Braguinha.

No final do jogo, a vibração e a surpresa do resultado. O Botafogo dominou o supertime do Vasco, impondo-lhe o inesperado placar de 3x1. O publico deixou o estádio sem entender direito o que aconteceu. No dia seguinte, através dos jornais e emissoras de rádio, todos ficaram sabendo que muita coisa estranha havia ocorrido antes do jogo. Fatos que levaram os vascainos a contestarem a vitória do Botafogo. Jogadores vascainos reclamaram que foram vitimas de uma chuva de pó de mico, o seu vestiário fora recém pintado de cal forte, aquele de arder os olhos e prender a respiração, e o pior, Ademir garantia que alguém colocou droga nas garrafas térmicas do vasco, terrível doping de ação inversa, que fez a equipe ficar sem poder correr como devia. Apenas Eli se destacava e pedia mais empenho aos companheiros. Logo ale que se negara a tomar água nas garrafinhas, tendo se limitado a chupar uma laranja antes do jogo.

O Vasco era um super time, e havia conquistado o campeonato sul-americano de clubes em Santiago do Chile. O Botafogo era um time impulsionado pelas superstições de uma mística criada pelo presidente Carlito Rocha e materializada na figura simpática de um cachorrinho chamado Biriba.  No primeiro turno, a diretoria do Vasco baixou uma ordem proibindo a entrada de animais em São Januário, alusão direta a Biriba, mascote do Botafogo. O presidente Carlito Rocha se queimou com a história. Colocou o Biriba debaixo do braço e entrou com ele pelo portão principal do campo do Vasco afirmando que queria ver quem ia tirar o cachorro de seus braços. O clima, portanto, já era de guerra na primeira fase do campeonato. Pior aconteceu na decisão em General Severiano.

Os ricos torcedores portugueses do Vasco compraram cadeiras com números sucessivos para formar um bloco grande e unido em torno do seu clube. Os homens do Botafogo resolveram espalhá-los pelo estádio, estragando os planos vascainos. Da noite que antecedeu ao jogo, até  a madrugada do Domingo, o pessoal do Botafogo remanejou as cadeiras, de modo que um torcedor do Vasco não ficasse ao lado do outro. O túnel destinado ao Vasco estava com água cortada, sanitário entupido e o cal na parede. O time vascaino já chegou com roupa trocada, mas teve que passar por um túnel encoberto com uma tela. Os jogadores afirmaram que na tela havia pó de mico. Alguns afirmam que no vestiário do clube vascaino havia um móvel que encobria um buraco por onde pessoas do Botafogo entraram para contaminar as garrafinhas de água. A delegação do Vasco não ficou muito tempo no vestiário, mas deixou seus pertencem e um funcionário na porta. Essa a versão dos vascainos.

Quem viu o jogo atesta que foi um banho de bola. Os jogadores do Botafogo pareciam movidos por um doping positivo, enquanto que o Vasco aparentava um estado semiletárgico. O juiz Mário Viana afirmou que não viu nada de anormal. Para ele, tudo se deve a garra com que o time do Botafogo se portou, surpreendendo o adversário, que não esperava toques de bola tão rápidos.  Essas são as várias versões. Verdadeiras ou não, a conclusão é que o Vasco ficou com o jogo atravessado na garganta.

O Botafogo venceu por 3x1. Paraguaio marcou o primeiro gol logo aos dois minutos de jogo. Pouco antes de encerrar o primeiro tempo, Braguinha aumentou para dois. Otávio marcou o terceiro e minutos depois Ávila fez contra o gol solitário do Vasco. Naquelas alturas a torcida vascaina parecia sentir a incapacidade de reação do seu time. Calaram-se, angustiados, contrastando com a festa da pequena torcida do Botafogo.









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