sábado, 4 de agosto de 2018



JOGOS INESQUECÍVEIS
               GRANDES DECISÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO


                              CAMPEONATO PAULISTA DE 1959 – PALMEIRAS 2 x SANTOS 1



         Palmeiras campeão  paulista de 1959.
        Em pé: Djalma Santos. Valdir. Waldemar Carabina. Akdemar. Zequinha e Geraldo Scotto.
        Agachados: Julinho. Nardo. Américo. Chinezinho e Romero.


O Santos era campeão paulista de 1955/56 e 58, e começava a se revelar com um dos maiores times da história do futebol. Uma máquina que não se importava em tomar gols, pois sabia que era capaz de marcar muitos mais.  O Palmeiras tinha sido campeão paulista em 1950 e disputara um campeonato com a regularidade de quem não está com tudo, mas está com muita vontade. Uma defesa muito segura que dava a tranqüilidade para o ataque marcar os gols necessários para a vitória do clube. Para o Santos era a repetição de um ato que já estava virando rotina. Para o Palmeiras, a oportunidade, rara nos últimos anos, para sair da fila de espera que estava incomodando.


Quando terminou o campeonato, no dia 30 de dezembro de 1959, os paulistanos ainda não conheciam o campeão paulista. Santos e Palmeiras, depois de trinta e oito rodadas, terminaram empatados na liderança com sessenta e três pontos ganhos. A Federação Paulista de Futebol decidiu por uma melhor de três para se conhecer o campeão da temporada. Se dependesse apenas de cartaz, o Santos teria sido campeão sem nenhuma disputa extra. Entretanto, pelo que fez durante o campeonato, o Palmeiras justificava suas pretensões em lutar pelo título. Às vésperas da decisão, a situação era de equilíbrio. Os santistas tinham o melhor ataque com 151 gols e o artilheiro do campeonato, Pelé, com 44 gols. Os palmeirenses tinham a melhor defesa sofrendo 32 gols. O Santos tinha prestígio internacional e era alvo da admiração que atribuía a seus ídolos. O Palmeiras tinha uma torcida que gritava desesperadamente por um título que há nove anos vinha lhe sendo negado.

O primeiro jogo foi realizado no dia cinco de janeiro de 1960. O Santos tinha dois problemas: Jair da Rosa Pinto e Pagão, contundidos. O treinador Lula deslocou Urubatão para lugar de Jair, fazendo entrar Feijó na zaga. Para substituir Pagão, entrou um jovem de dezesseis anos de idade chamado Coutinho. O time santista jogou com Laercio. Getulio.  Dalmo. Formiga e Feijó. Zito e Urubatão. Dorval. Coutinho. Pelé e Pepe. O Palmeiras não tinha problema e jogou com Valdir. Djalma Santos. Waldemar Carabina. Aldemar e Geraldo Scotto. Zequinha e Chinezinho. Julinho. Romeiro. Americo e Géo. Aos 22 minutos do primeiro tempo Pelé abriu a contagem no pacaembú. O Palmeiras empatou aos 32 minutos através de Zequinha. O publico que bateu o recorde de renda no campeonato, saiu reclamando de marmelada. O empate decidiu que haveria mais dois jogos, independente do resultado da segunda partida.

No dia oito aconteceu mais um jogo ainda no Pacaembú. No Santos, Jair e Pagão continuavam de fora. No Palmeiras, o técnico Osvaldo Brandão colocou Nardo no lugar do ponteiro Géo. O jogo foi uma repetição melhorada do primeiro. Aos 44 minutos, cobrando um penalti, Pepe abriu a contagem. No segundo tempo, logo aos 2 minutos, Romeiro empata e aos 3 Chinezinho faz 2x1 para o Palmeiras. Aos 40 minutos, novo penalti contra o Palmeiras e novo gol de Pepe. Fim de jogo e mais um empate que deixava os dois clubes em igualdade de condições para decidir o campeonato na terceira partida.

O Santos fez voltar ao time, Jair da Rosa Pinto e Pagão que tinha se casado e estava em lua de mel na cidade de Poços de Caldas. Ele voltou correndo para jogar a decisão. E logo no inicio da partida, Pagão cabeceia a bola para Pelé que marca o primeiro gol. Eram 12 minutos do primeiro tempo. Logo depois, Pagão era atingido por Aldemar que ficou em campo fazendo numero. Jair também não fazia uma boa partida e o Santos perdia a agressividade no ataque e a harmonia do meio do campo. Enquanto isso, Chinezinho tomava conta do jogo e Aldemar de Pelé. A única coisa que faltava ao Palmeiras era sorte. Romeiro chutou bolas na trave. Aos 42 minutos o futebol de Chinezinho supera a falta de sorte. No meio campo, ele desarma Pelé, e passa rápido a Romeiro, que experimenta o gol da entrada da área. Formiga corta mal e a bola sobra para Julinho que empata o jogo.



 No segundo tempo, aos 3 minutos, o juiz Anacleto Pietrobom marca uma falta de Zito em Zequinha perto da área santista. Romeiro ajeitou a bola na meia lua. Cinco jogadores na barreira. Romeiro corre e chuta forte. A bola passa pela barreira e entra no ângulo esquerdo do goleiro Laercio. O Palmeiras dominou o jogo e ainda teve mais duas bolas na trave do Santos. Terminou a partida e o Palmeiras era o campeão paulista de 1959. A torcida comemorou nas ruas o titulo que veio nove anos depois. O Santos lamentou mas, não se abalou. Um titulo a mais ou um titulo a menos não iria ser notado em sua coleção. (revista placar)

            
                   PRIMEIRA TAÇA BRASIL - 1959 - Esporte Clube Bahia 3 x Santos 1.



                                                         Bahia campeão brasileiro

Em pé: Nadinho. Leone. Henrique. Flávio. Vicente e Beto.
Agachados: Marito. Alencar. Léo. Mário e Biriba.



Contra a falsa malandragem de Atiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

A primeira Taça Brasil começou para o Bahia em agosto de 1959, quando os baianos venceram o CSA de Maceió por 5x0. No nordeste a coisa foi fácil. O tricolor despachou CSA, Ceará e Sport de Recife. Duro mesmo foi vencer o Vasco da Gama. O Bahia ganhou o primeiro jogo, no maracanã por 1x0. Em Salvador, o Vasco venceu por 2x1. A terceira partida foi também realizada em Salvador. Vitória do Bahia por 1x0. Agora, somente restava o famoso Santos de Pelé na decisão da primeira Taça Brasil.

O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partidas, programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo. O Santos marcou logo 2x0. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3x2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. O Bahia jogava bem, e os baianos acreditavam que a festa poderia ser mesmo na Boa Terra. Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2x0. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu. A segunda partida deveria ser jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, entrou na jogada. Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.

Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lálá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz. O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper à defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu uma tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra a pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais  para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove. Empatou duas e perdeu três.
  
Contra a falsa malandragem de Atiê Jorge Cury e a vivacidade de Osório Vilas Boas. Contra o poderio do time do Santos e a fé no Senhor do Bonfim, a proteção do milagreiro São Judas Tadeu, as velas acesas em 365 igrejas, o rufo de atabaques de mil Candomblés, a Bahia em peso se levantou contra o Santos para ganhar a Taça Brasil de 1959. Era uma questão de honra.

A primeira Taça Brasil começou para o Bahia em agosto de 1959, quando os baianos venceram o CSA de Maceió por 5x0. No nordeste a coisa foi fácil. O tricolor despachou CSA, Ceará e Sport de Recife. Duro mesmo foi vencer o Vasco da Gama. O Bahia ganhou o primeiro jogo, no maracanã por 1x0. Em Salvador, o Vasco venceu por 2x1. A terceira partida foi também realizada em Salvador. Vitória do Bahia por 1x0. Agora, somente restava o famoso Santos de Pelé na decisão da primeira Taça Brasil.

O Santos achando que o titulo seria decidido em duas partidas, programou uma temporada pelo exterior para logo após a decisão da Taça Brasil. O clube paulista era poderoso, tinha Pelé, ganhador de muitos títulos e o grande favorito da competição. Entretanto, já no primeiro jogo realizado na Vila Belmiro, o Bahia mostrou que pensava seriamente no titulo. O Santos marcou logo 2x0. Foi quando veio a reação que ninguém esperava. O Bahia venceu por 3x2 com um gol de Alencar assinalado em cima da hora. O segundo jogo foi em Salvador. O Bahia jogava bem, e os baianos acreditavam que a festa poderia ser mesmo na Boa Terra. Acontece que neste jogo, Pelé estava num dia de genialidade comum e esmagou a defesa do Bahia. O Santos venceu por 2x0. A diretoria do Santos não quis jogar o terceiro jogo em Salvador e exigiu um campo neutro. A CBD atendeu. A segunda partida deveria ser jogada no dia 30 de dezembro. O Santos argumentou que não tinha datas disponíveis. A CBD manteve o jogo para a data programada. Foi então que o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, entrou na jogada. Psicologicamente, seu time não estava nada bem depois da derrota em Salvador. A temporada do Santos no exterior iria desgastar a equipe paulista. O Bahia teria tempo para se refazer. Por isso, concordou com o Santos e fez a CBD aceitar uma outra data: 29 de março, no maracanã.

Enquanto o Santos se arrebentava na Europa, jogando um dia sim outro não, o Bahia se preparava para a decisão. Na volta do clube da Vila Belmiro, Pelé teve que ser operado das amígdalas e ficou de fora da final. Entre os baianos, o treinador Geninho teve que retornar ao Rio de Janeiro por problemas particulares. Assumiu Carlos Volante.

Na noite de 29 de março de 1960, o maracanã recebe um bom publico, quase todos torcendo pelo Bahia que entrou em campo com Nadinho. Beto. Henrique. Vicente e Nezinho. Flavio e Mario. Marito. Alencar. Léo e Biriba. O Santos jogou a final com Lálá. Getulio. Mauro. Formiga e Zé Carlos. Zito e Mario. Dorval. Pagão. Coutinho e Pepe. O carioca Frederico Lopes foi o juiz. O início do jogo era igual, mas foi o Santos quem abriu a contagem através de Coutinho. O Bahia empatou com Vicente cobrando uma falta da intermediária. Nessas alturas, os baianos dominavam o jogo e os santistas demonstravam um cansaço com pouca disposição para disputar as bolas divididas. No primeiro minuto do segundo tempo, Léo marcou o segundo gol do Bahia. O Santos se desesperou. Coutinho tentava romper à defensiva dos baianos, mas tinha a marcação de Vicente em todas as partes do campo. O treinador Lula ainda tentou Tite no lugar de Pagão, mas não deu certo. Aos 24 minutos o juiz expulsou Getulio. Formiga reclamou exageradamente e também expulso. Aí o Santos começou a apelar. Aos 32 minutos, Coutinho agrediu Nezinho e foi colocado para fora. Vicente deu um soco em Coutinho e também foi obrigado a sair. Perdido por dois, perdido por mil, os santistas resolveram parar os baianos no pau. A policia entrou em campo e esfriou os ânimos. O juiz Frederico Lopes expulsou outro santista. Dorval deu uma tapa em Henrique e também saiu mais cedo. Aos 37 minutos, o Bahia sacramentou o titulo assinalando o terceiro gol. A festa já tinha começado na Bahia de todos os santos. Era também a vitória da malícia de Osório Vilas Boas que se impunha contra a pretensão de Atiê Jorge Cury. O dirigente do Santos, antes da decisão, havia enviado um telegrama ao San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais  para os dois jogos pela Taça libertadora. Só que o San Lorenzo jogou mesmo foi contra o Esporte Clube Bahia, o campeão da primeira Taça Brasil. Para ser campeão, o Bahia jogou quatorze vezes. Venceu nove. Empatou duas e perdeu três.


                     CAMPEONATO CARIOCA DE 1960 – AMERICA 2 X FLUMINENSE 1



               
                 
Dizem os estrategistas que a guerra vai até a última batalha, e de nada valem as vitórias nas diversas escaramuças se, no final, cede-se o terreno que defendia, deixando o inimigo fixar o marco de uma conquista na fortaleza que era necessário manter incólume. E foi isso que aconteceu naquele dia 18 de dezembro de 1960 no maracanã. O Fluminense foi a prova viva de que os generais do passado tinham sua dose de razão.

O Fluminense liderou o campeonato carioca de 1960 desde de sua primeira rodada. Somente perdeu a última batalha quando deixou cair por terra todos os sonhos do bicampeonato em apenas doze minutos. De fato, quando o América assinalou o gol do titulo que perseguia há 25 anos, o relógio marcava trinta e três minutos do segundo tempo. E o Fluminense, embora lutando até o final, não encontrou mais o rumo certo para desfazer os 2x1. Com o empate, os tricolores ganhariam uma guerra que venceu tantas e tão gloriosas batalhas.

O Fluminense começou cauteloso, esperando que o América partisse para o ataque. Aos americanos somente a vitória interessava. Os tricolores tinham uma defesa bem postada e impedia as avançadas do adversário. Aos vinte e seis minutos, Telê Santana encobriu o goleiro Ari e colocou a bola no angulo direito da meta do América. O zagueiro Wilson Santos saltou e defendeu com a mão. Penalti. Pinheiro cobrou a abriu a contagem para o Fluminense. Os tricolores jogavam bem e parecia o começo do fim para os rubros.

Entretanto, duas modificações mudaram o panorama do jogo. No Fluminense, saiu Paulinho, contundido, e entrou Jair Santana. No América, Fontoura substituiu a Antoninho. Os tricolores perderam no meio campo e seu ataque ficou sem municiamento. Os americanos ganharam no ataque e passar a pressionar a defensiva do Fluminense. Aos quatro minutos do segundo tempo, Fontoura deu um passe para Ivan que cruzou para a área do Fluminense. O ponteiro Nilo entrou rápido e empatou o jogo. O empate ainda servia para o clube de Alvaro Chaves, Mas, os americanos acreditavam na vitória e jogavam melhor. O Fluminense se encolheu para manter o resultado. Aos trinta e três minutos, cobrando uma falta fora da área, Nilo chutou forte e de efeito. O goleiro Castilho pegou e largou nos pés de Jorge que marcou o gol do titulo. No final, o América fez por merecer a vitória. No segundo tempo dominou o jogo, aproveitou as oportunidades e as falhas da defesa do Fluminense. O treinador Jorge Vieira foi um estrategista que soube ganhar a guerra.

Jogo realizado no maracanã, no dia dia 18 de dezembro de 1960.
América 2 x Fluminense 1 –
Gols de Nilo e Jorge (América). Pinheiro (Fluminense)
Juiz: Wilson Lopes de Souza.
Renda: 3.973.606,00
América: Ari. Jorge. Djalma Dias. Wilson Santos e Ivan. Amaro e João Carlos. Calazans. Antoninho (Fontoura). Quarentinha e Nilo.
Fluminense: Castilho. Jair Marinho. Pinheiro. Clovis e Altair. Edmilson e
Paulinho (Jair Francisco). Maurinho. Telê Santana. Valdo e Escurinho.


(Jornal O GLOBO)


                   CAMPEONATO CARIOCA DE 1948 – BOTAFOGO x VASCO DA GAMA


                                                     Botafogo campeão carioca de 1948.

Em pé: Gerson. Osvaldo. Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal.
Agachados: Paraguaio. Geninho. Pirilo.Otávio e Braguinha.

No dia 12 de dezembro de 1948, mas de cinqüenta mil torcedores se comprimiam no desconfortável estádio de General Severiano. Botafogo e Vasco iriam decidir o campeonato carioca daquele ano. A torcida suportava o calor sem reclamar e aguardava a entrada dos times que demoravam a surgir pelo túnel que ficava em frente às sociais. O Vasco estava escalado com Barbosa. Augusto e Wilson. Eli. Danilo e Jorge. Friaça. Ademir. Dimas. Ipojucan e Chico. O treinador Zézé Moreira do Botafogo mandou a campo Osvaldo. Gerson e Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Paraguaio. Geninho. Pirilo. Otavio e Braguinha.

No final do jogo, a vibração e a surpresa do resultado. O Botafogo dominou o supertime do Vasco, impondo-lhe o inesperado placar de 3x1. O publico deixou o estádio sem entender direito o que aconteceu. No dia seguinte, através dos jornais e emissoras de rádio, todos ficaram sabendo que muita coisa estranha havia ocorrido antes do jogo. Fatos que levaram os vascainos a contestarem a vitória do Botafogo. Jogadores vascainos reclamaram que foram vitimas de uma chuva de pó de mico, o seu vestiário fora recém pintado de cal forte, aquele de arder os olhos e prender a respiração, e o pior, Ademir garantia que alguém colocou droga nas garrafas térmicas do vasco, terrível doping de ação inversa, que fez a equipe ficar sem poder correr como devia. Apenas Eli se destacava e pedia mais empenho aos companheiros. Logo ale que se negara a tomar água nas garrafinhas, tendo se limitado a chupar uma laranja antes do jogo.

O Vasco era um super time, e havia conquistado o campeonato sul-americano de clubes em Santiago do Chile. O Botafogo era um time impulsionado pelas superstições de uma mística criada pelo presidente Carlito Rocha e materializada na figura simpática de um cachorrinho chamado Biriba.  No primeiro turno, a diretoria do Vasco baixou uma ordem proibindo a entrada de animais em São Januário, alusão direta a Biriba, mascote do Botafogo. O presidente Carlito Rocha se queimou com a história. Colocou o Biriba debaixo do braço e entrou com ele pelo portão principal do campo do Vasco afirmando que queria ver quem ia tirar o cachorro de seus braços. O clima, portanto, já era de guerra na primeira fase do campeonato. Pior aconteceu na decisão em General Severiano.

Os ricos torcedores portugueses do Vasco compraram cadeiras com números sucessivos para formar um bloco grande e unido em torno do seu clube. Os homens do Botafogo resolveram espalhá-los pelo estádio, estragando os planos vascainos. Da noite que antecedeu ao jogo, até  a madrugada do Domingo, o pessoal do Botafogo remanejou as cadeiras, de modo que um torcedor do Vasco não ficasse ao lado do outro. O túnel destinado ao Vasco estava com água cortada, sanitário entupido e o cal na parede. O time vascaino já chegou com roupa trocada, mas teve que passar por um túnel encoberto com uma tela. Os jogadores afirmaram que na tela havia pó de mico. Alguns afirmam que no vestiário do clube vascaino havia um móvel que encobria um buraco por onde pessoas do Botafogo entraram para contaminar as garrafinhas de água. A delegação do Vasco não ficou muito tempo no vestiário, mas deixou seus pertencem e um funcionário na porta. Essa a versão dos vascainos.

Quem viu o jogo atesta que foi um banho de bola. Os jogadores do Botafogo pareciam movidos por um doping positivo, enquanto que o Vasco aparentava um estado semiletárgico. O juiz Mário Viana afirmou que não viu nada de anormal. Para ele, tudo se deve a garra com que o time do Botafogo se portou, surpreendendo o adversário, que não esperava toques de bola tão rápidos.  Essas são as várias versões. Verdadeiras ou não, a conclusão é que o Vasco ficou com o jogo atravessado na garganta.

O Botafogo venceu por 3x1. Paraguaio marcou o primeiro gol logo aos dois minutos de jogo. Pouco antes de encerrar o primeiro tempo, Braguinha aumentou para dois. Otávio marcou o terceiro e minutos depois Ávila fez contra o gol solitário do Vasco. Naquelas alturas a torcida vascaina parecia sentir a incapacidade de reação do seu time. Calaram-se, angustiados, contrastando com a festa da pequena torcida do Botafogo.









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